2008-09-06

Subject: Mais de 4 mil baleias mortas sem justificação

 

Mais de 4 mil baleias mortas sem justificação

 

   

Um novo estudo apresentado pelo programa nacional de investigação de baleias do Japão está a ser fortemente criticado por cientistas e conservacionistas, que alegam que os resultados por ele obtidos não justificam a morte de mais de 4 mil baleias.

Os críticos há muito que acusam o Japão de usar o seu programa de caça à baleia com fins científicos para contornar a moratória de 1986 sobre a caça comercial, imposta pela Comissão Internacional de Caça à Baleia (IWC).

Neste novo estudo, Kenji Konishi, do Instituto Japonês de Investigação de Cetáceos, analisou dados recolhidos de 4704 baleias anãs antárcticas Balaenoptera acutorostrata mortas pelo Programa Japonês de Investigação de Baleias (JARPA) entre 1987 e 2005. Ele conclui que a espessura da gordura das baleias se reduziu em 3,6 milímetros (cerca de 9%) durante esse período de 18 anos.

A equipa japonesa sugere que a diminuição da espessura da gordura pode ser devida a reduções nas populações de krill oceânico relacionadas com o aquecimento global, a competição com outras espécies de baleias ou uma combinação dos dois factores.

As baleias anãs mortas ao abrigo do JARPA foram preservadas para estudo ou abertamente vendidas para carne nos mercados japoneses, como é permitido pelos regulamentos da IWC.

Konishi considera que matar as baleias foi a única forma de assegurar que as medições da espessura da gordura eram consistentes em todos os espécimes. "Estes dados só podiam ser obtidos através de investigação letal", diz ele. Estudos anteriores feitos com amostras do tipo biópsia retiradas de animais vivos não tinham obtido "o conteúdo total e portanto o conteúdo de energia" da gordura das baleias, acrescenta ele.

Scott Baker, director associado do Instituto de Mamíferos Marinhos da Universidade Estatal do Oregon, não esteve envolvido no estudo e considera que as biópsias e outros métodos não letais, como identificação fotográfica e genética, teriam sido adequados para avaliar a saúde e disponibilidade de alimento das baleias.

Baker apelidou os métodos de caça à baleia do JARPA, que incluem arpões explosivos e carabinas de grande calibre no caso de a morte não ser instantânea, de "grosseiros e, em última análise, desnecessários".

Baker também questiona a relevância biológica da redução da gordura relatada pela equipa japonesa. "Este é um efeito biológico muito pequeno, pois uma redução de 9% em 18 anos representa uma variação de meio por cento ao ano."

Dúvidas sobre a utilidade científica do estudo também foram formuladas por Stephen Palumbi, ecologista marinho da Universidade de Stanford. "Tudo o que a análise deles consegue mostrar é que as baleias anãs podem estar a ficar ligeiramente mais magras mas é isso significativo do ponto de vista biológico? Não é claro."

 

Palumbi considera a hipótese avançada de que a perda de peso seja devida a reduções de krill nos oceanos "um salto imenso". Os resultados mostram "uma correlação estatística mas não revelam nada acerca da causa".

Um comunicado conjunto emitido pela Greenpeace e pelo International Fund for Animal Welfare (IFAW) considera que as descobertas do estudo contradizem investigações anteriores do próprio JARPA que sugeriam que as baleias anãs estavam a beneficiar do excesso de krill resultante da eliminação de outras grandes baleias pela caça humana. 

"O Japão não pode ter tudo, as baleias anãs não podem estar a atingir a maturidade mais rapidamente por se estarem a empanturrar do excesso de krill e ao mesmo tempo estarem a perder peso", pode ler-se no comunicado.

Beth Allgood do IFAW expressou a sua preocupação acerca da possibilidade de este novo estudo poder ser usado para validar o programa de caça à baleia científico do Japão no próximo encontro da IWC a realizar ainda este mês.

"Este artigo não pode ser usado como prova de que o programa de caça com fins científicos resultou numa investigação legítima até que a comunidade científica reveja a sua metodologia, rigor estatístico e se é eticamente justificável matar baleias anãs para obter resultados destes", diz Allgood.

Os críticos também dizem que estão preocupados com a sugestão do estudo que outras espécies de baleias, como as corcunda e as comuns, estão a ultrapassar competitivamente as anãs na busca de krill. "Tanto quanto sabemos, não há qualquer prova disso", diz Palumbi. "Se tivermos a mania da conspiração até podemos achar que foi tudo organizado para que desse essa impressão."

Os investigadores japoneses tinham recentemente relatado que as baleias corcunda tinham começado a invadir o território da baleias anãs, hipótese semelhante à proposta por outros investigadores japoneses em meados da década de 90 e que considerava que as baleias azuis estavam a ter dificuldade em recuperar porque as anãs lhes estavam a roubar o krill, diz Baker.

"Na altura disseram que era preciso realizar investigação científica para o verificar", diz Baker. "E o que foi a investigação científica? Matar baleias anãs." 

 

 

Saber mais:

Institute of Cetacean Research

Greenpeace

História de sucesso das baleias questionada

IWC condena o programa de capturas 'científicas' do Japão

Japão aumenta pressão para retoma da caça comercial à baleia

 

 

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