2008-08-31

Subject: Elefantes dizimados no Congo

 

Elefantes dizimados no Congo

 

 

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Desde o início deste ano que grupos armados, soldados e caçadores furtivos já mataram 10% dos elefantes do problemático Parque Nacional Virunga no Congo. Alegadamente esta situação está a ser exacerbada pela procura chinesa por marfim, dizem funcionários do parque.

A notícia reforça o receio de que os elefantes possam desaparecer definitivamente do maior e mais antigo parque nacional africano, que recentemente foi notícia pelo assassinato de gorilas.

Os rangers que patrulham o sector central de Virunga descobriram os cadáveres de sete elefantes nas últimas duas semanas. Num caso depararam-se com milícias ruandesas a rondar duas carcaças, que afastaram antes que conseguissem remover as presas dos animais.

No total, 24 elefantes foram mortos no Parque Nacional Virunga desde o início do ano. "Acreditamos que menos de 10 foram mortos no ano passado na mesma zona", diz Samantha Newport, porta-voz do parque. "Não há dúvida que este ano está a ser muito pior, está a ser catastrófico."

A Republica Democrática do Congo (RDC) é uma das fontes primárias de marfim ilegal no mundo, de acordo com o relatório da TRAFFIC, que segue o comércio de vida selvagem.

Recentemente, a minúscula população de elefantes de Virunga tornou-se um alvo de atiradores que esperam colocar o seu marfim no florescente mercado negro internacional, dizem os funcionários do parque.

A população de elefantes de Virunga é pequena, pensa-se que oscile entre os 200 e os 300 animais, e isolada. Não será capaz de se manter se a matança continuar a esta taxa, comenta Noelle Kumpel, gestora do programa para a Zoological Society of London, que trabalha no apoio à reabilitação e gestão de Virunga.

Tem havido a um ressurgimento no volume de marfim ilegal desde 2004, diz Tom Milliken, director regional da TRAFFIC para a África oriental e do sul. Os peritos atribuem esta tendência aos florescentes mercados domésticos de contrabando através de toda a África central, em combinação com um novo apetite por marfim entre a crescente classe média chinesa.

Um estudo realizado por Milliken estima que a industria não regulamentada do marfim em África e na Ásia pode estar a usar até 83 toneladas de marfim todos os anos, na sua maioria proveniente da África central. Esse número é equivalente a cerca de 12 mil elefantes, acrescenta ele.

Virunga está no coração de uma das zonas de conflito mais letais do planeta, com pelo menos 4 facções fortemente armadas e raramente pagas em luta pelo controlo do parque. "É extremamente difícil aos rangers fazer o seu trabalho no terreno, onde se confrontam com grupos armados muito mais poderosos que eles", diz Newport. "Nos últimos 10 anos, mais de 120 rangers foram mortos no parque e é um verdadeiro milagre que Virunga ainda exista."

 

Sensos realizados na década de 60 encontraram 2889 elefantes no parque. Em 2006 esse número tinha caído para 400 e apenas dois anos depois estima-se que restem menos de metade desse número.

Para os que protegem o parque, o número de elefantes é um teste à capacidade de sobrevivência do próprio parque. "Os elefantes são uma espécie indicadora", diz Newport. "Se forem mortos é muito mau sinal para a conservação em Virunga."

Noelle Kumpel considera que "a perda dos elefantes terá um impacto dramático no parque". "Eles são como engenheiros ecológicos, removendo as árvores e abrindo as savanas. As árvores dependem deles para a dispersão de sementes e outras espécies dependem das árvores."

O Elephant Trade Information System, um organismo de monitorização do marfim, relatou que o volume de marfim ilegal confiscado em 2006 foi mais do dobro do descoberto dois anos antes. No mês passado, a Convention on International Trade in Endangered Species (CITES) autorizou a China a fazer uma compra única de 108 toneladas de marfim armazenado em 4 países (Botswana, Namíbia, África do Sul e Zimbabwe). O Japão também foi autorizado a comprar marfim retido pelas autoridades nesses países.

Alguns conservacionistas defendem que a venda legal de marfim, mesmo quando as receitas são utilizadas em processos de conservação (como exigem os regulamentos da CITES), destroem o tabu da compra de marfim e estimulam a procura. "A percepção no terreno por parte dos caçadores furtivos é que está tudo OK, porque a China quer marfim e é-lhe permitido obtê-lo", diz Newport.

Seja ou não verdade, o facto é que o comércio de marfim começa a nível local, onde frequentemente não é penalizado, um facto facilmente aproveitado por estrangeiros que pretendem exportar. "A RDC tem que fazer mais, pois actualmente pode-se comprar e vender marfim sem problemas a alguns metros de distância da sede da polícia em Kinshasa", diz Milliken. 

 

 

Saber mais:

Ataque fatal a conservacionistas em Virunga

Receios crescem com morte de elefantes

Gorilas desaparecidos no Congo estão mortos

Batalha pela vida selvagem do Congo

 

 

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