2008-08-28

Subject: Vida e morte por baixo do fundo do mar

 

Vida e morte por baixo do fundo do mar

 

 

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Vírus que infectam bactérias nos sedimentos do fundo do mar podem ser cruciais no funcionamento do maior ecossistema do mundo e fazer parte integrante do ciclo global do carbono, revelaram novos dados agora conhecidos.

Os vírus líticos, que provocam o rebentamento das células infectadas, matam cerca de 80% dos organismos unicelulares no sedimento e camadas abaixo da superfície dos oceanos, libertando, por isso, grande quantidade de carbono dissolvido para as profundezas.

Todos os anos, são libertadas 630 milhões de toneladas de carbono sequestradas pelas partículas que se afundam para estas zonas bentónicas de grande profundidade, sugerindo que os vírus devem ser incluídos nos modelos oceânicos de gestão de carbono.

Os vírus fornecem uma forma de controlo populacional que deve datar dos tempos da origem da vida na Terra, considera o bio-oceanógrafo Roberto Danovaro, do Instituto Politécnico de Marche de Ancona, Itália, que liderou a análise de 232 amostras de sedimentos das profundezas. "Os vírus matam as bactérias mas também estimulam o seu crescimento, é um mecanismo auto-sustentado."

Os dados sobre os vírus são a última de uma série de revelações acerca do ecossistema de fundo em mar profundo, que cobre 65% da superfície do planeta. Cerca de um décimo da biomassa da Terra vive no fundo do oceano, apesar das baixas temperaturas, escuridão impenetrável e pressão intensa. 

"Há alguns anos assumíamos que os ecossistemas de profundidade não tinham correntes, logo não haveria movimento", diz Danovaro. "Agora sabemos que muito material e sedimento pode ser trazido para a superfície a partir do fundo em poucos dias."

A natureza dos microrganismos que vivem no e abaixo do fundo do mar permanece um tópico controverso. Pensava-se que a maioria seriam bactérias mas um estudo publicado recentemente concluiu que a maioria das células do sedimento são arqueobactérias.

 

Estudos anteriores do fundo do mar tinham revelado muitas bactérias mas relativamente poucas arqueobactérias. Alguns estudos podem ser tendenciosos pois vários foram baseados em extracção de DNA e métodos de coloração pouco adequados à membrana relativamente impermeável das arqueobactérias. 

Da mesma forma, métodos de determinação do perfil lipídico baseados em componentes membranares como os fosfolípidos são geralmente considerados bons marcadores para bactérias vivas pois degradam-se rapidamente após a morte. No entanto, muitas arqueobactérias não os apresentam.

Kai-Uwe Hinrichs, da Universidade de Bremen, Alemanha, no entanto, recolheu amostras mais de um metro abaixo da superfície do sedimento e destruiu as células em azoto líquido para libertar as membranas. Também mediu outro tipo de lípidos, comuns tanto em bactérias como em arqueobactérias, tendo descoberto a abundância de arqueobactérias em profundidade, que supera em biomassa a das bactérias.

No entanto, resultados de alguns locais não revelam o que se passa debaixo do fundo do mar na sua totalidade. "Temos que ter o cuidado de não assumir que por termos encontrado algo num sistema isso deva ser verdade por todo o ambiente", diz Mark Gessner, ecologista de microrganismos no Instituto Federal Suíço de Ciência e Tecnologia Aquática em Dübendorf. 

 

 

Saber mais:

Kai-Uwe Hinrichs

Até onde pode a vida descer?

Fontes hidrotermais das profundidades produzem petróleo e gás

 

 

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