2008-07-16

Subject: Química do veneno de cobra varia com idade e localização

 

Química do veneno de cobra varia com idade e localização

 

 

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A composição do veneno de uma cobra varia enormemente dependendo de onde o animal vive e da sua idade.

Esta é a conclusão de cientistas que alegam ter realizado a primeira comparação detalhada entre as proteínas individuais do de duas populações geograficamente isoladas da mesma espécie de cobra, a mortífera jararaca cabeça-de-lança Bothrops asper.

Médicos que trabalham em zonas onde existem cobras venenosas há muito que sabem que mesmo o veneno de uma única espécie não gera obrigatoriamente os mesmos sintomas nas vítimas de picadas. Também têm consciência que ainda que os antivenenos possam ser uma ajuda preciosa no tratamento de picadas de cobra, nem sempre são eficazes.

Os antivenenos são criados expondo animais como ovelha sou cavalos a minúsculas quantidades de um veneno específico, retirado de uma cobra. Os anticorpos que estes animais geram são posteriormente recolhidos e usados para formular um soro que possa ser injectado em pessoas que tenham sido picadas pela cobra em questão. Os anticorpos do soro ligam-se de forma específica aos componentes tóxicos do veneno, desactivando-o e impedindo mais danos ao corpo do paciente.

Mas existem enormes diferenças entre os perfis químicos de venenos de espécies diferentes, de tal forma que os tratamentos falhados são frequentemente atribuídos à utilização do antiveneno para a cobra errada. No entanto, a confirmação de que a química do veneno de cobra varia dentro da própria espécie sugere que esta explicação pode nem sempre ser a correcta.

Juan Calvete, do Instituto Biomédico de Valência, Espanha, recolheu 26 adultos e mais de 40 juvenis de jararacas de populações que encontram nas regiões do pacífico e das Caraíbas da Costa Rica. As duas regiões estão divididas por montanhas e pensa-se que as populações de cada lado estão isoladas uma da outra há pelo menos 5 milhões de anos.

Estudos anteriores sugerem que o veneno das jararacas cabeça-de-lança da região das Caraíbas provocam níveis superiores de hemorragia e necrose tecidular que o das suas parentes do lado do Pacífico. 

A mordedura de jararaca de qualquer uma das populações tem 7% de probabilidade de nos matar, percentagem que cai para 0,5% a 3% com a ajuda de antiveneno. Esta variabilidade sugeriu que as diferentes populações têm uma química de veneno diferentes, diz Calvete.

 

Ele e a sua equipa recolheram amostras de veneno dos animais que recolheram e estudaram a sua composição proteica através de uma série de técnicas que Calvete intitula "venenómicas". Separaram as proteínas através de cromatografia e electroforese e identificaram-nas pela clássica sequenciação N-terminal (que separa os aminoácidos um a um a partir do fim da proteína) e espectrometria de massa.

Calvete relata na revista Journal of Proteome Research que os venenos das duas populações são muito diferentes. Descobriu mais de 27 proteínas exclusivas para uma das populações e reparou que que mesmo as proteínas partilhadas não estão presentes na mesma concentração. As cobras das Caraíbas apresentam 410% mais serina-proteinases, 200% mais L-aminoácido oxidases e 160% mais desintegrina que as cobras do Pacífico. Estas diferenças explicam porque a população das Caraíbas causa mais hemorragias, pois a desintegrina interfere com a função plaquetária e com a coagulação, enquanto as serina-proteinases promovem o sangramento.

"Esta é uma das contribuições mais significativas para o intrigante tema da variação intra-específica na composição do veneno das cobras", diz o bioquímico José María Gutiérrez, da Universidade da Costa Rica, que não fez parte do estudo.

Os cientistas também descobriram diferenças em proteínas de cobras juvenis e adultas. "Isto parece estar associado a uma alteração nos hábitos alimentares entre as cobras juvenis e adultas, de sapos e lagartos de sangue frio para mamíferos de sangue quente", comenta Calvete, citando a teoria avançada por Gutiérrez.

Uma questão chave é se a variação no veneno entre as espécies é causada pela evolução ao acaso das proteínas que o compõem ou a um processo adaptativo associado a diferentes dietas e cenários ecológicos. 

Questões evolutivas à parte, descriminando a vasta variedade de perfis de veneno entre as diferentes populações de cobras deverá guiar os tratamentos com antiveneno e tem o potencial de salvar muitas vidas, diz Calvete.

 

 

Saber mais:

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Cobras contra-atacam a fome

Cobras que se deleitam em comer veneno

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