2008-07-11

Subject: Pesca excessiva muito pior do que se pensava

 

Pesca excessiva muito pior do que se pensava

 

 

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As estatísticas das pescas globais pintam geralmente um quadro negro da saúde dos oceanos, revelando pesca excessiva descontrolada e o declínio das capturas de peixe em várias regiões, mas um novo estudo sugere que, pelo menos nos trópicos, as estatísticas só revelam metade desta deprimente história.

O trabalho, apresentado esta semana no 11º Simpósio Internacional sobre Recifes de Coral, a decorrer em Fort Lauderdale, Florida, sugere que para quinze das vinte ilhas-nação tropicais examinadas, a pesca recreativa e de subsistência passou o último meio século sem qualquer registo. Essas pescas capturam um volume de peixe equivalente, pelo menos, ao que as estatísticas oficiais revelam e, na maioria dos casos, muito mais.

"A imagem completa das pescas que pensávamos ter é basicamente errada", diz o autor principal do estudo Daniel Pauly, da Universidade da Colúmbia Britânica, Vancouver. "A falta de relatórios é de uma tal magnitude que ficamos de boca aberta." Os resultados, diz Pauly, têm implicações gigantescas não apenas para a forma como as pescas são geridas nestas áreas mas também quanto mais tempo podem os pescadores de subsistência alimentar as suas famílias.

A Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) mantém a única base de dados global de estatísticas de pescas, que abrange um período de 1950 a 2004. Os números que usa são apresentados voluntariamente por cada país e são geralmente espremidos a partir de vendas de peixe e não de estudos científicos. Nas ilhas-nação em especial, o sistema não tem em conta peixe capturado e consumido por aqueles que o apanham pois não deixa um rasto económico.

Para explorar o problema, Pauly e o seu co-autor Dirk Zeller, também da Universidade da Colúmbia Britânica, começou por estudar a base da existência das estatísticas da FAO para identificar as falhas. Depois, trabalhando com colaboradores locais sempre que possível, a equipa procurou qualquer tipo de dados sobre peixe que conseguissem encontrar para uma dada localização a partir de recursos que não fossem incluídos na literatura científica convencional, como inquéritos locais aos residentes, que pudessem preencher essas falhas.

"Quanto mais procuramos, mais encontramos", diz Zeller. Usando a informação histórica que encontraram, fazendo várias assumpções e extrapolações e combinando estes dados com as estatísticas da FAO, os investigadores estimaram o verdadeiro volume das capturas.

O pior problema foi encontrado na Samoa Americana, onde as capturas registadas para o período da FAO foram de 1525 toneladas métricas mas a reconstrução dos autores coloca-as a 25380 toneladas. Situações em que os valores eram subestimados três ou quatro vezes eram comuns, mas os autores acreditam que mais análises levarão a discrepâncias ainda maiores. 

Em alguns, poucos, casos, as capturas estavam inflacionadas mas isso era devido a países como Vanuatu permitirem o registo de navios estrangeiros, levando a que capturas estrangeiras fossem incluídas no balanço oficial do país.

 

Os autores reconhecem que os seus resultados incluem grandes incertezas mas dizem que revisões de dados como esta, ainda que enfrentem frequentemente cepticismo inicial dos gestores locais, têm sido ultimamente consideradas plausíveis.

"Penso que o estudo realmente chama a atenção para o facto de os dados actuais das pescas são inadequados para que se possa tomar decisões de gestão", diz Alan Friedlander, perito em pescas da NOAA sediado no Oceanic Institute de Waimanalo, Havai, que não esteve envolvido na pesquisa. "As pessoas têm mesmo que ser mais cuidadosas acerca do que estão a dizer e a fazer em resposta a estes dados, sabendo como são deficientes."

No simpósio, Friedlander vai apresentar os resultados num estudo separado e controverso onde apoia a ideia de que as capturas pesqueiras foram largamente subestimadas no Havai. O seu trabalho baseia-se em estudos de campo comparando as populações de peixe de recifes relativamente intocados nas ilhas do noroeste do arquipélago com recifes perto de ilhas havaianas habitadas.

Os autores do estudo mais vasto dizem que os seus resultados têm implicações profundas para a gestão. Por exemplo, alguns países vendem os direitos a navios pesqueiros estrangeiros de nações ricas para pescar espécies valiosas nas suas águas, em parte com base nestas estatísticas tão inadequadas. Esta actividade estrangeira pode reduzir a quantidade de peixe disponível para os locais que já lutam para sobreviver, um problema exacerbado pela subida descontrolada do preço dos alimentos.

Jennifer Jacquet, outra autora do estudo, chama à situação uma história de Robin dos Bosques ao contrário. "Em vez de roubar aos ricos para dar aos pobres, estão a roubar aos pobres para dar aos ricos." A falta de dados também também que as estimativas de quanto tempo os stocks de peixe podem suportar a população de um dado país também podem estar seriamente incorrectas.

Baseados nos seus resultados, os autores estão apelar à FAO para que tome medidas imediatas para a recolha de estatísticas mais completas. 

 

 

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