2008-07-09

Subject: A assimetria está nos olhos de quem vê ...

 

A assimetria está nos olhos de quem vê ...

 

 

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Um trio de peixes fossilizados resolveu finalmente um mistério evolutivo que em tempos deu que pensar a Charles Darwin.

Os peixes achatados sempre foram considerados uma bizarria da natureza pois ainda que os peixes imaturos tenham os olhos em lados opostos da cabeça, um deles acaba por migrar à volta do crânio antes de o animal atingir a maioridade. No entanto, não tinha sido encontrada qualquer evidência deste processo de desenvolvimento no registo fóssil.

Alguns biólogos evolutivos, incluindo Darwin, já tinham defendido que a característica tinha evoluído gradualmente ao longo de muitas gerações de peixes. Se verdadeira, teriam em tempos vivido peixes achatados intermédios, com os olhos parcialmente deslocados, mas nunca se tinha identificado fósseis desse tipo, o que servia de apoio tanto aos criacionistas como aos que defendem súbitos saltos evolutivos.

Mas Matt Friedman, estudante de biologia evolutiva na Universidade de Chicago, Illinois, veio agora descobrir três exemplos destas formas de transição. No processo, ele desencantou uma espécie completamente nova de peixes achatados antigos e Viena e reinterpretou fósseis já conhecidos de peixes em Londres. O seu estudo está publicado na última edição da revista Nature (veja também o vídeo).

Friedman refere que os fósseis são importantes porque "ajudam a decidir uma debate evolutivo que já vem de muito atrás e lançam nova luz sobre o modo e o ritmo das alterações evolutivas". "Do meu ponto de vista como paleontólogo e biólogo evolutivo, estou muito satisfeito por ter podido demonstrar o poder dos dados fósseis na resolução de um problema que parecia tão intrigante quando apenas se observava a diversidade viva."

A nova espécie, baptizada Heteronectes chaneti, foi desencantada no Museu de História Natural de Viena.

"Quando reparei no fóssil pela primeira vez, estava colocado sem identificação numa gaveta com vários fósseis indeterminados de peixes colhidos no Monte Bolca, Itália", diz ele. "E acreditem, não me pareceu muito impressionante na altura, era um espécime incompleto coberto de pó e cinza."

Depois de aplicar ácido fraco sobre a rocha para expor o fóssil, ficou claro que se tratava de facto de uma nova espécie, uma com um crânio claramente assimétrico.

Friedman também usou uma técnica de raio-X chamada tomografia computorizada para analisar dois espécimes de uma espécie conhecida do género Amphistium que estavam no Museu de História Natural de Londres. Apesar dos paleontologistas já terem notado que este animal era do tipo dos peixes achatados, Friedman diz que antes se pensava que o fóssil era inicialmente simétrico e que tinha sido distorcido pelo processo de fossilização.

Os scans de Friedman mostram que o grau de assimetria dos peixes do género Amphistium é o mesmo em ambos os espécimes, o que sugere que este não se deve a esse tipo de distorção.

 

Os olhos dos peixes achatados movem-se muito cedo no seu desenvolvimento mas Friedman diz que os espécimes que descreve são claramente adultos, pois são demasiado grandes para serem juvenis. Para além disso, os ossos dos peixes achatados vivos só ossificam após a metamorfose e, nestes fósseis, os ossos estão presentes e completamente formados.

"Há pessoas, infelizmente, que não se sentem confortáveis com a ideia de evolução", diz Per Ahlberg, da Universidade de Uppsala, Suécia. "É sempre bom demonstrar que até mesmo para uma transição morfológica importante como esta há registo evolutivo das suas etapas."

"De um ponto de vista mais científico, estas são as alterações que são mais difíceis de compreender", acrescenta ele, "É tudo muito bonito saber-se que deve ter acontecido mas não se tem a imagem completa de como funcionou."

É possível que os olhos assimétricos possam ter permitido aos animais alimentarem-se no fundo enquanto se mantinham alerta a predadores acima e se levantavam nas barbatanas para procurar presas no fundo do mar.

Friedman está a fazer carreira a descobrir coisas que outros falharam nas colecções poeirentas. Em 2006 foi autor de um artigo, juntamente com Michael Coates, em que mostrava que um fóssil que antes se pensava ser de um peixe com barbatanas de raios era afinal um celacanto. 

"Muitas das minhas descobertas mais interessantes foram feitas nas caves de museus e não numa pedreira num qualquer local exótico", diz ele.

"Acho que há uma ideia mais ou menos geral que as colecções dos museus são arquivos mortos e poeirentos e que tudo o que contêm foi cuidadosamente estudado e identificado com precisão. Mas a verdade é que os museus são muito mais do que um armazém de longa duração, pois à medida que as nossas interpretações amadurecem podemos começar a perceber espécimes que intrigaram outras gerações de investigadores ou mesmo tirar novas conclusões acerca de materiais que, erradamente, pensávamos que já tínhamos percebido há muito."

Zerina Johanson, curadora dos peixes fósseis do Museu de História Natural de Londres, concorda: "Certamente haverá muitas mais descobertas a fazer nas colecções de fósseis de peixes." 

 

 

 

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