2008-07-06

Subject: Pinguins congelados pelo aquecimento global?

 

Pinguins congelados pelo aquecimento global?

 

 

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Este Janeiro, pleno Verão na Antárctica, o explorador Jon Bowermaster sobreviveu a cinco dias seguidos de chuvas torrenciais na zona oeste da Península Antárctica mas o mesmo não se pode dizer de milhares de crias penugentas de pinguim.

Chuvas épicas como estas são invulgares na Antárctica, mesmo no Verão, diz Bowermaster, que estava na região numa expedição financiada em parte pela National Geographic Society. 

Com temperaturas diurnas acima do ponto de congelação, a chuva ensopou completamente os juvenis dos pinguins de Adélie e da Papua que ainda não estão equipados com penas impermeáveis. À noite quando o mercúrio desceu abaixo do zero, as crias molhadas congelaram.

"Muitas mas mesmo muitas, milhares delas, morreram", diz Bowermaster. A experiência, acrescenta ele, pintou um quadro muito negro do impacto das alterações climáticas. "Não se trata apenas de degelo, está mesmo a matar estas pequenas aves adoráveis, tão populares nos filmes."

O congelamento das crias é apenas um exemplo da forma como as actividades humanas estão a ameaçar cerca de dois terços de todas as espécies de pinguins, de acordo com um novo artigo baseado em décadas de investigação e observações.

A bióloga conservacionista por trás do estudo, Dee Boersma, da Universidade de Washington, salienta algumas das muitas formas como os pinguins estão a sofrer, como a ingestão de petróleo derramado, atropelamento por turistas, confusão com as épocas de nidificação devido a alterações climáticas ou perda de presas devido a alterações de correntes.

Durante 25 anos, Boersma estudou a população de pinguins de Magalhães na Punta Tombo, Argentina, e assistiu ao declínio da população em 22% desde 1987, sendo a maior queda registada em 1991 depois de um importante derrame de petróleo.

A colónia também perdeu membros para as redes de pesca, fome associada à pesca excessiva das suas presas e alterações nas correntes que forçam as aves a nadar para mais longe para se alimentarem.

"Os pinguins têm que nadar 60 Km mais longe para encontrar alimento do que tinham que fazer há uma década", escreve ela no artigo publicado na revista BioScience.

 

A subida das temperaturas também está a afectar as populações que se reproduzem na Antárctica por partir o gelo, alterar os padrões de precipitação e a época de nidificação.

Em 2006 ela visitou o gelo marinho sazonal que é lar da colónia de pinguins retratada no filme de 2005 Marcha dos pinguins e viu uma região invulgarmente livre de gelo. Aparentemente sentindo perigo, os pinguins tinham marchado a colónia vários quilómetros para o interior mas ainda assim, uma tempestade algumas semanas depois partiu esse gelo e as aves tiveram mesmo que ir para a água. Os adultos puderam sobreviver mas as crias pouco desenvolvidas devem ter morrido quase todas, diz Boersma.

Nas Galápagos uma população de pinguins está reduzida a 2500 aves, das cerca de 10 mil que Boersma estudou pela primeira vez na década de 70. Anomalias El Niño mais frequentes estão a empurrar os pinguins cada vez mais para o mar profundo em busca de alimento, logo as aves das Galápagos estão a morrer à fome.

Nas lhas sul africanas, onde os pinguins fazem tocas em montes de dejectos de aves marinhas, a recolha de guano para adubo levou a um declínio de 1,5 milhões de pinguins para apenas 63 mil casais reprodutores actualmente.

Boersma preferia ver o afecto humano pelos pinguins focado em esforços para melhorar os habitats marinhos destas aves. "Se as pessoas realmente soubessem que estamos a ter este tipo de efeito os pinguins, certamente alterariam a sua forma de fazer negócio."

Mas Boersma não quer só consciencializar as pessoas. Ela defende a criação de uma instituição internacional que siga regularmente os pinguins de forma a que se possa perceber de que forma as alterações na cadeia alimentar marinha e as alterações climáticas a longo prazo os afectam. Um esforço desse tipo tornaria os pinguins uma espécie de 'sentinelas marinhas', diz ela.

A ideia de usar os pinguins como espécie emblemática não é nova, diz David Ainley, perito em pinguins e ecologista consultor da firma H.T. Harvey & Associates de San Jose, Califórnia. "Como os pinguins são tão conhecidos, a nossa ideia é usá-los para consciencializar as pessoas para as alterações climáticas."

Ainley considera que Boersma criou um óptimo artigo que pode servir para convencer as pessoas a usar os pinguins como monitores ambientais. De facto, várias espécies de pinguins antárcticos são já seguidos pelo Sistema do Tratado Antárctico, uma série de acordos entre os estados que operam no continente.

 

 

Saber mais:

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