2008-07-04

Subject: Clonagem de cães arreganha os dentes

 

Clonagem de cães arreganha os dentes

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

Na última semana uma companhia de clonagem de cães americana avisou uma companhia do mesmo ramo na Coreia do Sul para interromper as suas actividades comerciais no que parece ir tornar-se uma batalha suja pelas patentes.

O caso envolve o investigador caído em desgraça Woo Suk Hwang, antes professor da Universidade Nacional de Seul (UNS), do lado americano e Byeong Chun Lee, da UNS e antes assistente na equipa de Hwang, que teve um papel crucial na clonagem do primeiro cão em 2005, do lado coreano.

Lee trabalha para a RNL Bio, com sede em Seul, que em Fevereiro anunciou que ia lançar um negócio de clonagem com a encomenda de US$150 mil para clonar o animal de estimação de uma americana. Em meados de Junho, a companhia surgiu nas manchetes internacionais com fotografias de 4 clones de um cão que se diz ser capaz de farejar cancro em humanos. Dois dos cães foram vendidos a uma companhia japonesa de biotecnologia por quantia não revelada e os outros dois devem ser vendidos por um mínimo de 500 milhões de won (US$480 mil).

Lou Hawthorne, executivo-chefe da BioArts International, com sede em Mill Valley, Califórnia, diz que a RNL Bio não tem direito de clonar cães. Na semana passada, a BioArts e a Start Licensing, uma companhia de gestão de direitos de propriedade intelectual com sede em Austin, Texas, emitiram uma ordem para parar e desistir à RNL Bio.

A Start Licensing detém os direitos das 'patentes Dolly', um conjunto de patentes que cobrem a tecnologia usada para clonar a ovelha Dolly. A BioArts International obteve os direitos exclusivos para a tecnologia de clonagem de “gatos, cães e espécies ameaçadas” em 27 países, incluindo a Coreia do Sul, diz Hawthorne.

A clonagem de um cão, feita pela primeira vez por Lee e Hwang em 2005, exige um procedimento básico, a transferência de DNA para um zigoto a que tenha sido retirado o núcleo e o momento dessa transferência durante o ciclo, tal como mencionado nas patentes Dolly. O método foi afinado para outros animais e ao logo dos cinco anos a seguir à criação de Dolly perto de uma dúzia de animais foi clonada.

Os cães, no entanto, revelaram-se difíceis. Os óvulos de outros mamíferos amadurecem no ovário, onde são relativamente fáceis de colher mas os dos cães apenas maturam a caminho do útero, logo a sua colheita exige grande precisão. Para criar o primeiro cão clonado, Snuppy, a equipa da UNS usou uma técnica mais tarde patenteada, um kit de radioimune para medir a concentração de progesterona no sangue para determinar o momento da ovulação.

Hawthorne sabe como é complicado clonar cães. Ele era executivo-chefe de uma companhia já defunta, a Genetic Savings & Clone, que tentou e falhou clonar cães, começando há 6 anos com a cadela da família, Missy.

A equipa de Hawthorne tinha focado os esforços de clonagem de cães na maturação dos óvulos in vitro. Nunca tentou o processo de maturação in vivo como Hwang e Lee mas descreve isso como uma tecnologia 'de prateleira' e insiste que a principal diferença entre os esforços da sua companhia e os dos investigadores da RNL Bio é o número de experiências. “Eles tinham uma rede de 5 mil cães, enquanto nós tínhamos 160. Eles obtiveram 3 cães, um nado-morto, outro morreu pouco depois do nascimento e o terceiro [Snuppy] viveu. Nós obtivemos um nado-morto."

 

A clonagem de cães da BioArts International está contratada pelo laboratório de capitais privados de Hwang em Sooam, perto de Seul. Em Sooam, a equipa de Hwang clonou “dúzias de cães”, diz Hawthorne, incluindo seis clones de Missy, 3 dos quais já voltaram aos Estados Unidos.

Em Junho a BioArts vai leiloar cinco projectos de clonagem e oferecer um. O leilão vai ajudar a estabelecer o preço para futuros negócios de clonagem.

Hawthorne diz que a BioArts vai fazer tudo o que for preciso para aplicar as patentes Dolly na Coreia, Estados Unidos ou onde for, incluindo apreender os cães na fronteira. "Eles não vão roubar esta tecnologia, não o merecem e não vão conseguir. Não basta colocar uma cereja num bolo e ficar com o crédito de fazer tudo."

A resolução da disputa, pelo menos nos Estados Unidos, provavelmente será centrada na frase “experimentação indevida”, de acordo com Saul Zackson, advogado de propriedade intelectual especializado em ciências da vida na Sonnenschein Nath & Rosenthal LLP de St Louis, Missouri. Uma patente só pode cobrir práticas que “permita" que sejam feitas “sem experimentação indevida", mas o que define "indevida"?

O facto de a predecessora da BioArts, a Genetic Savings & Clone, ter tentado e falhado a clonagem de cães pode ser tomado como um sinal de que foi necessário realizar experimentação indevida para estender o procedimento de clonagem a cães. “Isso não vai soar bem em tribunal."

Mas a pretensão da BioArts pode ter um precedente bem sucedido num caso de 1988 sobre a patente para anticorpos monoclonais usados na detecção da hepatite B. Os inventores precisavam de analisar centenas de hibridomas para identificar um pequeno número de anticorpos que lhes interessassem.

Nesse caso, o tribunal considerou a quantidade de experiências necessárias à prática da invenção, ainda que vasta, não era indevida, pois o enorme esforço de busca era inerente à tecnologia. Da mesma maneira, a BioArts pode tentar alegar que a tecnologia que produziu a Dolly deixou claro um percurso para o longo mas não indevido esforço do grupo coreano para produzir Snuppy, implicando que qualquer um que tenha suficientes óvulos de cão disponíveis teria sido capaz de criar um clone.

“Muito vai depender de os coreanos conseguirem dizer que fizeram algo de diferente”, diz Zackson. “A lei é muito permeável ao que constitui ‘rotina’ ou experimentação ‘indevida’.

 

 

Saber mais:

RNL Bio

BioArts International

Coreia do Sul apresenta primeiro cão clonado

Venda de animais de estimação clonados leva a pedidos de proibição

€50000 para clonar o seu gato ou cão

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com