2008-07-03

Subject: Diamantes revelam formas de vida mais antigas?

 

Diamantes revelam formas de vida mais antigas?

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

Minúsculos pedaços de diamante formados pela Terra jovem podem conter os primeiros vestígios de vida, revelou um estudo agora conhecido.

A análise de cristais mostrou que eles contêm uma forma de carbono frequentemente associada a plantas e bactérias.

Estas gemas raras foram encontradas no interior de cristais de zircão, formados poucas centenas de milhões de anos depois de a Terra se formado. No entanto, escrevendo na última edição da revista Nature, os investigadores alertam para o facto de os seus resultados não serem a prova definitiva da existência de vida mas "não excluem" a possibilidade. "Estamos todos um pouco cépticos", diz Martin Whitehouse, do Museu Sueco de História Natural e um dos autores do estudo.

Se o carbono é derivado de organismos primitivos, empurraria a data para o surgimento da vida na Terra para cerca de 500 milhões de anos mais atrás, para há 4,25 biliões de anos. A própria Terra tem apenas 4,6 biliões de anos.

"Quando analisamos os isótopos de carbono, eles podem ser interpretados como biogénicos porque sabemos que os processos biológicos geram isótopos de carbono leves mas claro que existem outros processos que o podem fazer", explica Whitehouse.

Outras possibilidades incluem reacções químicas que envolvem óxidos de carbono ou mesmo material trazido do espaço por meteoritos. No entanto, alguns observadores levantaram a possibilidade de os diamantes podem ser contaminação introduzida durante o polimento dos zircões.

"Se olharmos para as fotos que eles apresentam, vemos sempre os diamantes encaixados em fendas e fissuras", diz Minik Rosing, da Universidade de Copenhaga. Se fossem estruturas originais, diz ele, seria de esperar pelo menos alguns embebidos na estrutura dos cristais. Mesmo assim ele considera a possibilidade de as assinaturas corresponderem a formas de vida primitivas "electrizante".

Os minúsculos cristais de zircão, com apenas 0,3 mm de diâmetro, foram descobertos em Jack Hills na zona ocidental da Austrália e são o que resta de antigas rochas que há muito desapareceram.

"Não temos as rochas. Estes zircões são apenas pequenos fragmentos de algo que já foi completamente erodido e redepositado como sedimento", explica Whitehouse. A datação radioactiva sugere que alguns dos cristais se formaram há 4,4 biliões de anos.

Os cientistas classificam esta fase da história da Terra como Éon Hadeano e há muito que se pensava que seria impossível para a vida ter tido início nesta época pois as condições seriam demasiado inospitaleiras no planeta jovem mas os zircões de Jack Hills começaram a lançar alguma dúvida sobre esta ideia.

Trabalhos anteriores já tinham levantado a questão intrigante de que a Terra jovem podia ter sido mais fria e húmida do que antes se pensava pois os cristais mostram sinais de crescimento num magma de baixa temperatura que tinha estado em contacto com água.

A análise das inclusões de diamante e grafite nos cristais podem trazer mais peso a esta teoria. "Acho que temos aqui uma possibilidade interessante", diz Whitehouse.

Os cientistas analisaram 22 inclusões de grafite e diamante em 18 cristais de zircão. Os resultados mostraram que as cápsulas tinham níveis invulgares de um isótopo leve de carbono, o carbono-12.

"A forma mais comum de formar carbono-12 na Terra moderna é através da fotossíntese", explica Alexander Nemchin, da Universidade de Tecnologia Curtin na Austrália e outro dos autores do estudo. Durante este processo, os organismos extraem preferencialmente carbono leve, deixando as formas mais pesadas na atmosfera. "E quando morrem preservam essa assinatura."

 

Os resultados das experiências da equipa mostram que as inclusões de carbono têm uma gama de isótopos, o que sugere, dizem eles, que o reservatório de carbono era heterogéneo. Tudo isto tinha que se passar em profundidade para se gerar as pressões extremas necessárias para formar os diamantes.

"Se isto era devido a vida, logo presumivelmente formado à superfície, precisamos de um processo que o leve para algo como 150 a 200 km de profundidade", diz Whitehouse.

Na Terra moderna, a crosta é reciclada em profundidade nas zonas de subducção e aqui as placas oceânicas frias e densas mergulham sob as placas continentais mais leves e muito mais duradouras.

Trabalhos anteriores sobre diamantes apoiam a ideia de que processos semelhantes já ocorriam no Hadeano mas nem todos os cientistas concordam, pelo contrário sugerem que a crosta primitiva era relativamente estável. Seja como for, Whitehouse não acredita que isso impeça a origem biogénica do carbono.

Actualmente, o que se pensa ser a assinatura de vida mais antiga que se conhece, data de perto de 3,7 biliões de anos e foi descoberta por Rosing numa área de rochas intensamente deformadas no ocidente da Groenlândia conhecida por Cintura de Isua.

Aqui, os registos químicos sugerem mais uma vez a presença de formas de vida fotossintética mas, de forma crucial, a assinatura pode ser observada numa sequência completa de rochas e não apenas em cristais isolados. Isto dá aos geólogos pistas acerca do ambiente em que as rochas foram depositadas e se era ou não plausível que contivessem vida.

"O problema com Jack Hills é que não temos a rocha", admite Whitehouse, "os isótopos de carbono por si só não são uma bioassinatura distintiva." Por isso, eles sugerem outras possibilidades para a origem do carbono leve, incluindo reacções químicas inorgânicas semelhantes às que ocorrem no catalisador de um carro.

Rosing acredita que essa deve quase de certeza ser a explicação mais provável. Ele salienta a variedade de valores de carbono que se encontraram nas inclusões: "Isso para mim é o completo oposto de uma assinatura biológica, é a assinatura de algum tipo de química, como um processo de fraccionamento." A fotossíntese, explica ele, produziria valores constantes na razão de isótopos de carbono. 

Outra possibilidade, sugere a equipa, é que o carbono provenha de meteoritos condritos, que também têm uma assinatura química semelhante. Esta teoria é apelativa porque o Hadeano terá terminado há 3,8 biliões de anos com um período de intenso bombardeamento que alguns acreditam ter sido o iniciador da emergência da vida na Terra.

No entanto, de acordo com Rosing, se os diamantes e zircões forem extraterrestres ficam minadas todas as outras teorias relacionadas com os zircões, incluindo a possibilidade de uma Terra mais fria e hospitaleira. "Se for esse o caso, então todos os argumentos acerca dos zircões se desmoronam e não sabemos nada." 

 

 

Saber mais:

Nature

Universidade Curtin

Universidade de Copenhaga

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com