2008-07-01

Subject: Condenados a uma vida de sexo único pelas alterações climáticas

 

Condenados a uma vida de sexo único pelas alterações climáticas

 

 

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tuataraA subida das temperaturas parecem garantir a produção de descendência exclusivamente masculina nos tuataras, condenando o antigo réptil à extinção por volta de 2085, prevê um modelo de computador.

Investigadores que estudam o tuatara Sphenodon spp., cujos ancestrais percorriam a Terra lado a lado com os dinossauros há mais de 200 milhões de anos, fizeram a sua previsão do dia do juízo final utilizando mapas digitais do terreno que detalham as consequências para os locais onde estes répteis fazem os ninhos de uma subida de cerca de 4°C na temperatura média.

Toda a população de tuataras está actualmente encurralada em cerca de 30 pequenas ilhas no norte da Nova Zelândia, pois em todos os restantes locais já foram dizimados por predadores. Por esse motivo, não têm hipótese de se adaptarem fugindo para zonas com climas mais frescos, dizem os investigadores.

“Desde meados dos anos 90 que se fala da vulnerabilidade dos répteis às alterações climáticas devido a terem uma reprodução em que o sexo do juvenil é determinado pela temperatura mas ninguém tinha sido capaz de modelar uma situação com esta complexidade", diz a investigadora principal Nicola Mitchell, da Universidade da Austrália Ocidental em Perth.

"Ao integrar o clima e a fisiologia do animal fomos capazes de fazer predições espacialmente explícitas sobre um dado local na ilha", diz Mitchell. "Podemos dizer que se o clima for de uma dada forma, então isto vai acontecer numa localização particular."

Com a ajuda de software de computador, os investigadores combinaram a física da transferência de calor com dados do terreno dos quatro hectares da ilha North Brother no estreito da Nova Zelândia.

Usando as coordenadas exactas de 52 ninhos conhecidos da espécie mais rara de tuataras Sphenodon guntheri, bem como uma base de dados de propriedades do solo e da sua constante equivalente de temperatura, os investigadores simularam as alterações climáticas e analisaram o efeito sobre cada ponto específico ao longo da ilha.

Descobriram que, com base nas predições de aquecimento máximo, os tuataras, que chocam machos quando a temperatura do ninho durante o desenvolvimento dos ovos está acima de 21,5°C, serão incapazes de produzir fêmeas.

Este tipo de software pode ser usado para analisar o futuro de outros animais, como as tartarugas marinhas, cuja descendência também tem o sexo determinado pela temperatura do meio, diz Mitchell.

 

Ainda que alguns argumentem que este tipo de modelo pode levar a que se tirem conclusões excessivamente abrangentes, o colega de Mitchell na Universidade de Melbourne, Michael Kearney, considera que os dados foram devidamente testados ao prever a temperatura do solo e a razão de sexos dos ninhos naturais onde os investigadores já conheciam os resultados.

"Pedimos ao modelo que indicasse a razão dos sexos em ninhos onde sabíamos as flutuações de temperatura observadas e os resultados foram muito consistentes com o que sabíamos", diz Kearney. 

“No presente estudo, um teste de validação sugere que o modelo subestima a influência negativa do aquecimento sobre a razão dos sexos", diz Raymond Huey, biólogo da Universidade de Washington em Seattle.

Muitas vezes descritos como 'fósseis vivos', os tuataras são um réptil de clima frio que não ultrapassa o metro de comprimento. Ainda que tenha sobrevivido a idades de gelo e aquecimentos globais durante os últimos 200 milhões de anos, as rotas de fuga para climas mais frios que antes estiveram disponíveis agora não existem.

"Em relação ao passado, actualmente o tuatara tem poucos locais para onde fugir, quanto mais não seja porque a sua inércia genética é agora elevada. Para além disso, enfrentam uma taxa de alteração de temperatura que não tem precedentes nos últimos 50 milhões de anos", diz Huey.

Então que esperança resta ao tuatara? A sua maior hipótese de sobrevivência pode literalmente vir de nós o taparmos, diz Mitchell.

"Podemos colocar sombras sobre os ninhos para efectivamente voltar a alterar a razão dos sexos a 1:1 mesmo que o planeta aqueça, ou começar a transportá-los para locais mais adequados", acrescenta Mitchell. "Já estão a acontecer deslocações para o continente e agora temos uma ferramenta para identificar as localizações que irão produzir razões entre os sexos mais favoráveis." 

 

 

Saber mais:

A rápida evolução do tuatara

 

 

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