2008-06-29

Subject: Morte de leões associada a alterações climáticas

 

Morte de leões associada a alterações climáticas

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

Secas e chuvas torrenciais exacerbadas pelas alterações climáticas permitiram que duas doenças convergissem de forma a dizimar grande número de leões africanos nos anos de 1994 e 2001, revela um estudo agora conhecido.

Os leões sobrevivem regularmente a surtos de raiva canina e a infestações de um parasita sanguíneo transportado por carraças conhecido por Babesia

Estas doenças normalmente ocorrem separadamente mas em 1994 e 2001 uma 'tempestade perfeita' de seca extrema seguida de fortes chuvas sazonais formaram as condições ideais para a convergência das duas doenças, de acordo com o estudo.

O efeito foi letal: as infecções sincronizadas dizimaram um terço da população de leões do Serengeti em 1994 e a população da vizinha cratera de Ngorongoro sofreu perdas semelhantes em 2001.

"Já era bem conhecido que as mortandades podiam ser desencadeadas por secas ou cheias", explica Craig Packer, ecologista da Universidade do Minnesota em St. Paul. "Mas nós fomos capazes de identificar os componentes que interagem nesta co-infecção letal de uma forma que nunca tinha sido considerada."

Packer e os seus colegas passaram a pente fino mais de 30 anos de dados sobre as populações de leões para determinar as complexas combinações de factores que causavam as mortandades em massa.

Descobriram que pelo menos cinco surtos de raiva tinham corrido as populações de leões sem grandes impacto. As duas mortandades, que também estavam associadas a surtos de raiva, tinham sido precedidas por períodos de seca extrema.

Continuando a sua análise, os investigadores descobriram que as secas tinham enfraquecido as presas do leões, incluindo o búfalo do Cabo. Quanto as chuvas reapareceram, as carraças transportadoras de Babesia emergiram em massa e proliferaram nos seus hospedeiros búfalos, levando muitos à morte.

Obviamente os leões banquetearam-se com os búfalos enfraquecidos e infestados de parasitas, o que deixou os predadores com concentrações sanguíneas anormalmente altas de Babesia. O subsequente surto de raiva acabou por ser letal.

 

"A raiva é imunossupressora, funciona como um ataque curto mas intenso de SIDA, logo intensifica fortemente os efeitos do Babesia", diz Packer. Esta co-infecção ou sincronização das doenças foi a causa das mortandades observadas, conclui ele.

Sonia Altizer é uma ecologista que estuda doenças da fauna selvagem na Universidade da Georgia em Athens. Não participou neste estudo mas considera-o o mais avançado no campo: "Demonstra como uma anomalia climática pode permitir uma combinação de agentes patogénicos que formem uma combinação letal."

Packer alerta para o facto de se as alterações climáticas continuarem a produzir mais anomalias climáticas extremas, as infecções sincronizadas potencialmente fatais devem tornar-se cada vez mais comuns. "Muitas doenças misteriosas, como o declínio das colónias de abelhas devem ser o resultado de co-infecções."

Altizer diz que a investigação vem somar-se a um número crescente de provas que demonstram que os episódios climáticos extremos podem ter impactos importantes na propagação de doenças infecciosas.

Dado que co-infecções mais mortíferas devem aumentar, ela considera que os investigadores têm que rever as formas de tratamento, tanto da vida selvagem como do Homem. "Compreender o mecanismo pelo qual os animais estão a morrer ou a contrair doenças é fundamental para alterarmos as formas de nos prevenirmos."

No caso dos leões, salienta Packer, os gestores da fauna selvagem podem ser capazes de proteger melhor as populações ao reduzir a carga de carraças imediatamente a seguir a uma seca do que tentar controlar a raiva. 

 

 

Saber mais:

Aquecimento global está a alterar milhares de sistemas naturais

Alterações climáticas subestimadas?

Biodiversidade está a desaparecer

Alarmante perda de leões em África

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com