2008-06-27

Subject: Como andar na água

 

Como andar na água

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

Alguns caracóis aquáticos têm uma forma verdadeiramente extraordinária de se deslocar: rastejam de cabeça para baixo na superfície da água.

Agora, uma equipa de investigadores americanos pode ter sido capaz de perceber como o fazem.

À partida, o movimento dos caracóis parece quase impossível: como podem eles arrastar-se através de uma superfície fluida à qual não se podem realmente agarrar?

Mas Eric Lauga, da Universidade da Califórnia, San Diego, diz que ao criar pequenas ondulações na superfície, os caracóis aquáticos transformam-na em algo que realmente lhes oferece 'terreno firme'.

A questão de como os caracóis se deslocam tem vindo a ser estudada pelo menos há um século mas só relativamente recentemente surgiu alguma compreensão sobre ela.

Para os caracóis terrestres, o segredo é viscoso: o trilho de muco é pegajoso mas flui como um líquido se por pressionado acima de um certo nível. Por isso, à medida que o pé do caracol o pressiona, o muco oferece aderência a algumas zonas e lubrifica o movimento de outras zonas.

Mas este mecanismo precisa de uma superfície sólida a que o caracol possa aderir, não funciona na água. No entanto, alguns caracóis marinhos ou de água doce deslizam 'pendurados' na superfície da água enquanto segregam um rasto de muco. Como pode possível?

Lauga estudou o caracol de água doce comum Sorbeoconcha physidae,  que se desloca à respeitável velocidade (em termos de gastrópodes) de 0,2 cm por segundo. Os caracóis obtêm flutuabilidade aprisionando ar no interior da concha.

O pé do caracol enruga-se em pequenas ondas com o comprimento de onda de cerca de um milímetro, o que produz ondas correspondentes na superfície do muco que segrega entre o pé e o ar. Mas como a tensão superficial restringe a deformação do muco, a forma da sua superfície de topo (a que está em contacto com o ar) não é exactamente simétrica à de baixo (em contacto com o pé). De facto, partes do filme de muco são comprimidas e outras são esticadas, criando uma diferença de pressão que empurra o pé para a frente.

 

Os investigadores pensam que a sua teoria, descrita num artigo que será publicado em breve na revista Physics of Fluids, oferece apenas o início de uma resposta completa. Também pode depender das formas complexas como o muco flui quando comprimido, por exemplo.

Nem todos os caracóis se deslocam desta forma, diz a colega de Lauga, Anette Hosoi, do Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge, Massachusetts. Muitos impulsionam-se com a ajuda de filas de pequenos apêndices tipo pêlo, chamados cílios. Outros simplesmente nadam debaixo de água ou rastejam pelo fundo.

Os investigadores suspeitam que, tal como esclarecer um puzzle biológico, as descobertas podem apontar para um novo método de propulsão. Hosoi já copiou o método de propulsão adesivo/lubrificante dos caracóis terrestres para um dispositivo robótico. Agora pode ser possível construir dispositivos semelhantes que andem na água, ainda que Hosoi considere que será necessário grande rigor no controlo da flutuabilidade.

O 'caracol artificial' inicial foi construído por pura curiosidade mas Hosoi diz que uma vez dado a conhecer "as pessoas apareciam de todo lado": foram abordados por pessoal das petrolíferas e da investigação médica, entre muitos outros.

Por isso, ela suspeita que se tiverem sucesso na construção de um caracol aquático sintético "devemos voltar a ouvir da indústria". 

 

 

Saber mais:

Lauga lab

A lenda do caracol voador

Caracóis cultivam os seus próprios fungos

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com