2008-06-23

Subject: Mercado negro de tigres associado a templo tailandês

 

Mercado negro de tigres associado a templo tailandês

 

 

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Estamos na parte mais quente do dia num mosteiro na floresta do oeste da Tailândia e os turistas são levados a fazer festas a tigres acorrentados e domesticados enquanto sorriem para a câmara.

Todos os dias neste invulgar 'templo dos tigres' 800 turistas pagam 300 baht tailandeses (cerca de € 8) pela oportunidade de interagir com estes felinos ameaçados de extinção. Os tigres, muitos dos quais nascidos no templo, vivem lado a lado com os monges e voluntários no que auto-intitulam "uma maravilhosa mistura de Budismo e conservação".

Ainda que o remoto mosteiro perto da fronteira com a Birmânia seja considerado uma atracção por alguns turistas, é o que o público não vê que desencadeou um coro crescente de protesto de grupos nacionais e internacionais de conservação, numa tentativa de chamar a atenção para a má prática conservacionista do local.

Não só o templo está a falhar na protecção do cada vez menor efectivo de tigres, como apregoa, como, revela um relatório publicado pela organização inglesa de conservação Care for the Wild International (CWI), tem vindo a comercializar ilegalmente animais com uma quinta de tigres do vizinho Laos.

"O que nos parece importante é que as pessoas saibam que isto não é conservação, estão a ser enganadas. Isto é exploração da vida selvagem", diz Guna Subramaniam, directo para o sudoeste asiático da CWI.

A CWI conduziu a sua investigação entre 2005 e 2008 com a ajuda de pessoas que se alistaram como voluntários no templo. Subramaniam também visitou o mosteiro em 2006 e 2007. Pelo contrário, o pessoal do mosteiro desmente qualquer envolvimento no comércio ilegal.

O líder do templo, Pra Achan Bhusit Chan Khantitharo, começou a recolher tigres abandonados e órfãos em 1999, de acordo com a literatura própria. Dar ou abandonar animais indesejados nos templos é uma prática budista comum, que os ofertantes consideram trazer bom karma, diz Subramaniam.

Logo depois de o templo abrir as portas ao turismo em 2000, os monges começaram a criar tigres, existindo agora 16 animais nas suas instalações.

Os monges dizem que os dólares dos turistas e as doações no site da Internet são encaminhadas para o retorno dos felinos às florestas da Tailândia, onde o seu número está reduzido a 250 a 500. No mundo inteiro restam menos de 4 mil tigres selvagens, segundo o WWF.

"Queremos tornar-nos a primeira instalação para tigres do mundo, ninguém será capaz de competir connosco", diz Rodrigo Gonzalez, tratador de tigres que vive no templo desde 2002.

Mas o relatório diz que os monges prestam muito pouco atenção à conservação e, pelo contrário, estão a comercializar ilegalmente tigres com uma quinta de tigres no Laos, diz Subramaniam. As quintas de tigres estão a fazer explodir o mercado negro de partes ilegais de tigres, como pénis ou ossos, usados na medicina tradicional chinesa.

Os investigadores responsáveis pelo relatório descobriram que os novos tigres trazidos para o templo recebem muitas vezes o mesmo nome que os que os que saem, ou seja, os animais são substituídos. Em particular, os tigres macho mais velhos são trocados por fêmeas jovens, possivelmente porque os machos se tornam menos manobráveis à medida que envelhecem.

O relatório da CWI também descobriu que ainda que a primeira cria possa ter sido doada legitimamente, as restantes foram compradas numa quinta de tigres. Um acordo de 2005, assinado por um dono de uma quinta de tigres do Laos e pelo líder do templo, adquirido pela CWI, descreve o objectivo das trocas de animais como "conservação".

No entanto, de acordo com o tratado internacional sobre o comércio de vida selvagem CITES, exportar ou importar tigres é ilegal a não ser que tenham sido emitidas licenças adequadas a uma instituição científica com um objectivo definido de conservação.

 

Não há qualquer evidência da existência de uma licença desse tipo para o templo, revela o relatório. O governo tailandês considera-o um santuário temporário para animais, não uma instituição de conservação.

Samart Sumanochitraporn é o director do Gabinete de Conservação da Vida Selvagem da Tailândia e refere que o governo, que por lei é o dono dos animais do templo, "está a considerar o futuro dos animais selvagens do templo sendo o mais importante a sua segurança e bem-estar. Por enquanto vão permanecer no templo, antes de serem transferidos."

Quanto ao comércio ilegal, Samart diz que "não existe confirmação de que o templo esteja envolvido em actividades ilegais com tigres".

Gonzales considera, por seu lado, que a abertura do templo budista o tornou um alvo fácil das críticas dos conservacionistas. "Se as pessoas querem implicar com o comércio de partes de tigres e sua exploração, vão para a China. Estamos a tentar fazer algo positivo aqui e se os grupos conservacionistas não percebem, azar deles."

Edwin Wiek lidera o grupo de salvamento de animais Wildlife Friends da Tailândia e refere: "Fiquei chocado ao ver que eles exibem os tigres como se tivessem sido salvos na natureza, o que não é verdade, são animais criados numa quinta."

Fiona Patchett, foi voluntária no templo entre 2005 e 2006, e testemunhou a troca de uma cria no templo, incluindo a assinatura de um contrato. O pessoal do templo disse-lhe que a cria provinha de uma quinta no Laos. Ela pensou que a troca era legítima e que haveria autorizações mas descobriu que não era assim. Durante a sua estadia, seis ou sete tigres desapareceram sem explicações.

Os tigres permanecem em jaulas 21 horas por dia e são muitas vezes maltratados pelo pessoal do templo, diz Patchett. Estes abusos são mencionados no relatório mas não houve provas de que os tigres sejam drogados para serem dóceis, algo que alguns visitantes consideraram.

O templo também está a procriar tigres sem atenção à sua subespécie, originando híbridos e negando o objectivo da conservação, concordam os peritos. Mas Gonzalez, que como a maioria dos voluntários não tem qualquer experiência de conservação, diz que o templo apenas pretende conservar o tigre de modo geral.

A alegação de criar o maior santuário de tigres do mundo e ensinar os felinos a caçar para os libertar na natureza também é irrealista, dizem os peritos. Nenhum tigre criado em cativeiro alguma vez foi reintroduzido com sucesso, diz Mahendra Shrestha, director do Save the Tiger Fund.

Em última análise, o foco deve ser conservar os tigres que restam na natureza, diz Wiek. "Ainda existem populações protegidas e sustentáveis. Ainda temos hipótese de ter um futuro e isso é que importa, não tigres em jaulas que não são subespécies puras."

Wiek e outros conservacionistas estão preocupados com o facto de o poder do budismo poder induzir em erro os turistas de forma a que pensem que estão a salvar tigres. "Pagar US$ 30 por uma fotografia com um tigre domesticado não passa de um lucrativo número de circo, nada mais." 

 

 

Saber mais:

Templo dos Tigres

Harrison Ford Endorses New Global Tiger Initiative

Save the Tiger Fund - Mahendra Shrestha

Care for the Wild International

Wildlife Friends of Thailand

 

 

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