2008-06-20

Subject: Agricultores quenianos matam leões com insecticida

 

Agricultores quenianos matam leões com insecticida

 

 

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Ambientalistas no Quénia estão preocupados com o facto de um insecticida estar a ser usado pelos agricultores para matar leões e outros predadores. 

O carbofurano é um insecticida muito poderoso e tóxico, quando espalhado no solo não só destrói a fauna subterrânea, como é absorvido pelas plantas e mata também os insectos que se alimentam de folhas ou seiva. Por ser tão potente e tóxico já foi proibida a sua utilização na Europa e nos Estados Unidos não pode ser usado em forma granular, estando proposta a sua proibição total pela US Environmental Protection Agency.

No Quénia, no entanto, o carbofurano pode ser comprado em qualquer drogaria sem qualquer restrição.

De acordo com o famoso naturalista Richard Leakey, o insecticida está a ser comprado não por agricultores que querem controlar pragas mas principalmente por pastores que o utilizam para matar leões, leopardos e outros predadores.

Entre os últimos incidentes dois leões foram envenenados e mortos na Reserva de Maasai Mara depois de terem comido a carcaça de um hipopótamo que tinha ingerido carbofurano. Veterinários e guardas da vida selvagem fora chamados para observar a visão patética dos leões aos tropeções, enfraquecidos pelos efeitos do veneno (veja a reportagem da BBC aqui).

Um dos leões acabou por ser abatido para acabar rapidamente com o seu sofrimento e outro acabou por morrer há alguns meses de envenenamento com carbofurano num rancho privado em Laikipia.

Em Novembro do ano passado, um camelo morto foi aparentemente contaminado com carbofurano perto da Reserva da Vida Selvagem de Lewa. O resultado foi a morte de pelo menos dois leões e 15 abutres que se banquetearam com a carcaça. 

Também perto de Lewa, diversos leões da Reserva de Vida Selvagem de Samburu foram envenenados e novamente se pensa que o carbofurano é o responsável. Há muitos outros casos de predadores quenianos que morrem depois de comerem carne contaminada com este químico.

Leakey diz que o carbofurano é "mortalmente venenoso" e tem vindo a apelar à sua proibição no Quénia. "Já ficou conhecido nas comunidades rurais do Quénia como uma forma de nos vermos livres de predadores, como leões, leopardos e hienas", diz ele.

Leakey refere que a sua investigação mostra que o Furadan, o nome comercial do insecticida à base de carbofurano que mais vende no Quénia, está a ser comprado não pelos agricultores mas por pastores que não têm quaisquer terras de cultivo e utilizam o químico para matar leões e leopardos que ameaçam as suas manadas.

Não há registo do número de predadores mortos por envenenamento no Quénia mas muitos naturalistas acreditam que o carbofurano é responsável por milhares de mortes e não apenas entre felinos mas também todos os necrófagos.

Simon Thomsett, perito mundial em abutres, águias e outras aves de rapina, diz que há uma "queda dramática no número de aves de rapina nos últimos anos" e o dedo da culpa está a ser apontado ao carbofurano.

Ele dá um exemplo de 187 abutres que morreram quando se alimentaram de uma carcaça aparentemente contaminada com o veneno mortal na zona do rio Athi.

 

Simon Thomsett diz que o veneno não pode ser detectado quando é pulverizado sobre a carcaça e age de forma extremamente rápida. "Eu literalmente vi os abutres a cair do céu apenas alguns minutos depois de terem comido a carne envenenada."

O carbofurano vem em forma de grãos muitos finos de cor púrpura, sendo encontrado em todos os mercados agrícolas da capital, Nairobi, sendo muito fácil de encontrar.

Em várias lojas diz-se que não representa ameaça para animais e humanos, "é perfeitamente seguro", dizem. Outros alertam que é venenoso e alguns chegam a descrever o carbofurano como "matador de leões".

O recipiente alerta que deve ser mantido "fechado e mantido fora do alcance de crianças" mas o rótulo não menciona nada acerca da ameaça para a vida selvagem.

O Painel de Produtos e Controlo de Pragas do Quénia está a investigar a toxicidade e o perigo do carbofurano e considera que é demasiado cedo para se chegar a alguma conclusão mas Leakey diz que as evidências estão à vista.

As suas preocupações são partilhadas por Thomas Manyibe, veterinário do Serviço de Vida Selvagem do Quénia que realiza os testes post-mortem nos leões que foram mortos no Masai Mara. Ele considera que o carbofurano está a ser usado para matar leões e leopardos.

Na orla do Maasai Mara um jovem pastor, Ndigwa, diz que perdeu muitas vacas para os leões e os leopardos mas que ainda assim nunca recorreria a veneno para se vingar dos predadores.

O carbofurano surge de uma série de fornecedores internacionais mas o principal produtor é a americana FMC Corporation. A companhia refere num comunicado: "Levamos muito a sério o seguimento dos nossos produtos e condenamos qualquer utilização inadequada intencional como isco do carbofurano. A FMC está muito preocupada com os relatórios da utilização do carbofurano (Furadan) estar a ser usado como isco para leões no Quénia e oferecemos os nossos serviços às autoridades quenianas na sua investigação."

Mas a preocupação com a utilização do carbofurano não é nova.

Há quinze anos ocorreram vários casos de mortes em massa de aves no oeste do Quénia mas continua a faltar um registo rigoroso dos predadores mortos por envenenamento. Há muitas evidências circunstanciais mas poucos factos concretos. Informação detalhada é difícil de obter, os animais envenenados desaparecem no mato para morrer e as provas são frequentemente devoradas por outros carnívoros. 

 

 

Saber mais:

Reportagem BBC sobre o envenenamento da fauna selvagem no Quénia

Peritos pedem ajuda para as aves de rapina

Droga veterinária mata abutres indianos

 

 

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