2008-06-19

Subject: A essência da felicidade

 

A essência da felicidade

 

 

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Porque será que receber o salário nos faz sentir bem? Não se pode comer dinheiro nem ele pode ter os nossos filhos, logo porque será que o 'tlim-tlim' é um som tão agradável?

Trabalhando com ratos, neurocientistas ficaram a conhecer a forma como o cérebro retira prazer de recompensas abstractas.

Os animais, sugerem eles, têm um sistema de recompensa que se foca em resultados específicos (o que uma acção pode alcançar) que, por sua vez, se liga a um sistema mais geral que nos diz o que nos faz sentir bem.

Compreender como estes dois sistemas interagem pode-nos ajudar a compreender o que acontece quando eles não funcionam, como a dependência de drogas ou em falhanços genéricos da vontade. Os resultados desta investigação foram publicados na última edição da revista Nature.

É complicado explicar o motivo porque as pessoas trabalham para obter coisas que não são intrinsecamente gratificante, diz o neurocientista Geoffrey Schoenbaum, da Universidade de Maryland em Baltimore. “As pessoas normalmente não trabalham para as recompensas primárias, como o alimento ou o sexo, mas para recompensas por procuração, como o dinheiro."

Para além disso, diz ele, as pessoas são capazes de planear o seu comportamento com objectivos distantes em mente: “Trabalhamos com muito mais afinco quando queremos uma certa coisa, como um carro novo, por exemplo."

Separar os sistemas cognitivo (orientado por objectivos) e geral (emocional) é difícil, pois alcançar o nosso objectivo faz-nos felizes. Schoenbaum e os seus colegas conseguiram-no usando uma variação engenhosa das experiências clássicas de condicionamento pavloviano.

Primeiro, os investigadores ensinaram ratos a associar uma luz com uma pastilha açucarada de sabor a uva e uma luz diferente a uma pastilha com sabor a banana. Este condicionamento torna as luzes gratificantes só por si, os animais vão trabalhar para receber a dica da luz, mesmo que não recebam uma pastilha.

Seguidamente, a equipa tocou sons juntamente com as luzes. A luz 'uva' em conjunto com o som ainda resultava numa pastilha, logo os ratos tinham tendência para ignorar a informação extra e não aprendiam a associar o som ao alimento.

Mas a luz 'banana' em conjunto com o som produzia uma recompensa diferente, uma pastilha com sabor a uva. Por isso, neste caso, o som acrescenta informação. A luz significa que algo saboroso vem lá e o som diz-nos que sabor terá.

Os ratos gostam igualmente dos dois sabores, uva e banana, logo o som não diz nada acerca do valor da guloseima, apenas o seu detalhe.

Seguidamente, a equipa seguidamente testou ratos apenas com sons e luzes. Os animais, descobriram eles, pressionavam uma barra para obter tanto a luz ou o som por si só, mesmo que as pastilhas não se seguissem. A recompensa genérica da guloseima e a propriedade abstracta do seu sabor eram motivações igualmente fortes.

 

Mas ratos com danos numa área cerebral conhecida como o córtex órbito-frontal, que se pensa estar envolvido na tomada de decisões, trabalhavam para ver a luz associada à guloseima mas não para ouvir o som associado à uva. Ou seja, trabalhavam para obter uma dica associada a emoções positivas mas não para uma associada a um resultado específico.

É um pouco como separar a expressão do Homer Simpson “Mmm… donuts” em duas componentes, a expressão genérica de prazer “Mmm” e o objecto específico do seu desejo "donuts", e descobrir quais as regiões do cérebro responsáveis por cada um destes pensamentos.

“É uma experiência verdadeiramente brilhante”, diz Trevor Robbins, neurocientista da Universidade de Cambridge, Reino Unido. “É uma dissecação muito inteligente dos mecanismos de aprendizagem através dos quais os estímulos são associados às recompensas se tornam, eles próprios, recompensas."

Schoenbaum sugere que o córtex órbito-frontal, que se localiza logo acima dos olhos, é lar do sistema cognitivo de recompensa do cérebro. Funciona prevendo o valor de diferentes comportamentos, aprende quais os que são, em última análise, compensadores e desencadeia a correspondente resposta emocional.

Normalmente os dois sistemas originam a mesma 'resposta' mas o córtex órbito-frontal também pode actuar como uma espécie de polícia, diz Schoenbaum, anulando a perseguição da gratificação imediata a favor de objectivos a longo prazo.

Por vezes, no entanto, as dicas sobrepõem-se aos objectivos, tal como quando a parafernália do consumo de drogas desencadeia o desejo em pessoas viciadas. “Os viciados podem ficar eufóricos só de colocar uma agulha no braço, antes mesmo de a droga chegar ao cérebro", diz Robbins. Numa forma mais suave, os nossos olhos podem ver os arcos amarelos do McDonald's e os nosso pés levam-nos ao balcão, apesar da nossa resolução em acabar com os hambúrgueres.

Schoenbaum espera encontrar nos próximos estudos as regiões cerebrais que fornecem a recompensa emocional. Em última análise, diz ele, podemos ser capazes de “manipular e corrigir” o dois sistemas quando eles se aproximam perigosamente do desequilíbrio. 

 

 

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