2008-06-18

Subject: Brincadeiras matam chimpanzés jovens

 

Brincadeiras matam chimpanzés jovens

 

 

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Para os chimpanzés jovens, a brincadeira pode ser fatal. 

Germes espalhados durante este tipo de comportamento explicam o motivo porque um grupo africano mostra surtos de mortalidade infantil que atingem picos a cada três anos, dizem peritos que os estudaram.

O primatologista Christophe Boesch e os seus colegas do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva de Leipzig, analisaram a mortalidade de um grupo de chimpanzés que vive no Parque Nacional Taï na Costa do Marfim durante mais de 20 anos. Notaram que os surtos de doenças respiratórias surgem mais ou menos a cada três anos e nos piores cerca de 20% do grupo morre.

Estes ciclos não coincidem com as flutuações de qualquer tipo de factor ambiental, como a abundância de alimento. Pelo contrário, relatam os investigadores na revista PLoS One, os chimpanzés parecem encurralados num ciclo de reprodução e doença, conduzido pelo seu próprio comportamento social.

Se perdem a sua descendência, as fêmeas apressam-se a reproduzir novamente e Boesch suspeita que um surto inicial de doença algures no passado terá morto uma grande proporção dos jovens do grupo, levando a que muitas fêmeas adultas se reproduzissem simultaneamente e fazendo surgir um grupo de jovens de idade semelhante.

Durante o seu primeiro ano, mais ou menos, os chimpanzés bebés permanecem com a mãe mas quando atingem os 18 meses tornam-se mais sociáveis. “Passam quase todo o tempo a brincar e em contacto íntimo, rebolando-se, lutando, puxando o pêlo e mordendo-se", diz Boesch.

Os jovens chimpanzés têm o máximo contacto físico de todos os grupos etários. Não são só os jovens que lutam, para além disso, pois as mães são arrastadas para as brincadeiras, o que torna um grupo de jovens ideal para a propagação de doenças, tal como nos jardins de infância humanos.

É óbvio quando o surto começa, diz Boesch: “Todos os chimpanzés adoecem no espaço de cinco dias." Os vírus respiratórios não matam os jovens mas tornam-nos susceptíveis a outras infecções, que matam. Surge, então, um grupo de fêmeas sem filhos e o ciclo recomeça.

 

As infecções respiratórias iniciais são provavelmente apanhadas a partir de humanos, as sequências genéticas dos vírus isolados dos chimpanzés são praticamente idênticas às dos que causam o mesmo tipo de doença nas pessoas.

Os investigadores agora usam máscaras cirúrgicas quando estão à vista dos chimpanzés e recomendam que os ecoturistas façam o mesmo.

O ciclo de mortalidade infantil decorre simultaneamente com um padrão geral de declínio, causado pela caça furtiva, predação de leopardos e outras doenças como o ébola ou o antraz. Há duas décadas, existiam mais de 80 adultos neste grupo e restam actualmente 25.

“Temos que ser muito cuidadosos”, diz Victoria Horner, que estuda comportamento dos chimpanzés na Universidade de Emory em Atlanta, Georgia. “Por habituarmos os grupos de chimpanzés às pessoas estamos a potencialmente colocá-los em risco."

Os santuários de chimpanzés africanos já têm o hábito de inspeccionar os boletins de vacinas dos visitantes e impedem a entrada de alguém constipado, por exemplo, mas estas precauções raramente são aplicadas ao contacto entre chimpanzés selvagens e pessoas.

Diferentes factores estão a complementar-se, diz Horner: caça furtiva e o abate de árvores aumentam o contacto entre humanos e chimpanzés e os grupos menores são mais vulneráveis a doenças. 

 

 

Saber mais:

Vírus humanos passam para primatas selvagens

Vírus tipo HIV encontrado em chimpanzés selvagens

 

 

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