2008-06-14

Subject: Descoberta associação entre autocolantes e fúria na estrada

 

Descoberta associação entre autocolantes e fúria na estrada

 

 

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Autocolantes do tipo “Faça amor, não guerra” ou “Mais árvores, menos Bush” (trocadilho com o duplo sentido da palavra 'bush' = arbusto) dizem muito acerca do dono de um veículo mas não da forma que eles esperam.

Os condutores que personalizam os seus carros com autocolantes e outros ornamentos são mais dados a fúria na estrada do que os outros, revelam investigadores do Colorado.

O número de incidentes de fúria na estrada, surtos de condução agressiva como acelerações bruscas e andar colado ao da frente ou confrontos com outros condutores, subiu dramaticamente nos últimos anos. Em 1995 a American Automobile Association revelou que 12 mil feridos e 200 mortos estavam associados à fúria na estrada nos Estados Unidos. Em 2008, estima-se que os números atinjam, respectivamente, 25 mil e 370, mesmo considerando que muitos outros incidentes, especialmente os que não conduzem a ferimentos, não são declarados.

O psicólogo William Szlemko e os seus colegas da Universidade Estatal do Colorado em Fort Collins colocaram a hipótese de as cada vez mais congestionadas estradas poderiam estar a contribuir para as reacções violentas. O volume de veículos nas estradas americanas aumentou 35% desde 1987, mas as estradas apenas aumentaram 1%.

Em humanos, como em muitas outras espécies, o sobrepovoamento provoca um aumento da agressividade territorial e a equipa suspeitou que era o que se estava a passar nas estradas.

Szlemko interrogou centenas de voluntários acerca dos seus carros e hábitos de condução. Foi pedido aos participantes que descrevessem o valor e estado do seu carro, bem como se os tinham personalizado de alguma forma.

Os investigadores registaram se as pessoas tinham coberturas de assento, autocolantes, pinturas especiais, rádios modernos ou mesmo bonecos de plástico pendurados no espelho. Também perguntaram a reacção dos participantes a situações específicas de condução.

Para impedir os participantes de compreender que a equipa estava a recolher informação sobre comportamento agressivo na condução, perguntas como “Se alguém estiver a conduzir devagar na faixa rápida até que ponto fica irritado com isso?" foram intercaladas com questões sem interesse como “Que tipo de música ouve no carro?". 

A equipa de  Szlemko usou uma escala pré-existente chamada “Utilização do veículo para expressar raiva” para diagnosticar a presença da fúria da estrada nos seus participantes.

 

As pessoas que tinham um grande número de itens personalizados nos carros tinham 16% mais probabilidade de entrar em situações de fúria na estrada, relatam os investigadores na revista Applied Social Psychology.

"O número de marcadores de território previam melhor a fúria na estrada que o valor, estado do veículo ou qualquer outra coisa que normalmente pudéssemos associar a condução agressiva", diz Szlemko. Mais ainda, basta o número de autocolantes, e não o seu conteúdo, para prever a fúria na estrada, logo "Jesus salva" é tão preocupante no carro de alguém como um "Não se metam com o Texas".

Slemko admite que não está totalmente surpreendido com os resultados. “Temos que nos lembrar que os humanos também são animais e não é realista acreditar que não devíamos ser territoriais."

Muito pouca investigação tentou antes explorar os sentimentos territoriais dos condutores acerca dos seus carros, diz o psicólogo Graham Fraine, do Gabinete de Transportes da Universidade de Queensland, Austrália. “Este estudo demonstra claramente que as pessoas defenderão efectivamente um espaço ou território a que estão apegados e personalizaram com marcas."

Szlemko sugere que esta territorialidade pode encorajar a fúria na estrada porque os condutores estão simultaneamente num espaço privado (o carro) e num público (a estrada). “Penso que eles esquecem que a estrada pública não lhes pertence e exibem comportamento territorial que normalmente apenas seria aceitável no espaço pessoal."

Ainda que a descoberta provavelmente vá ajudar os psicólogos a identificar e potencialmente prevenir a fúria na estrada, a descoberta pode ser aplicada a outras situações. "Estou curioso para ver se há correlação entre marcar outro tipo de territórios e outras formas de comportamento agressivo", diz o psicólogo William Wozniak, da Universidade do Nebrasca em Kearney. 

 

 

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