2008-06-07

Subject: Bactérias podem parar fungo assassino de anfíbios

 

Bactérias podem parar fungo assassino de anfíbios

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

anfíbios infectados andam curvados @ Forrest Brem / Roberto BrenesA doença que está a devastar as populações de anfíbios por todo o mundo pode ser combatida com a ajuda de uma bactéria amiga, sugere um estudo agora publicado.

Os cientistas descobriram que certos tipos de bactérias, que vivem naturalmente sobre a pele dos anfíbios, produzem substâncias químicas que atacam os fungos causadores da doença. Resultados recentes indicam que a bactéria ajuda as rãs a sobreviver à infecção fúngica.

O fungo quitrídio é a principal causa do declínio global que está a levar um terço das espécies de anfíbios à beira da extinção mas as últimas descobertas, relatadas no Encontro da Sociedade Americana de Microbiologia em Boston, pode dar aos conservacionistas uma arma para combater a praga.

Reid Harris descobriu que trata a rã da montanha de patas amarelas Rana muscosa com doses extra de bactérias reduzia a perda de peso associada aos ataques de fungos, parecendo manter o animal vivo mais tempo. "No grupo que expusemos ao quitrídio, cerca de 50% a 60% morreram mas no grupo a que acrescentámos bactérias Janthinobacterium lividum, nenhum morreu e já passaram 140 dias."

A rã da montanha de patas amarelas da Sierra Nevada no oeste americano está classificada como criticamente ameaçada, tendo o seu efectivo caído 80% nos últimos 15 anos.

O fungo aquático Batrachochytrium dendrobatidis emergiu como a principal ameaça para os anfíbios na última década e os conservacionistas ficaram desesperadamente em busca de uma forma de conter a sua aparentemente inexorável propagação através do globo.

Mas ainda que tenha devastado muitas espécies, algumas parecem ter uma capacidade inata para resistir à infecção. Mesmo em espécies que de modo geral sucumbem, uma ou outra população sobrevive.

O que dá imunidade a essas comunidades não é claro mas uma possível resposta pode ser, como descobriu Harris, bactérias como as do género Janthinobacterium, que vivem naturalmente sobre a pele dos animais.

Experiências laboratoriais anteriores, também envolvendo a salamandra de dorso vermelho Plethodon cinereus, mostraram que as bactérias produzem químicos capazes de atacar o fungo. "Detectámos metabolitos anti-quitrídio na própria pele, em concentrações suficientemente altas para matar o fungo. Uma das nossas hipóteses é que a bactéria viva numa espécie de simbiose defensiva com as rãs e as salamandras."

Outra evidência surgiu do facto de os anfíbios de colónias que sobrevivem à passagem do fungo terem tendência para ter altas concentrações de bactérias.

 

Tudo isto levanta a óbvia questão do porquê, se as bactérias são protectoras, que não estão presentes em número suficientemente elevado em todas as colónias, e se algum outro factor (talvez a perda de habitat, poluição ou rápidas alterações climáticas) pode reduzir a carga de bactérias, abrindo caminho para o ataque do fungo. Em Espanha, cientistas descobriram que a subida das temperaturas parece aumentar a vulnerabilidade dos anfíbios à infecção.

Seja qual for a história, as descobertas contêm a promessa de que as bactérias possam ser usadas na natureza como defesa contra o quitrídio.

"É extremamente entusiasmante porque os outros tratamentos têm grandes problemas", comenta Don Church, cientista da Conservation International e director superior do Grupo de Avaliação de Anfíbios em todo o mundo. "O método clássico de tratamento com fungicida deixa os animais receptivos a uma nova infecção, o que não é solução para usar na natureza. Só funciona com animais que possam ser mantidos isolados ou em quarentena."

Church defende mais investigação sobre os anfíbios que sobrevivem ao ataque do quitrídio para que se possa catalogar outras variedades de bactérias defensivas que existam e para não se correr o risco de provocar calamidades com a introdução de espécies, como já tantas vezes aconteceu.

"Num animal como Rana muscosa, em que as rãs ficam mais ou menos todo o ano no mesmo lago, poder-se-ia adicionar as bactérias ao solo ou à água e evitar a infecção. É mais complicado de ver como se poderia actuar na floresta tropical."

Espalhar bactérias em lagos e no solo pode parecer uma estratégia arriscada mas a situação é tão crítica que há uns anos os especialistas em anfíbios referiram que a única solução para algumas espécies era recolher os últimos espécimes para programas de reprodução em cativeiro na esperança de que pudessem ser reintroduzidas na natureza no futuro.

Ainda assim, a defesa contra o fungo quitrídio não irá, por si só, parar o alarmante declínio dos anfíbios que também estão ameaçados pela perda de habitat, poluição, alterações climáticas, doenças virais, caça e predadores introduzidos. 

 

 

Saber mais:

Conservation International

Global Amphibian Assessment

Último aceno da rã dourada

Esperança para anfíbios com descoberta sobre fungo assassino

Probióticos podem ajudar anfíbios

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com