2008-06-02

Subject: Mutações podem fazer humanos andar sobre os quatro membros

 

Mutações podem fazer humanos andar sobre os quatro membros

 

 

Dificuldades em visualizar este email?

Consulte-o online!

Um gene mutado pode desempenhar um papel numa situação rara em que humanos andam nos quatro membros , dizem os investigadores. 

Mas exactamente de que forma mutações neste gene podem impedir as pessoas de andar erectas permanece tema de aceso debate.

A existência de humanos quadrúpedes foi publicitada pela primeira vez em 2006 num documentário passado na televisão inglesa sobre uma família turca em que vários adultos andavam sobre os quatro membros. Os que andavam desta forma invulgar também apresentavam atraso mental e falta de equilíbrio.

Desde a emissão, surgiram outros com o mesmo problema, incluindo uma família no Brasil e outra no Iraque. Os indivíduos afectados deslocam-se com o que habitualmente se intitula como 'andar de urso': apoiando o peso nos pulsos, mantendo as pernas direitas e o traseiro levantado.

Um investigador, Uner Tan, da Universidade de Çukurova em Adana, Turquia , alegou de forma altamente controversa que os quadrúpedes tinham revertido para um estado evolutivo anterior aquele em que os humanos andavam erectos. Baptizou a condição ‘devolução', ou seja, evolução em sentido inverso. Por esse raciocínio, a família turca podia conter mutações em genes que permitem aos humanos andar erectos e descobrir esses genes iria permitir aos investigadores localizar um evento importante na evolução humana.

Mas outros investigadores denunciaram essa interpretação. “Era uma alegação absurda", diz o psicólogo Nicholas Humphrey, da Escola Londrina de Economia, que também estudou a situação. “Não fazia nenhum sentido nem em termos genéticos nem evolutivos." Pelo contrário, Humphrey considera que as famílias têm problemas mais gerais com o equilíbrio e andam sobre os quatro membros porque não receberam tratamento atempado. Se um paciente receber um andarilho, diz ele, é capaz de andar erecto.

Ontem, no encontro de Barcelona da Sociedade Europeia de Genética Humana, investigadores apresentaram o isolamento do gene que é afectado em algumas das famílias quadrúpedes. Tayfun Özçelik, da Universidade de Bilkent em Ancara, Turquia e que publicou as suas descobertas pela primeira vez em Março, analisou quatro famílias turcas.

Ele descobriu que os indivíduos quadrúpedes em duas das famílias apresentam uma mutação no gene VLDLR, que codifica uma proteína conhecida por receptor lipo-proteico de muito baixa densidade, necessária a um desenvolvimento neural adequado.

 

Özçelik não apoia o conceito da 'devolução' mas considera que a proteína do VLDLR deve ser especificamente importante para a capacidade de andar erecto. No entanto, nem todos concordam: a publicação das suas descobertas na revista Proceedings of the National Academy of Sciences USA levaram a duas cartas, publicadas na semana passada, contestando a sua alegação. Ambas referem que as mutações do gene VLDLR produzem um efeito mais genérico no desenvolvimento cerebral, particularmente na região do cerebelo, o centro do controlo motor.

“Descobrimos mutações em genes que estão envolvidos no desenvolvimento do cerebelo mas o que causam é um subdesenvolvimento não específico", diz Humphrey, que também localizou o gene VLDLR em alguns dos pacientes quadrúpedes. “Não se trata necessariamente da parte do cerebelo relacionada com o andar. Pode ser apenas a capacidade de permanecer de pé e em equilíbrio."

Mas Özçelik contrapõe que existem dúzias de síndromas conhecidos que afectam o sentido do equilíbrio e no entanto nenhum resulta num comportamento quadrúpede. Ele também salienta que várias das famílias procuraram ajuda médica, uma delas tendo visitado mais de 10 médicos. Um andarilho por vezes ajuda mas os pacientes rapidamente os descartam e voltam a andar sobre os quatro membros.

Entretanto, análise genética sugere que o síndroma não está limitado a mutações no VLDLR. O andar quadrúpede está associado a diferentes cromossomas em algumas famílias e um dos membros da família turca tem a mutação no VLDLR mas consegue andar erecto, ainda que com um gingar ligeiramente bêbado. Isto, diz Özçelik, indica que o VLDLR é apenas um de uma série de genes que são importantes para o andar bípede. 

 

 

Saber mais:

Tayfun Özçelik

Nicholas Humphrey

Como as mulheres até se dobram para trás pelos seus bebés

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com