2008-05-26

Subject: O relógio biológico do estômago

O relógio biológico do estômago

 

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O nosso estômago pode realmente tem vontade própria. Uma minúscula área do cérebro pode alterar os ritmos de sono para acompanhar a hora das refeições.

Há muito que se sabe que os organismos nocturnos como os ratos ou os morcegos alteram os seus ritmos de sono se o alimento apenas está disponível durante o dia mas descobrir que partes do cérebro são responsáveis por essa alteração tem-se revelado difícil.

Num artigo publicado na revista Science, uma equipa liderada por Clifford Saper da Escola Médica de Harvard em Boston, Massachusetts, sugere que descobriram a região do cérebro responsável pelo ajustamento no ritmo de sono, um grupo de células conhecidas como núcleo médio-dorsal hipotalâmico (DMH). Esta região fica próximo da zona do cérebro que gere as respostas circadianas normais à luz e à escuridão.

O estudo demonstra que ratos a quem falta um gene que actua sobre o DMH não se ajustam a alterações no horário de alimentação. Quando o gene volta a ser activado, o comportamento é restaurado.

Mas alguns investigadores deste campo têm sérias preocupações com este trabalho. “À primeira vista e com base nele, pode-se quase concluir que o DMH é que determina o passo aqui mas debaixo da superfície há pessoas que discordam fortemente", diz o neurocientista Masashi Yanagisawa, do Centro Médico do Sudoeste da Universidade do Texas em Dallas, que não participou no trabalho.

Os resultados do estudo entram em conflito com outras investigações que indicavam que o DMH não tinha nenhum papel especial e que os ritmos circadianos relacionados com os alimentos persistiam mesmo depois de o DMH ter sido desactivado. A região cerebral responsável pelos ritmos relacionados com a comida pode muito bem continuar a escapar-nos.

Para investigar o papel do DMH, Saper e os seus colegas analisaram ratos a quem faltava um gene associado ao relógio biológico conhecido por Bmal1. Eles observaram que os ratos sem este gene dormiam intermitentemente e não pareciam seguir qualquer tipo de horário regular, um sinal de que o seu relógio circadiano já não estava a funcionar.

Para testar a capacidade dos ratos em alterar o seu ritmo de sono de forma a coincidirem com a altura das refeições, os investigadores deixaram de fornecer alimento à noite e restringiram as refeições a um curto período de quatro horas durante o dia. Os ratos normais foram capazes de alterar o seu ritmo de sono quase imediatamente mas os ratos sem Bmal1 não.

Injectando um vírus contendo o gene no DMH pareceu restaurar a capacidade dos ratos em alterar o seu ritmo de sono para se adequar ao ritmo de refeições.

 

"Potencialmente temos aqui benefícios substanciais para as pessoas", diz Saper, que antecipa que mais trabalhos sobre o tema ajudem a produzir medicamentos que alterem rapidamente os padrões de sono em humanos. Esses medicamentos podiam ajudar as pessoas a ajustar-se ao jet lag, um processo que frequentemente demora dias.

Os resultados vêm na sequência de trabalhos anteriores de Yanagisawa que mostraram oscilações no DMH apenas quando as condições de alimentação eram restringidas, sugerindo que um período de jejum seguido de um refeição invulgar pode levar o DMH a sobrepor-se ao relógio circadiano principal e alterar o ritmo de sono.

Mas implicar que o DMH é o relógio do alimento depende de medir a 'antecipação do alimento', factores como a temperatura corporal ou o aumento do movimento que assinalam alterações metabólicas que surgem antes de uma refeição.

Alguns grupos que desactivaram o DMH ao criar uma lesão não observaram alterações neste comportamento, indicando que outras partes do cérebro podem ser responsáveis pela mudança de ritmos. Na conferência da Sociedade de Investigação dos Ritmos Biológicos que decorre esta semana, outros investigadores relatam que os ratos deficientes em Bmal1 ainda mantêm os ritmos relacionados com o alimento.

"Penso que este artigo vai ter uma meia-vida muito curta", diz Ralph Mistleberger, que estuda ritmos circadianos na Universidade Simon Fraser em Burnaby, Colúmbia Britânica. Mistleberger salienta que os ratos deficientes em Bmal1 não são particularmente saudáveis e que a extensão das restrições alimentares no estudo pode ter stressado tanto os animais que tenha causado resultados alterados.

Assim, enquanto os investigadores avançam, 80 anos depois de o comportamento de antecipação do alimento ter sido observado pela primeira vez em ratos, a descoberta da região do cérebro responsável pelo comportamento pode continuar a iludir-nos.

Ainda que o DMH possa desempenhar algum papel, diz Mistleberger, o mecanismo mais provável é que se trate de um fenómeno que abranja toda a rede cerebral ou talvez "um relógio completamente novo, que não dependa do mesmo conjunto de genes ou, pelo menos, não da mesma forma". 

 

 

Saber mais:

Society for Research on Biological Rhythms

Ovelhas revelam pistas sobre o funcionamento do nosso 'relógio biológico'

 

 

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