2008-05-25

Subject: Humanos conseguem avaliar um cão pelo seu rosnar

 

Humanos conseguem avaliar um cão pelo seu rosnar

 

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Se pensava que um rosnar agudo tinha sempre origem num cão minúsculo, pode vir a ter uma surpresa desagradável.

Investigadores demonstraram que não é a frequência fundamental, ou tom, de um rosnido que os humanos usam para avaliar o tamanho de um cão, é outra propriedade acústica relacionada com o comprimento do aparelho vocal.

Já se sabia que entre indivíduos da mesma espécie a formante, uma propriedade das ondas sonoras relacionada com o comprimento do aparelho vocal, era usada pelos animais para avaliar o tamanho dos outros animais, mas nunca tinha sido demonstrado que esta situação também se aplicava entre espécies diferentes.

Anna Taylor, uma estudante de doutoramento da Universidade de Sussex, Brighton, Reino Unido, resolveu demonstrar que a formante também é utilizada entre espécies como pista para o tamanho, analisando a forma como os humanos respondiam aos rosnidos de cães de diferentes tamanhos. Os seus resultados foram publicados na revista Journal of the Acoustical Society of America.

Taylor visitou os lares de mais de 100 cães, armada apenas com um microfone, um olhar de ferro e a autorização dos donos. Taylor levou os cães a rosnarem de forma defensiva ao invadir o espaço do animal e olhando-os nos olhos. Gravou as respostas cheias de dentes e manipulou 30 delas para a sua experiência.

Pode parecer uma experiência pouco normal para quem dá valor à sua integridade física mas Taylor diz que, como estudiosa experimentada do comportamento animal, ele conseguiria despoletar qualquer tipo de situação antes que esta descambasse para a violência.

Taylor analisou as formantes e a frequência fundamental dos diferentes rosnidos. Exemplos das maiores e menores formantes e das frequências mais altas e mais baixas, podem ser ouvidas nestas gravações (clique sobre as ligações anteriores - abre numa nova janela).

A formante é uma propriedade acústica básica e pode ser considerada a frequência de ressonância de uma onda sonora no aparelho vocal. Os cães têm entre cinco e sete formantes quando produzem sons. Em humanos, as alterações de formantes resultam em diferentes sons de vogais. Aparelhos vocais diferentes produzem frequências de ressonância diferentes logo as formantes têm valores diferentes. “Aparelhos vocais maiores, pertencentes a animais maiores, produzem formantes mais baixas", diz Taylor.

A frequência fundamental é o tom de um som. É uma "falácia comum" que o tom seja usado para determinar o tamanho, diz Taylor. O tom está relacionado com a dimensão das cordas vocais carnudas, que podem crescer até diferentes tamanhos. A formante, por outro lado, é praticamente fixa.

Para testar a percepção humana da dimensão do cão, Taylor separou a formante e a frequência fundamental do rosnar de cada cão com software acústico. Seguidamente, voltou a sintetizar cada rosnar de duas formas diferentes: primeiro fazendo cinco novas versões de cada rosnido com diferentes formantes correspondentes a uma gama de comprimentos de aparelho vocal e depois fazendo cinco novas versões de cada rosnido alterando o tom para que se encaixasse numa gama de cinco frequências, de baixas a altas.

 

Estes novos rosnidos foram dados a ouvir a humanos em duas experiências separadas, onde ouviam rosnidos em ordem aleatória e lhes era pedido que avaliassem a dimensão do cão.

Onde as formates eram alteradas mas não o tom, os rosnidos que tinham sido manipulados para indicar um aparelho vocal maior foram avaliados pelos voluntários como sendo de um cão grande. Quando o tom era alterado mas não a formante, os voluntários avaliavam a dimensão do cão de forma mais correcta. Quando se lhes pedia que dissessem o que achavam que estavam a ouvir, os voluntários todos pensavam estar a ouvir alterações de tom, diz Taylor.

O trabalho despertou grande interesse na comunidade acústica. “Esta análise do reportório vocal dos cães, especialmente as subunidades do rosnar, é totalmente novo", diz Dorit Feddersen-Petersen, que estuda comportamento canino na Universidade de Kiel, Alemanha.

“As pessoas estão a usar os mesmos parâmetros acústicos que usam para avaliar a dimensão a partir de vozes humanas para avaliar a dimensão do cão a partir de rosnidos", diz David Feinberg, que estuda a voz na Universidade McMaster de Hamilton, Canadá. A razão para isso deve ser a anatomia de produção de som ser semelhante em todos os mamíferos, diz ele.

Taylor pensa que esta ligação entre a formante e a percepção da dimensão pode ser aplicada de forma mais geral do que apenas cães e humanos. "A atribuição de tamanho com base na formante é algo que podemos fazer para todos os animais e provavelmente todos os animais podem fazer uns aos outros."

Que os humanos utilizem estas dicas para avaliar a dimensão dos cães pode estar associada à ideia de que o Homem e o cão estão a co-evoluir desde há 15 mil anos, diz Feinberg. Feddersen-Petersen sugere o mesmo: “Esta forma de sinalização interspecífica  ... deve estar associada à história evolutiva próxima entre cães e humanos", diz ela.

Esta co-evolução pode ser particularmente importante para que os humanos prestem atenção à dimensão do cão, sugere Feinberg. “O cão pode ser o melhor amigo do Homem mas também é capaz de morder a mão que o alimenta." 

 

 

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