2008-05-23

Subject: Até onde pode a vida descer?

 

Até onde pode a vida descer?

 

   

Os microrganismos criaram um lar em rochas com 111 milhões de anos enterradas 1,6 Km abaixo do fundo do oceano, descobriram os investigadores.

A descoberta, publicada na última edição da revista Science, bate o recorde anterior de 842 metros abaixo do fundo do mar, mas pode não ser muito duradouro. Alguns peritos pensam que os microrganismos potencialmente podem estabelecer-se até 5 Km abaixo do fundo oceânico.

Os microrganismos têm sido descobertos em praticamente todas as fendas da Terra, desde a fumarolas do fundo do mar até aos esgotos ácidos de minas. Em 2002, John Parkes, agora da Universidade de Cardiff, Reino Unido, descobriu bactérias em rochas porosas mais de 800 metros abaixo do fundo do Pacífico.

Algumas estimativas consideram que dois terços da biomassa microbiana da Terra pode estar localizada abaixo do fundo do mar, ainda que dada a dificuldade na recolha de amostras tão abaixo das ondas torne quase impossível ter uma certeza.

Mas as condições tornam-se progressivamente mais duras quando nos afundamos no sedimento. A rocha torna-se mais velha e aumenta a probabilidade de já não conter matéria orgânica que sirva de alimento. Entretanto, a pressão e a temperatura aumentam de forma constante, em algumas regiões cerca de 20°C por cada quilómetro que descemos abaixo do fundo do mar.

Na actualidade, a temperatura máxima a que a vida consegue sobreviver estima-se que ronde os 120°C. “Se a temperatura é o factor limitante crucial, então é razoável que a biosfera se estenda até aos 5 Km abaixo do fundo do oceano", diz Steven D’Hondt, oceanógrafo da Universidade de Rhode Island.

A nova amostra foi recolhida da margem de Newfoundland do Atlântico, pelo navio de perfuração JOIDES Resolution. O navio, em tempos usado na perfuração de petróleo, foi equipado com equipamento científico há mais de 20 anos e tem realizado, desde então, milhares de perfurações em todo o mundo.

 

JOIDES ResolutionParkes extraiu os microrganismos do dentro das amostras de sedimentos, onde é pouco provável que tenham sido contaminados com a água do mar do exterior. Descobriu provas de vida microscópica ao realizar coloração de amostras com um corante que se torna verde fluorescente quando penetra na célula.

Os investigadores também conseguiram isolar DNA dos microrganismos e as sequências indicam que várias espécies bactérias Archaea, principalmente pertencentes aos género de termófilas Pyrococcus, vivem a a mil metros de profundidade. À medida que a profundidade e a concentração de metano aumentam, encontrou sequências de DNA de microrganismos quimiossintéticos, capazes de oxidar metano para produzir energia.

De que forma os microrganismos encontram alimento em rocha tão antiga permanece um mistério, diz Parkes. “Qualquer coisa que seja minimamente degradável já devia ter sido removida há muito." Parkes especula que os microrganismos conseguem sobreviver com muito pouco alimento, pois não há predadores a evitar. Basta-lhes obter uma molécula de ATP de tempos a tempos, diz ele.

Para Parkes o próximo passo na investigação é claro: “Adorava ir ainda mais fundo", diz ele, talvez até aos 6 Km de profundidade, na esperança de observar vida mesmo no limite. 

 

 

Saber mais:

Integrated Ocean Drilling Program

 

 

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