2008-05-22

Subject: Efectivo de ursos polares vai decair

 

Efectivo de ursos polares vai decair

 

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Numa decisão há muito aguardada e considerada uma vitória pelas organizações conservacionistas, os Estados Unidos declararam na semana passada o urso polar Ursus maritimus espécie ameaçada. 

No entanto, esta elevação de estatuto pode ter muito pouco impacto sobre o destino final dos animais.

A listagem, anunciada pelo secretário do interior Dirk Kempthorne a 14 de Maio, associa o contínuo recuo do gelo Árctico devido ao aquecimento global com potenciais reduções importantes no efectivo de ursos polares.

No Outono passado, o US Geological Survey concluiu que os animais devem perder 42% do seu habitat de gelo de Verão até meados do século, reduzindo a população mundial de ursos polares, que se estima em 25 mil indivíduos, em dois terços.

Apesar desta projecção dramática, os investigadores salientam que o território do urso polar se estende por vários países, cada um com a sua política de conservação própria, e por uma variedade de habitats, cada um a ser afectado de forma diferente pelas alterações climáticas.

Por tudo isto, o destino dos ursos irá variar também. “Não acredito que o urso polar se extinga mas em algumas zonas sofrerá uma forte redução e pode mesmo desaparecer", diz o biólogo veterinário Christian Sonne, do Instituto Nacional de Investigação Ambiental de Roskilde, Dinamarca. Outros factores, para além do aquecimento global, causam stress aos ursos, incluindo a acumulação na gordura de compostos do tipo bifenil policlorinado e outros poluentes que lhes reduzem a capacidade reprodutiva e enfraquecem o sistema imunitário.

Projectar o destino de um animal que ocupa um território ao longo de mais de 25° de latitude é difícil. O grupo de especialistas em ursos polares da International Union for Conservation of Nature (IUCN) identificou 19 populações distintas que vivem em habitats marcadamente diferentes (ver mapa). “Algumas populações estão nitidamente em apuros maiores que outras", diz o biólogo Ian Stirling, do Canadian Wildlife Service de Edmonton, Alberta.

Por exemplo, os ursos que passam a maioria do tempo sobre o gelo podem ter que migrar longas distâncias para manter o seu estilo de vida, um stress adicional se o alimento já foi escasso. Mas as populações do arquipélago canadiano podem conseguir permanecer relativamente estáveis nas próximas décadas, pois as projecções sugerem que o gelo de Verão será aí mais persistente.

Ainda outras, como as populações mais a sul em volta da Baía de Hudson, já estão a sentir os efeitos das alterações climáticas. Estudos recentes demonstraram que esses ursos estão a perder tempo de caça precioso na Primavera, quando os animal obtêm a maioria da energia para o ano engordando à custa de focas aneladas reprodutoras. A oeste da baía de Hudson, os ursos jovens têm menor probabilidade de sobreviver após anos em que o degelo é precoce, um processo que agora ocorre cerca de 3 semanas mais cedo do que há 30 anos. A sul da baía, a razão massa/comprimento do corpo nos ursos do Ontário reduziu-se em mais de metade desde o início dos anos 80.

Algumas populações de ursos podem ser capazes de se adaptar passando mais tempo em terra mas muito depende de quão velozes serão as alterações do gelo Árctico. “Penso que depende da rapidez de todos estes acontecimentos", diz o biólogo Erik Born, do Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia em Nuuk. “Os ursos polares têm um comportamento flexível mas também é verdade que se especializaram na caça sobre o gelo marinho."

Face ao declínio do gelo marinho, a melhor forma de gerir a população de ursos pode ser reduzir as outras ameaças, diz Stirling: proteger as áreas onde fazem as tocas, minimizar as actividades ao largo e o tráfego humano, reduzir a caça ou garantir que apenas são mortos ursos que já estariam condenados.

Tudo isto dependo do que os estados circumpolares irão fazer. A listagem americana, que foi forçada por um processo em tribunal por parte das organizações conservacionistas em 2005, coloca os ursos sob a égide da poderosa Acta das Espécies Ameaçadas mas o governo escreveu a decisão de tal forma que a Acta de Protecção dos Mamíferos Marinhos, de 1972, pode ter precedência. Isto significa que a listagem pode não acrescentar qualquer tipo de limitação às perfurações de gás e petróleo ao largo. Kempthorne também defendeu que a nova listagem não podia ser usada para regular as emissões de gases de efeito de estufa.

Nenhuma nação circumpolar regula as emissões de gases de efeito de estufa especificamente para proteger o urso polar . A Noruega, que tem tido as medidas de protecção mais fortes, actualizou o estatuto dos ursos para 'vulnerável' na sua Lista Vermelha das espécies ameaçadas depois de a IUCN o ter feito em 2006. Mas “isso não altera nada", diz Dag Vongraven, do Instituto Polar Norueguês de Tromsø. A total proibição da caça é a única estrutura regulatória que protege os ursos no país, diz ele.

 

Os Estados Unidos, Canadá e Groenlândia (sob comando da Dinamarca) permitem caça limitada. A Rússia proibiu a caça ao urso polar  mas as caçadas ilegais são comuns, diz Vongraven.

O Canadá também está a considerar se deve actualizar o estatuto do urso polar. No mês passado, um comité de aconselhamento anunciou que não recomendava a alteração para 'ameaçado' do actual 'espécie merecedora de atenção', algo que teria impacto na caça. A decisão será tomada em Agosto, quando as recomendações finais do comité forem enviadas para o ministro do ambiente John Baird.

Nos Estados Unidos, o novo estatuto deve vir a ser combatido. “Certamente vão surgir uma série de processos legais sobre isto", diz Holly Doremus, advogada do ambiente da Universidade da Califórnia, Davis. Em particular, diz ela, isentar as agências federais de consultar o Fish and Wildlife Service sobre projectos que envolvam emissões de gases de efeito de estufa não deve aguentar uma revisão judicial. “Penso que a administração Bush está apenas a tentar passar esta batata quente para a próxima administração porque não sabem como lidar com isto."

Entretanto, desencadeado pelos processos judiciais dos conservacionistas, o Fish and Wildlife Service está a considerar acrescentar outras espécies, incluindo o pinguim imperador, à lista de espécies ameaçadas, em grande parte devido às ameaças das alterações climáticas.

Os ursos polares devem continuar na primeira página da agenda internacional no futuro próximo. “Certamente que o ursos polar se tornou uma figura de tal forma carismática que esperemos que se torne um ponto em volta do qual este tipo de discussão se inicie", diz Lyle Laverty, secretário-assistente do Fish, Wildlife and Parks.

No próximo ano, funcionários da conservação dos diversos países que fazem parte do habitat do urso polar tencionam reunir-se em Tromsø, Noruega, para discutir as opções de gestão. Será o primeiro encontro deste tipo em 28 anos. 

 

 

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