2008-04-17

Subject: Fitoplâncton está a responder às alterações climáticas

 

Fitoplâncton está a responder às alterações climáticas

 

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Os microrganismos marinhos conhecidos por cocolitóforos, um mais prolíficos consumidores de dióxido de carbono atmosférico da natureza, pode estar a continuar a absorver carbono à taxa actual, mesmo que as concentrações de gases de efeito de estufa continuem a aumentar.

Os cocolitóforos fazem parte do fitoplâncton, conjunto de organismos fotossintéticos que vive nas camadas superiores dos oceanos mundiais. Utilizam carbonato de cálcio para construir minúsculas placas ao seu redor, como protecção.

E ainda que a construção destas placas produza dióxido de carbono, os cocolitóforos também consomem o gás na fotossíntese, pelo que, o resultado final é que consumem mais do que libertam.

Estudos prévios tinham sugerido que a alteração da química oceânica podia levar o plâncton a tornar-se um sumidouro de carbono mais eficiente, eliminando mais e mais dióxido de carbono da atmosfera. Mas o estudo hoje conhecido através da revista Science sugere que afinal esta ajuda pode não chegar.

"É pouco provável que os coclitóforos ajudem na mitigação ou na exacerbação da subida de dióxido de carbono na atmosfera", diz a autora do estudo, M. Debora Iglesias-Rodriguez, da Universidade de Southampton.

Para simular o efeito da subida dos níveis de dióxido de carbono atmosféricos, Iglesias-Rodriguez injectou ar enriquecido com dióxido de carbono em culturas de Emiliania huxleyi, uma espécie de cocolitóforo comum nos oceanos do mundo.

Quando se aumentou a concentração de dióxido de carbono para os níveis projectados para o ano 2100, descobriram que E. huxleyi produzia o dobro da quantidade de placas protectoras logo mais dióxido de carbono, mas este aumento era contrabalançado por um aumento paralelo na fotossíntese.

No total, diz Iglesias-Rodriguez, os resultados sugerem que os cocolitóforos podem não afectar os níveis de dióxido de carbono, mesmo que os oceanos absorvam mais deste gás. Os cocolitóforos podem não ser afectados a curto prazo mas eventualmente o oceano pode ficar demasiado ácido devido ao aumento de dióxido de carbono. Grandes quantidades de carbonato de cálcio produzido por eles ir-se-á dissolver, com efeitos pouco claros sobre estes organismos.

 

Ainda que a equipa tenha descoberto que o dióxido de carbono aumentou a produção de placas (calcificação), outras experiências com cocolitóforos já tinham revelado tendências opostas, com reduções na produção de carbonato de cálcio.

“Esta é a primeira vez que se observa um aumento da calcificação em resposta a altas concentrações de CO2”, diz Victoria Fabry, bióloga da Universidade Estatal da Califórnia, San Marcos. "Os resultados não são consistentes e precisamos de descobrir a razão porque isso acontece."

Fabry salienta que o estudo apenas utilizou uma das 250 espécies conhecidas de cocolitóforos e que outras podem reagir às mesmas condições de forma diferente.

Ainda assim, Iglesias-Rodriguez diz que está muito encorajada pelas medições no campo que realizou, onde examinou camadas de E. huxleyi que se tinham afundado no Atlântico norte. O sedimento continha registo do crescimento de cocolitóforos desde o início da revolução industrial. De 1780 a 2004, o peso médio de carbonato de cálcio no fitoplâncton aumentou mais de 50%, indicando que as alterações atmosféricas estão a ter impacto.

Em Dezembro a equipa tenciona viajar até à Antárctica para realizar mais experiências com cocolitóforos, que poderão ajudar a clarificar a forma como estes reagem à subida da concentração de dióxido de carbono em condições reais. 

 

 

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