2008-04-03

Subject: Alterações climáticas subestimadas?

 

Alterações climáticas subestimadas? 

 

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Alegações de que o Painel Internacional sobre as Alterações Climáticas (IPCC) subestimou gravemente o desafio e os custos da estabilização das emissões de gases de efeito de estufa no século XXI estão a alimentar uma nova polémica entre os investigadores climáticos e de energia.

O perito em política climática Roger Pielke Jr, o climatólogo Tom Wigley e o economista Christopher Green apresentam, num artigo de opinião publicado na revista Nature, a sua opinião de que os cenários de emissões que o IPCC produziu há perto de uma década, e ainda vulgarmente usados, são excessivamente optimistas.

Eles salientam que a maioria dos cenários 'tudo como antes' de emissões do IPCC assumem uma certa quantidade de alterações tecnológicas 'espontâneas'. Mas eles argumentam que a dimensão desta alteração assumida é irrealista e induz em erro os políticos e o público acerca do papel crucial das políticas no encorajamento do desenvolvimento de novas tecnologias que impeçam as perigosas alterações climáticas.

Um pedaço tão grande destes tão precisos melhoramentos a nível de eficiência energética está incluído nestes cenários 'tudo como antes' que o grau de alteração que exija esforço especial parece artificialmente pequeno, argumentam eles.

De acordo com os seus próprios cálculos, os cenários do IPCC dão a ideia de que o desafio técnico de estabilizar as emissões de gases de efeito de estufa em cerca de 500 partes por milhão, uma concentração que os cientistas pensam impedirá que as temperaturas médias globais subam mais de 2°C, é cerca de um quarto da sua verdadeira dimensão.

Richard Tol, economista ambiental e de energia no Economic and Social Research Institute de Dublin, também refere que o IPCC subestimou os custos da tecnologia e salienta que o custo da mitigação contra as alterações climáticas aumenta com o passar do tempo. Se Pielke e os seus colegas estiverem certos, o custo de controlar o aquecimento global pode ser multiplicado por um factor de 16, diz Tol.

“O artigo é uma verdadeira bomba", diz Marty Hoffert, antigo presidente do Departamento de Ciência Aplicada da Universidade de Nova Iorque. “Explode completamente com a ideia que já existe tecnologia suficiente para resolver o problema do clima e da energia e que o aquecimento global pode ser corrigido com incentivos de mercado."

Os críticos destas considerações dizem que a noção de alterações tecnológicas espontâneas é realista. Salientam que os 0,6% de aumento da intensidade energética que a maioria dos cenários 'tudo como antes' do IPCC assume que ocorra autonomamente estão de acordo com as tendências históricas. Em média, a intensidade energética global aumentou mais de 1% ao ano nas últimas 3 décadas, e a maioria do aumento ocorreu na ausência de políticas sobre as alterações climáticas dignas de nota.

“Os pressupostos acerca da taxa de alterações tecnológicas nos cenários foram rigorosamente revistos e são aceites pelos peritos sobre o tema", diz Bert Metz, co-presidente do Grupo de Trabalho III sobre a mitigação das alterações climáticas do IPCC. 

 

Mas pouco ou nenhum melhoramento na intensidade energética foi registado na presente década e nos últimos anos a média global até piorou. Esta situação deve-se ao aumento das exigências energéticas em países como a Índia e a China, onde energia barata e suja é a mais usada.

Metz diz que compreende que o crescimento económico e energético real pode ser diferente dos pressupostos do IPCC, o que pode dificultar o atingir dos níveis de estabilização. Em 2006, o IPCC começou a desenvolver novos cenários a longo prazo das emissões, que serão produzidos ao longo dos próximos anos.

Os cenários que o IPCC publicou em 2000, ainda utilizados no último relatório de 2007, abrangiam 35 possibilidades de emissões. Os vários cenários atingem emissões cumulativas muito diferentes (e variações de temperatura global) em 2100. As emissões reais do período 2000 a 2008 apenas encaixam nos cenários de emissões mais elevadas, os chamados 'cenários A1' de aumento de crescimento económico.

O argumento de Pielke e colegas pode explicar porque as emissões em todo o mundo estão a crescer mais rapidamente que nunca, e porque muitos países industrializados não conseguem cumprir os seus relativamente modestos objectivos no âmbito do Protocolo de Quioto, diz Hoffert.

“É profundamente irónico que o IPCC, que tem sido acusado pelos que negam as alterações climáticas de exagerar a ameaça que enfrentamos, tenha diminuído, ou pelo menos obscurecido, a dificuldade no seu controlo", diz Hoffert.

Mas outros consideram que esse facto não tem importância porque as alterações tecnológicas estão agora a ser procuradas. “Não há dúvida que precisamos de reduções profundas nas emissões e de acção agressiva na inovação tecnológica", diz Robert Socolow, co-director da Carbon Mitigation Initiative da Universidade de Princeton em Nova Jérsia.

A maioria dos países membros da Organização para a Cooperação Económica e Desenvolvimento e os Estados Unidos, ainda que não o governo federal, já está comprometido a faze-lo, diz ele. Por esse motivo, preocuparmo-nos com o que vai acontecer se não houver alterações tecnológicas é algo obsoleto.

 

 

Saber mais:

Painel Internacional sobre as Alterações Climáticas  (IPCC)

Agência Internacional de Energia

Efeitos das alterações climáticas avaliados

Publicado relatório sobre alterações climáticas

 

 

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