2004-02-08

Subject: Como terão os cães aprendido a interagir com o Homem? 

News of the Wild

 

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Em destaque:

Como terão os cães aprendido a interagir com o Homem? 

 

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Os amantes dos cães sabem que o melhor amigo do Homem tem uma espantosa capacidade de entender e reagir às acções humanas. Pistas para a forma como esta capacidade se desenvolveu estão algures no passado evolutivo dos cães e entende-las pode ajudar a compreender a nossa própria evolução como humanos. 

O antropólogo de Harvard Brian Hare iniciou este estudo com o desenvolvimento humano. A capacidade de realizar tarefas cognitivas simples, como seguir o olhar de outra pessoa ou responder ao apontar, é o início de uma sequência de acontecimentos que permite ao Homem aprender sobre o mundo à sua volta. 

Para testar se outros animais tinham estas capacidades, Hare testou chimpanzés, mas neste tipo de exercício de cooperação e comunicação eles não se saíram bem. No entanto, os cães domésticos Canis familiaris saíram-se excepcionalmente bem nos mesmos testes. A questão imediata foi: porquê?

A resposta óbvia foi que existia um condicionamento devido à convivência com o Homem, mas esta teoria foi posta em causa rapidamente. Testámos cachorros criados sem exposição ao Homem e comparámos os seus resultados com os de cachorros criados pelo Homem desde a nascença. nenhuma diferença foi detectada. 

Outra possível explicação seria que os canídeos teriam essas capacidades naturalmente, devido ao seu comportamento de matilha. Ádám Miklósi, da Universidade de Budapeste, realizou testes com lobos criados pelo Homem e sujeitos ao mesmo tipo de socialização que os cães. Novamente, os testes mostraram que os lobos não atingem o grau de perfeição dos cães. 

Os testes de Miklósi incluíam um importante segundo passo: apresentou aos animais testados um prato de comida que não podia ser alcançado. Enquanto os lobos tentaram por longos períodos de tempo conseguir a comida, os cães rapidamente se viravam para o Homem em busca de ajuda. 

Com base nestas observações, concluímos que a grande diferença reside na capacidade dos cães em olhar para a cara do Homem, explica Miklósi. Dado que o olhar tem uma importante função em iniciar e manter comunicação no Homem, supomos que a capacidade, adquirida ao longo da evolução, do cão para olhar para a cara humana levou ao desenvolvimento de formas complexas de comunicação cão/Homem, que não podem ser atingidas pelos lobos, mesmo após socialização extensa.

 

Outra experiência levantou questões intrigantes. Em 1959, o falecido Dimitri Balyaev e seus colegas começaram a domesticar raposas. Desde esse tempo, uma população de raposas tem sido seleccionada com base numa única característica: o seu comportamento perante o Homem. Raposas que se aproximavam dos humanos aos 7 meses podiam reproduzir-se, as agressivas ou desconfiadas não. Actualmente, são tão mansas que podem ser animais de estimação.

Mas esta selecção afectou mais do que o comportamento das raposas. Tal como muitos animais domésticos, as raposas começaram a ter caudas curvas, orelhas caídas, destes menores e ossos mais curtos, apesar de nunca se ter seleccionado nenhuma destas características. Poderiam ser as capacidades cognitivas um subproduto dos acasalamentos seleccionados, como estas alterações físicas? Hare espera testar esta questão estudando as raposas. 

O aspecto crucial da questão, explica, é que não houve uma selecção para a capacidade cognitiva, apenas para um temperamento agradável. Não tenho a menor ideia de como os cães se tornaram cães, mas sei exactamente como estas raposas se tornaram o que são agora. 

Tal como temos subprodutos acidentais, como as caudas curvas e as orelhas caídas, poderíamos ter um animais mais inteligente como um subproduto acidental da selecção para a boa índole? 

Muitos antropólogos pensam que o Homem se tornou inteligente porque era vantajoso que o fosse, vai Hare ponderando, mas talvez tenha sido apenas uma selecção de temperamento. Talvez as pessoas boas se tenham tornado mais inteligentes ao longo do tempo, em vez das pessoas inteligentes se terem tornado boas. 

 

 

 

Saber mais: 

A Love Story- Our Bond With Dogs

The Evolution of Dogs

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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