2008-03-09

Subject: Sementes adaptam-se à vida na cidade

 

Sementes adaptam-se à vida na cidade

 

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Crepis sancta Uma espécie de planta vulgarmente encontrada nas zonas urbanas tem vindo a evoluir rapidamente para se adaptar aos desafios de sobreviver na selva de betão, revela um estudo agora conhecido.

A parente do dente-de-leão Crepis sancta que se desenvolve nas zonas urbanas produz sementes pesadas que caem para o solo em vez de sementes leves e equipadas com plumas que ajudam a dispersão pelo vento.

As sementes levadas pelo vento têm menos probabilidade de germinar porque a maioria acaba por ir parar em superfícies cobertas de betão ou alcatrão, dizem os cientistas. As descobertas foram publicadas na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences. 

Os investigadores do Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva (CEFE), sediado em Montpellier, estimam que a alteração na forma de dispersão da planta decorreu no espaço de apenas 5 a 12 gerações, o que corresponderá mais ou menos ao mesmo número de anos.

O co-autor do estudo Pierre-Oliver Cheptou diz que a equipa ficou surpreendida com as alterações. "A lógica assumiria que este tipo de característica evolutiva se desenvolveria mais lentamente, o que até deve ser verdade em situações de populações menos fragmentadas. No entanto, ao mesmo tempo, é consistente com a estimativa que tínhamos para a característica numa situação urbana fragmentada."

A equipa recolheu amostras de sementes da planta, geralmente considerada uma erva daninha, que cresce em terrenos baldios ou junto a árvores à beira da estrada, em várias localizações na zona da cidade francesa onde trabalham.

Seguidamente, cultivaram-nas numa estufa para observar que fracção das sementes das plantas resultantes eram da variedade leve, transportada pelo vento.

Quando comparadas com espécimes retirados de zonas campestres, as amostras urbanas produziam muito menor quantidade desse tipo de semente.

Os investigadores dizem que as sementes que dispersão pelo vento tinham uma probabilidade 55% inferior de germinar porque a maioria acabava por encontrar apenas superfícies cobertas de betão ou alcatrão.

 

As sementes mais pesadas tinham uma vantagem evolutiva porque caiam para o pedaço de solo que já tinha suportado a geração anterior da planta. Os investigadores acrescentam que as suas descobertas apoiam as chamadas teorias do custo da dispersão.

"Quando a dispersão é passiva, através do transporte pelo vento ou pela água, e a escolha de habitat é ao acaso, a probabilidade de se instalar num local adequado depende directamente da frequência de locais adequados na paisagem", escrevem os investigadores. "Muitos estudos empíricos já revelaram uma redução das estruturas de dispersão em organismos que vivem em ilhas, como plantas e insectos."

Cheptou diz que o seu estudo demonstra que o mesmo se aplica a plantas em zonas urbanas, onde as zonas de solo adequado ao crescimento são grandemente fragmentadas pelos edifícios, pavimentos e estradas.

Segundo ele, esta estratégia, ainda que aumente as probabilidades de sobrevivência da próxima geração, pode ter alguns efeitos menos bons.

"Podemos colocar a hipótese de que em situações fragmentadas a evolução em direcção à menor capacidade de dispersão origine populações mais isoladas, aumentando o risco de extinção." 

 

 

Saber mais:

PNAS

CEFE

 

 

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