2008-03-02

Subject: Voo dos morcegos iluminado pelo nevoeiro

 

Voo dos morcegos iluminado pelo nevoeiro

 

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Os morcegos conseguem realizar um inteligente truque aerodinâmico para tornar o voo mais fácil, descobriram os investigadores: a orla frontal aguçada da asa corta o ar de uma forma que cria um vórtex sobre a asa, produzindo até 40% da impulsão necessária para se manterem no ar.

“Isso explica a forma como estes animais são capazes de voar a velocidades muito baixas", diz Anders Hedenström, da Universidade Lund na Suécia, que liderou este estudo agora publicado na revista Science, e que revelou o efeito com um morcego vivo.

O fenómeno do 'vórtex da orla frontal' é conhecido por ajudar os insectos a voar, uma descoberta que ajudou a compreender de que forma os zângãos conseguem voar. Mas nunca tinha sido observado com certeza num animal vivo não insecto.

Hedenström filmou um morcego a alimentar-se de néctar colocado num túnel de vento. O túnel de vento estava cheio de nevoeiro e uma luz laser apontada às asas do morcego enquanto este pairava em frente do néctar. A luz iluminava as partículas individuais do nevoeiro, que estavam a ser filmadas, permitindo aos investigadores ter uma imagem clara dos movimentos do ar sobre e em volta das asas do morcego.

Usando este método, a equipa de Hedenström já tinha antes iluminado os vórtices na esteira de um morcego em voo, mostrando que estes padrões complexos de ar são diferentes dos causados por uma ave, sendo provavelmente responsáveis pela grande capacidade de manobra dos morcegos.

Dessa vez, eles observaram que o morcego estava claramente a obter muita elevação com os seus movimentos de asa mas não conseguiam perceber exactamente de que forma.

Desta vez eles deslocaram o laser para cima do morcego, de forma a que incidisse directamente na orla frontal da asa, esperando realçar a técnica usada para se obter elevação, e funcionou.

Hedenström mostrou que o movimento descendente da asa de um morcego vai tanto para a frente como para baixo e está inclinada num ângulo agudo, tal como faz um insecto em voo. Este movimento produz um vórtex ascendente poderoso.

 

O ar a rodopiar segue de perto a superfície da asa durante o movimento para baixo, o que é bom porque se o vórtex fosse deslocado para longe da asa um morcego em voo lento pararia, caindo para o solo. Para manter o vórtex perto da asa é necessário um movimento muito delicado. “Os morcegos controlam a curvatura da asa de uma forma muito subtil", diz Hedenström.

John Videler, das Universidades de Leiden e Groningen, Holanda, já tinha sugerido que os andorinhões usavam os mesmos vórtices para voar. Ele já o tinha visto em estudos com modelos mas não tinha sido capaz de o confirmar com aves vivas.

Ele admite esta rum pouco invejoso devido a Hedenström ter sido o primeiro a filmar o efeito num animal vivo mas está muito feliz com o facto de a sua teoria ter sido agora provada. “É um efeito muito forte. O vórtex da orla frontal tem muito mais vantagens do que a forma convencional de ganhar elevação", que apenas implica bater as asas mais depressa. “O voo lento é o mais difícil."

Hedenström vai agora estender a sua pesquisa a aves e a outros morcegos. Ele espera observar resultados semelhantes, excepto, talvez, em animais grandes que não conseguem planar.

O fenómeno vai ser muito útil aos engenheiros que estão a tentar criar veículos autónomos com asas móveis, diz Hedenström. Mas para o alcançar, alterações muito subtis na forma das asas que o morcego usa para manter o vórtex terão que ser muito melhor compreendidas. “Isto mostra que precisamos de controlar a membrana da asa destes veículos." 

 

 

Saber mais:

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