2008-02-23

Subject: A origem das mutações deletérias

 

A origem das mutações deletérias

 

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Um estudo genético feito em americanos de ascendência europeia ou africana revelou que os europeus têm uma proporção superior de genes danosos que os africanos.

No entanto, as conclusões do estudo já foram postas em causa no que muitos esperam ser uma nova vaga de conflitos sobre a interpretação de dados à medida que as novas tecnologias permitem uma inundação de estudos de genética populacional.

Carlos Bustamante, um geneticista estatístico na Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, comparou a variação genética em 20 americanos de ascendência europeia e em 15 afro-americanos, em busca especificamente de polimorfismo de nucleótido único (SNP), ou seja, locais onde o DNA difere apenas numa única base do código genético. 

Os investigadores fornecem a primeira contagem destas mutações em todo o genoma de forma isenta (conjuntos anteriores de dados sobre esta questão não tinham chegado a um acordo sobre o seu número), o que é um avanço significativo no campo da genética de populações.

As descobertas confirmam a ideia de que após os grupos humanos migrarem para fora de África sofreram o chamado efeito gargalo, em que a sua diversidade genética global foi muito reduzida. A população europeia, de pois, expandiu-se rapidamente, ganhando novas mutações antes de as antigas terem tido tempo de causas consequências negativas e serem eliminadas. Os investigadores construíram modelos de computador que mostram que os seus dados encaixam perfeitamente nesta interpretação do efeito gargalo.

O resultado é que a população europeia contém uma diversidade global menor que a população africana e uma proporção superior de diversidade potencialmente danosa, pois o seu DNA contém mutações que podem alterar a função das proteínas que codificam, refere a equipa de investigadores.

No entanto, Alexey Kondrashov, geneticista populacional na Universidade do Michigan em Ann Arbor, diz que os dados podem ser interpretados de forma muito diferente. Ele considera que as populações europeia e africana têm exactamente a mesma carga de mutações deletérias.

Tudo se resume a pequenas diferenças na interpretação dos dados. Os investigadores analisaram 39440 SNP, procurando perceber se cada um deles correspondia à SNP ancestral, aquela encontrada no genoma do chimpanzé, o nosso parente genético mais próximo.

Seguidamente, a equipa examinou aquelas que não eram do tipo ancestral, as chamadas SNP derivadas, para determinar se a alteração tinha afectado a identidade dos aminoácidos (cada conjunto de 3 bases do DNA codifica um aminoácido) que codificam. 

As SNP não sinónimas, as SNP derivadas que codificavam um aminoácido diferente do presente na SNP ancestral, foram classificadas pela equipa como sendo mais prováveis de causar efeitos negativos. O software foi usado para classificar as SNP como 'benignas', 'possivelmente danosas' ou 'provavelmente danosas' para as proteínas que codificam.

Seguidamente, a equipa analisou as SNP únicas para cada população e descobriu que 47,0% das SNP dos afro-americanos eram não sinónimas, comparadas com as 55,4% dos de origem europeia. 

 

Destas SNP não sinónimas, 12,1% eram 'provavelmente danosas' nos afro-americanos, comparadas com as 15,9% dos de origem europeia, uma pequena mas significativa diferença. “A descoberta interessante do nosso estudo é que, dados os níveis de variação inferiores nos europeus em relação aos africanos, uma quantidade desproporcionada da variação europeia é deletéria", diz Kirk Lohmueller, geneticista estatístico em Cornell.

No entanto, Kondrashov salienta que a equipa de Bustamante também contou o número de SNP não sinónimas, para além das 'possivelmente ' e das 'provavelmente danosas', nos americanos. Eles descobriram que a população europeia tem mais ou menos o mesmo número de SNP não sinónimas 'possivelmente' e 'provavelmente danosas' que os afro-americanos. 

Estes dados, tal como foram apresentados, devem ser interpretados de forma diferente, segundo Kondrashov. Indicam que as duas populações têm o mesmo número de SNP potencialmente deletérias, diz ele. “O pequeno artigo é enganador porque refere que demonstraram que os europeus estão geneticamente mais sobrecarregados que os africanos mas isso simplesmente não é correcto quando olhamos para o gráfico que acompanha o estudo."

Bustamante discorda, salientando que o gráfico apenas pretende sumarizar os genótipos dos indivíduos do estudo, ou seja, o catálogo a partir do qual duas SNP são transportadas nos cromossomas de uma pessoa. É difícil, continua Bustamante, dizer de que forma estas SNP irão afectar a saúde de uma pessoa quando removidas do seu contexto genético, logo não é correcto usá-las como base de comparação a aptidão geral de uma população. 

“Nós não consideramos que o gráfico mostre que os indivíduos de uma população são mais ou menos aptos ou saudáveis", diz Lohmueller. 

“Estamos a debater-nos com o fosso entre estas descrições estatísticas de populações inteiras e as suas implicações para o risco individual", diz Andy Clark, estatístico de Cornell e um dos co-autores de Bustamante. “Só porque estes padrões existem não significa que os americanos de origem europeia estejam em maior risco de saúde do que os afro-americanos."

Mas fazer chegar essa ideia a todos vai ser cada vez mais difícil, mas extremamente importante, à medida que mais estudos de genética de populações forem sendo publicados este ano. 

 

 

Saber mais:

Realizado o maior estudo da diversidade genética humana até à data

Tão semelhantes mas tão diferentes ...

Human Genome Diversity Project

 

 

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