2008-02-21

Subject: Investigadores espreitam baleias adormecidas

 

Investigadores espreitam baleias adormecidas

 

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Um encontro acidental com um grupo de cachalotes adormecidos abriu os olhos dos investigadores para alguns comportamentos de sono desconhecidos nestes gigantes dos mares.

Ao contrário do que se suponha, e também ao contrário do que acontece com os cetáceos menores, os cachalotes parece que passam por um período de sono pleno, mas é verdade que dormem durante um tempo muito limitado por dia, indicando que podem ser os mamíferos menos dependentes do sono de que há conhecimento.

Uma equipa de investigadores liderada por Luke Rendell, da Universidade de St Andrew no Reino UNido, estava a seguir os chamamentos e o comportamento de cachalotes Physeter macrocephalus ao largo da costa norte do Chile quando acidentalmente vogaram até ao meio de um grupo de baleias que boiavam verticalmente na água, com os narizes a sair à superfície da água. 

Pelo menos dois dos animais estavam de frente para o barco mas nem um único reagiu à sua proximidade.

“Na realidade foi bastante assustador. O barco tinha ido à deriva até ao grupo, porque o motor estava desligado e eu estava no convés de baixo a fazer registos acústicos", explica Rendell. “Quando me apercebi da situação, decidi que o melhor era tentar navegar à vela para longe do grupo em vez de ligar os motores e ter todos os animais a reagir ao mesmo tempo.”

Os investigadores quase tiveram sucesso mas infelizmente tocaram numa das baleias enquanto passavam. “Não tínhamos ideia de como reagir, cada um dos animais provavelmente pesava mais do dobro do nosso barco e podia ter-nos afundado. Se tivessem decidido agir colectivamente, e é sabido que os cachalotes defendem-se em conjunto contra as orcas, por exemplo, estaríamos em sarilhos muito sérios.

Felizmente, para todos a bordo, depois de um surto de actividade inicial, as baleias deslocaram-se timidamente para longe e, passados 15 minutos, já estavam novamente a boiar à superfície.

Quando as gravações do encontro foram analisadas por Patrick Miller, também da Universidade de St Andrew, a estranha observação começou a fazer sentido.

Miller tinha anteriormente colocado ventosas com aparelhos para a recolha de dados em 59 cachalotes para seguir a profundidade e o comportamento dos animais enquanto viajavam pelo globo. Tinha descoberto que as baleias passavam cerca de 7% do seu tempo flutuando à deriva, inactivas, em águas baixas. 

O que os cachalotes faziam durante esse período tinha sido um mistério até ao momento em que observaram as gravações da experiência de Rendell e tudo ficou claro: as baleias estavam a dormir.

As baleias e os golfinhos apenas tinham sido observadas a permitir que um dos hemisférios cerebrais descansasse de cada vez, mantendo um olho aberto. Presumivelmente isto ocorre porque precisam de fazer coisas importantes que exigem actividade física, como vir à superfície para respirar ou evitar predadores.

Os cetáceos parecia que nunca baixavam completamente a guarda mas estas observações tinham sido estritamente limitadas a ambientes artificiais, onde os cérebros podem ser seguidos com facilidade e nunca tinham sido feitas com baleias maiores.

 

Mas agora, Miller, Rendell e os seus colegas relatam na revista Current Biology que os cachalotes parecem dormir completamente enquanto flutuam à deriva, seja à superfície ou a 10 metros de profundidade.

As suas sonecas parecem durar de 10 a 15 minutos, tempo durante o qual não respiram nem se movem. Rendell não conseguiu perceber se os cachalotes com os quais teve o seu encontro tinham um olho aberto ou não, pois os animais tinham os olhos debaixo de água, mas a total falta de reacção leva os investigadores a suspeitar que ambos os olhos estariam fechados.

Se as baleias estão completamente adormecidas enquanto estão à deriva, como documentado por Miller, então dormem muito pouco: apenas 7% do tempo. Essa situação contrasta fortemente com as baleias menores beluga e cinzenta, que dormem 32% e 41% do tempo, respectivamente.

Uma quantidade tão reduzida de tempo de sono torna os cachalotes o mamífero menos dependente do sono que se conhece. O anterior detentor do recorde era a girafa, que dorme apenas 8% do tempo.

Mas também é possível que os cachalotes tenham dois tipos de sono: o sono total enquanto flutuam à deriva à superfície e um ' meio sono' que ainda não foi documentado. 

"Esta descoberta levanta a possibilidade de que na natureza os cetáceos tenham flexibilidade no tempo e na profundidade do sono que têm, o que é intrigante porque é o mesmo tipo de comportamento que observámos nas aves", diz Niels Rattenborg, especialista no sono das aves no Max Planck Institute for Ornithology de Seewiessen, Alemanha.

A limitação do estudo é ser apenas observacional. Para confirmar a descoberta é necessário registar a actividade cerebral dos cachalotes na natureza mas ainda não existe esse tipo de tecnologia.

“No futuro imediato, precisamos de ter um mergulhador na água com uma câmara a observar as baleias enquanto elas dormem, para se perceber se dormem com um olho aberto", diz Rattenborg. 

Mas um estudo desses pode ser muito perigoso. Ainda que as baleias não sejam agressivas para com os humanos, uma pancada com uma barbatana dorsal assustada pode ser devastador. “Certamente que não vou ser eu a ir para a água com elas", diz Rattenborg.

 

 

Saber mais:

Vídeo de cachalotes adormecidos

Cachalotes sofrem "mal dos mergulhadores"

Baleias revelam o impacto humano nos oceanos

 

 

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