2008-02-18

Subject: Rã gigante encontrada em Madagáscar

 

Rã gigante encontrada em Madagáscar

 

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Beelzebufo (left) was 2-3 times bigger than the largest living South American frog in this family (top right), and 4-5 times bigger than the largest living Malagasy frog (bottom right).
Beelzebufo (esq) era 2 a 3 vezes maior que o maior sapo sul americano da mesma família (topo direita) e 4 a 5 vezes maior que a maior rã viva de Madagáscar (baixo direita). 

Uma rã gigante que saltava por Madagáscar há 65 a 70 milhões de anos foi agora descoberta.

Fragmentos fósseis mostram que a rã, baptizada Beelzebufo ampinga, pode ter medido 20 centímetros de largura na cabeça achatada e provavelmente mais de 40 centímetros da ponta do focinho à cauda.

Os investigadores que a descobriram apelidaram-na de 'a rã do inferno' e o nome científico deriva de um dos muitos nomes do Diabo (Belzebu) e do nome latino para sapo (bufo).

Estranhamente, a rã mais parece pertencer a a subfamília de anfíbios chamada Ceratophryinae, que se pensava ser endémica da América do Sul, do que uma das muitas centenas de espécies de rã actualmente presente em Madagáscar.

Pensa-se que o supercontinente Gondwana, que incluía a Antárctica, a América do Sul, África, Madagáscar, o subcontinente indiano, a Austrália e  a Nova Zelândia, tenha começado a dividir-se há cerca de 160 milhões de anos mas os fósseis de Beelzebufo apoiam a controversa noção que partes do supercontinente permaneceram unidas até uma data muito posterior, diz Susan Evans, morfologista de vertebrados e paleontóloga do University College de Londres.

Evans suspeita que o Beelzebufo e os actuais Ceratophryinae da América do Sul tinham um ancestral comum na Gondwana que terá começado a divergir há 70 milhões de anos e que Madagáscar e a Índia estavam unidas por terra com a América do Sul via Antárctica em tempos tão recentes como há 80 milhões de anos, no final do Cretácico. Evans relatam as suas descobertas na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Evans estudou mais de 60 fósseis de rã recolhidos na bacia de Mahajanga em Madagáscar. A sua equipa não conseguiu juntar um esqueleto completo mas ficou com uma imagem muito completa do crânio, que era "curto e largo com uma enorme boca", diz ela.

 

Rãs sul-americanas de forma semelhante têm mordedura forte e conseguem devorar pequenos vertebrados como ratos e lagartos: “Basicamente, comem tudo o que é mais pequeno e passa por perto", diz Evans.

O Beelzebufo era 2 a 3 vezes maior que a Ceratophrys aurita, a maior rã sul-americana viva desta família, e 4 a 5 vezes maior que a maior rã de Madagáscar, a Mantidactylus guttulatus.

Evans diz que quando começou a suspeitar que os fragmentos de Madagáscar provinham de uma rã relacionada com a família sul-americana Ceratophryinae, foi muito cautelosa em afirmá-lo. “Já sabia que ia ser controverso. Há pessoas que acreditam que tudo o que está em Madagáscar hoje devia já lá estar quando a ilha se separou da Gondwana há 160 milhões de anos.

Blair Hedges, biólogo da Universidade Estatal da Pennsylvania em University Park, concorda que o Beelzebufo é uma descoberta importante. “O novo fóssil, para além de ser grande e de forma estranha, é bastante inesperado devido à sua aparente relação com as espécies sul-americanas."

Mas ele diz que não está convencido que a nova descoberta esteja relacionada com as rãs da América do Sul. Os dados de datação sugerem que estas rãs divergiram de um ancestral comum há menos de 66 milhões de anos. "Com base em evidências moleculares das relações entre as rãs, a semelhança específica com algumas rãs de boca larga é provavelmente devida a convergência evolutiva e não a uma relação de parentesco."

Mesmo se forem relacionados, acrescenta ele, isso não significa que as rãs tivessem que necessariamente caminhar por terra de uma localização para a outra antes da divisão da Gondwana. “Qualquer organismo, incluindo uma rã, pode ir à boleia numa jangada de vegetação morta."

Já Evans está convencida que estão mesmo relacionadas: "São da mesma família, não tenho dúvida nenhuma." 

 

 

Saber mais:

PNAS

 

 

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