2008-02-08

Subject: Casamento entre primos pode ser bom para os filhos

 

Casamento entre primos pode ser bom para os filhos

 

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Não há dúvida: o incesto tem uma péssima reputação, nas sociedades ocidentais namoros entre primos são mal vistos, gozados e muitas vezes banidos. Estranhamente, no entanto, um novo estudo sugere que um pouco de consanguinidade pode ser benéfica para a linhagem familiar.

Os investigadores vasculharam 165 anos de registos genealógicos de mais de 160 mil casais na Islândia e descobriram que quanto mais aparentados os casais eram, mais filhos e netos tinham. Ainda assim, para os primos em primeiro e em segundo grau o panorama era sombrio: a sua descendência morria mais jovem e reproduzia-se menos.

Acasalamento fora da família é considerado benéfico porque fornece uma fonte de material genético novo, aumentando as hipóteses de a descendência herdar pelo menos uma cópia saudável de um gene, mascarando mutações deletérias existentes na família.

Sem esse influxo de material genético fresco, a probabilidade de defeitos de nascença aumenta: animais com uma taxa elevada de consanguinidade e as famílias reais estão pejados com as consequências. A consanguinidade também é considerada fonte de redução do sucesso reprodutivo da descendência.

Mas os novos resultados sugerem que as coisas nem sempre funcionam assim, diz Kári Stefánsson, da deCODE Genetics de Reykjavík e um dos autores do estudo. 

A consanguinidade foi em tempos generalizada no ocidente, especialmente nas sociedades rurais onde encontrar um parceiro fora da família podia significar longas caminhadas até à próxima vila. Casamentos entre primos direitos são comuns na actualidade em muitas culturas orientais, onde o casamento dentro da família é uma forma de evitar o pagamento de dote e consolidar os recursos familiares.

“Na sociedade ocidental há esta impressão de que a consanguinidade é uma coisa má", diz Alan Bittles, geneticista humano da Universidade de Edith Cowan em Perth, Austrália. “Mas isso só teve início depois de meados do século XIX."

Os investigadores estudaram a questão da forma como a consanguinidade enfraquece a linhagem familiar desde há décadas mas geralmente tiveram dificuldade em identificar os efeitos da consanguinidade a partir de grupos de estudo que variavam muito a nível de estatuto social e económico.

Stefánsson e a sua equipa olharam para a questão usando dados da Islândia, uma ilha com cerca de metade do tamanho do Reino Unido e com uma população espantosamente homogénea em termos de estatuto socioeconómico. 

 

Os investigadores descobriram que os primos em primeiro e segundo grau tinham mais filhos que os casais mais distantes em parentesco mas que essas crianças também morriam mais cedo e tinham menos filhos. Isso está de acordo com os dados anteriormente conhecidos que indicavam que os filhos de casamentos entre primos direitos tinham uma probabilidade de má saúde ou morte antecipada maior em 3 a 4%.

Os primos em terceiro ou quarto grau também tinham mais filhos que os casais menos relacionados mas as suas crianças tinham tendência a ser mais reprodutivas. Por exemplo, mulheres nascidas entre 1925 e 1949 que casaram com um primo em terceiro grau tiveram uma média de 3,3 filhos e 6,6 netos. Mulheres nascidas durante o mesmo período que casaram com um primo em oitavo grau ou mais distante apenas tinham 2,5 filhos e 4,9 netos, em média.

Apesar de os investigadores não terem dados mais finos sobre a saúde dessas crianças, o número de crianças que vive até ter filhos seus é frequentemente tido como um marcador genético de 'aptidão genética', pois o seu DNA é passado para as gerações seguintes. Neste contexto, os primos em terceiro e quarto grau são os que têm melhor desempenho.

O resultado pode reflectir o facto de a compatibilidade genética ser importante para a reprodução, diz Bittles. Por exemplo, a incompatibilidade Rh pode surgir quando um progenitor tem o antigene para o factor Rh e o outro não. Se o feto em desenvolvimento herdar o factor Rh do pai, pode desencadear uma reacção imunitária na mãe.

Pode-se deduzir que haja um compromisso entre os benefícios e os problemas da semelhança genética, diz Bittles. “A ideia de que deve existir um equilíbrio óptimo faz todo o sentido." 

 

 

Saber mais:

deCODE Genetics

Morcegos mantêm tudo em família

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