2008-02-07

Subject: Mais um passo em direcção aos filhos de três progenitores?

 

Mais um passo em direcção aos filhos de três progenitores?

 

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Um muito previsível circo mediático surgiu após um jornal inglês ter anunciado os cientistas criaram 'embriões com três progenitores' mas algumas das notícias não revelam o que os investigadores realmente fizeram até agora. 

Os próprios investigadores alertam para o facto de o seu trabalho, ainda por publicar cientificamente, pode ser muito prometedor mas ainda está muito longe de poder ser usado clinicamente.

Os cientistas, sediados na Universidade de Newcastle upon Tyne, receberam uma licença da Autoridade para a Fertilização Humana e Embriologia (HFEA) inglesa para realizar experiências com 'embriões com três progenitores' em Setembro de 2005. 

As experiências têm por objectivo substituir mitocôndrias geneticamente danificadas, que se encontram nos óvulos humanos como em todas as células eucarióticas, por mitocôndrias de óvulos não relacionados. A experiência foi apresentada como uma forma de ajudar mulheres com mitocôndrias doentes a terem bebés saudáveis.

O trabalho dos investigadores criou, até agora, dez embriões viáveis contendo material genético de múltiplos progenitores mas resultaram de transplantes de DNA entre embriões e não directamente para um óvulo como será necessário no futuro. Ainda não é claro se o procedimento irá funcionar normalmente em óvulos fertilizados.

A equipa diz que o progresso confirma a sua esperança de que o DNA nuclear possa ser retirado de embriões deixando para trás quase todas as mitocôndrias, um passo que será necessário no futuro para o processo.

"Nesse sentido, é óptimo que isto ofereça grande potencial e, tecnicamente, que estes embriões se possam desenvolver in vitro sugere que é possível continuar", diz o neurogeneticista Patrick Chinnery, membro da equipa que realizou as experiências.

 

A grande maioria do nosso DNA está contido no núcleo das nossas células. As mitocôndrias, pelo contrário, estão fora do núcleo e têm menos de um centésimo da quantidade de DNA do núcleo. As mitocôndrias saudáveis fornecem energia às células e as defeituosas que são passadas de mãe para filhos podem levar a uma grande variedade de doenças, incluindo atraso mental.

As experiências realizadas não foram feitas em pacientes com mitocôndrias doentes mas em embriões que sobraram de tratamentos de fertilidade. Os embriões foram destruídos após 6 dias de desenvolvimento em laboratório, para que pudessem ser analisados, explica Chinnery.

No procedimento que se planeia aplicar a pacientes, os médicos iriam combinar primeiro o material genético de uma mulher com o do espermatozóide de um homem. O zigoto resultante conteria DNA nuclear de ambos os progenitores, bem como as mitocôndrias doentes da mulher. Os cientistas removeriam, então, o DNA nuclear do zigoto, deixando as mitocôndrias doentes, e transplantá-lo-iam para um segundo óvulo, a que teria sido removido o núcleo mas que mantinha as suas mitocôndrias saudáveis.

"Ainda existem várias questões científicas que temos que resolver, em termos de eficácia e em termos de aplicação a óvulos e zigotos e não a embriões", diz Chinnery.

Chinnery referiu que o trabalho ainda está a decorrer, tendo sido apresentado pela primeira vez sob a forma de poster na semana passada, num encontro de investigação médica no Reino Unido. Para ele, antes que este tipo de procedimento possa ser usado em pacientes, terá que haver consultas públicas para eliminar questões éticas. 

 

 

Saber mais:

Human Fertilisation and Embryology Authority

Newcastle Fertility Centre at Life

 

 

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