2008-02-05

Subject: Peixes ajudam a espalhar sementes

 

Peixes ajudam a espalhar sementes

 

   

Quando se trata de estudar a dispersão das sementes em florestas, mamíferos e aves são os suspeitos habituais.

No entanto, no Pantanal brasileiro, a maior zona húmida de água doce do mundo, os peixes têm, afinal, um papel espantoso na distribuição das sementes das plantas tropicais.

As práticas de pesca nestas zonas, portanto, não afectam apenas os peixes, revelam os investigadores que relatam a descoberta, mas também a floresta.

Nos métodos tradicionais de dispersão de sementes, primatas, roedores e aves ou comem frutos e ingerem as sementes que contêm ou transportam sementes agarradas ao corpo. Posteriormente, as sementes ou são defecadas intactas ou caem. Mas nos últimos anos os ecologistas descobriram sementes no tubo digestivo de mais de uma centena de espécies de peixes também.

No Pantanal, as plantas, incluindo palmeiras e leguminosas, têm tendência para libertar os seus frutos durante a altura do ano em que cheias monumentais são vulgares e as águas cobrem milhares de quilómetros quadrados. 

Os frutos caem das árvores para a água e o pacu Piaractus mesopotamicus, um dos peixes mais comuns do Pantanal, migram muito para o interior durante as cheias e comem a fruta. Os pescadores locais capturam-nos muitas vezes colocando fruta nos anzóis.

Mauro Galetti, da Universidade Estatal de São Paulo, resolveu verificar se estes peixes estavam a transportar sementes intactas, que defecariam em zonas que ficam a seco quando a cheia recua.

Ele explorou o intestino de 70 peixes recolhidos na Fazenda Rio Negro, uma fazenda gerida pela Conservation International na região da Nhecolândia, uma área ecologicamente diversificada do Pantanal onde há abundância de vida selvagem. O que encontrou foi uma correlação positiva entre o tamanho dos peixes e o número de sementes intactas no seu estômago: mais de 141 sementes de palmeira tucum foram encontrados nos indivíduos maiores.

 

Galetti também realizou um estudo de 4 anos de 54 vertebrados frugívoros, desde tapires e macacos a tucanos e pacus, e observou 23 plantas produtoras de frutos durante centenas de horas para determinar que animais comiam o quê. 

De seguida recolheu as fezes de todos esses animais e analisou-as para ver se as sementes germinavam em condições naturais. Dos dados recolhidos, diz Galetti, parece que a palmeira tucum depende quase totalmente dos serviços de dispersão de sementes do pacu. “É espantoso mas para algumas plantas, o pacu parece ser o principal agente de dispersão."

Esta é uma descoberta preocupante, porque o as populações de pacu estão em rápido declínio. Os peixes maiores, que são os melhores nadadores e com maior capacidade de dispersão de sementes durante a cheia, são os que têm maior probabilidade de ser capturados por pescadores.

Ironicamente, as leis de conservação podem estar a agravar a situação: no Brasil, os peixes grandes são os que é permitido capturar e só os pacus com menos de 40 cm de comprimento são protegidos por lei. “Uma gestão das pescas como esta deve estar a ser prejudicial para a floresta pois os peixes maiores que comem fruta são os melhores dispersores", diz Galetti.

“Este é o primeiro estudo que conheço que sugere uma associação entre ecossistemas aquáticos e terrestres onde a pesca pode estar a ter impacto sobre a floresta tropical", diz o ictiologista Bill Pine, da Universidade da Florida, Gainsville. Seguir os típicos mamíferos e aves já não é suficiente, os peixes também são importantes para a floresta.

“Penso que as selvas africana e amazónica precisam de ser extensivamente estudadas em busca de ecossistemas destes", diz Galetti. “A distribuição das sementes por peixes é provavelmente bem mais comum do que nos apercebemos até agora." 

 

 

Saber mais:

Escadas para peixes conduzem à morte

Frutos de plástico podem ajudar a restaurar a floresta tropical

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!

simbiotica.org  |  Arquivo Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2008

Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com