2008-01-31

Subject: O pequeno laboratório dos horrores

 

O pequeno laboratório dos horrores

 

   

As plantas carnívoras não são os primeiros organismos que vêm à ideia quando se anda em busca de compostos biomédicos. 

No entanto, como algo saído da ficção científica, os investigadores estão a descobrir enzimas nos fluidos digestivos das plantas carnívoras que podem revelar-se úteis no controlo de infecções.

A maioria das plantas crescem absorvendo nutrientes como azoto, fósforo e potássio do solo mas para aquelas que têm a pouca sorte de viver em regiões onde os solos não têm esses nutrientes, evoluíram soluções alternativas, como órgãos que capturam, matam e digerem insectos.

Alguns destes órgãos desenvolveram-se como bocas espinhosas que se fecham sobre o insecto incauto quando ele pousa sobre elas, outros parecem folhas normais mas cobertas com substâncias do tipo papel pega-moscas, outros ainda, como os da planta Nepenthes alata, são jarros escorregadios que funcionam como armadilhas em forma de poço. 

A Nepenthes alata utiliza uma combinação de cores brilhantes e aromas adocicados para atrair insectos para o seu jarro, onde paredes laterais escorregadias e um poço fundo cheio de fluidos ácidos aprisionam e matam as vítimas.

O fluido da base da armadilha há muito que se suspeitava conter enzimas digestivas. Investigações anteriores já tinham confirmado esse facto mas exactamente que enzimas lá se encontravam ainda não. “A digestão na plantas-jarro tem sido activamente estudada desde há 150 anos e ainda não sabemos como funciona pois é um processo tão complexo", diz Chris Frazier, da Universidade do Novo México em Albuquerque.

Agora, Naoya Hatano, do Harima Institute de Riken, e Tatsuro Hamada, da Universidade de Ishikawa no Japão, identificaram sete proteínas no fluido das plantas carnívoras.

Eles criaram plantas carnívoras no seu laboratório e recolheram o fluido de jarros recém-abertos de modo a impedir contaminações por parte de insectos capturados. Seguidamente utilizaram electroforese de gel de poliacrilamida para separar as proteínas e espectrometria de massa para identificar que tipo de enzimas seriam. 

 

Como algumas das enzimas que descobriram eram muito invulgares, investigaram as bases de dados de proteínas para encontrar enzimas com estrutura semelhante e notaram que algumas não seriam enzimas digestivas.

Hatano e Hamada descobriram que ainda que três das enzimas fossem certamente capazes de digerir insectos, as outras desempenham provavelmente um papel de preservação da presa, visto que são aparentadas de próximo com enzimas que impedem a infecção por parte de fungos e bactérias noutras plantas.

A ideia de enzimas preservadoras nos sucos digestivos pode não parecer fazer muito sentido à primeira mas estas plantas consomem os insectos muito lentamente, logo competem com as bactérias que crescem no insecto, roubando os nutrientes à planta, explica Hamada. Cobrir a presa com enzimas anti-bacterianas deixa mais insecto disponível para a planta retirar os nutrientes.

“Estas enzimas podem potencialmente ser úteis na prevenção de infecções fúngicas e bacterianas", diz Hamada. No entanto, são necessárias mais pesquisas para que se perceba o seu pleno potencial para a agricultura e para a medicina, acrescenta ele.

“Se as bactérias e os fungos ajudam ou prejudicam a digestão ainda não é claro", salienta Frazier. Tal como as bactérias no intestino humano, elas podem estar a ajudar no processo digestivo. 

As novas proteínas podem servir para limitar a actividade bacteriana como Hamada sugere mas é igualmente possível que tenham uma outra função ainda não compreendida. “Saber que elas lá estão já é um grande passo realmente, agora temos que saber o que lá estão a fazer", diz Frazier. 

 

 

Saber mais:

International Carnivorous Plant Society

 

 

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