2008-01-27

Subject: Segredos do voo das aves revelados

 

Segredos do voo das aves revelados

 

   

Os cientistas acreditam que podem estar um passo mais perto de resolver o mistério da forma como as primeiras aves conquistaram os ares.

Um estudo agora publicado na revista Nature sugere que a chave da compreensão da evolução do voo das aves está no ângulo a que o animal bate as asas.

A equipa de investigadores americanos descobriu que as aves movem as asas sempre no mesmo ângulo estreito, quer estejam a correr, a voar ou a planar. Concluíram, por isso, que as primeiras aves podem ter começado a voar simplesmente porque aprenderam a bater as asas no ângulo certo.

A pesquisa foi desenvolvida por Ken Dial, Brandon Jackson e Paolo Segre, todos do Laboratório do Voo da Universidade do Montana. Dial comenta: "Tem havido grande interesse na origem das aves e do voo das aves desde há pelo menos um século e meio mas penso que, infelizmente, tudo começou com uma abordagem desadequada."

Os cientistas que investigam esta área têm tendência para pertencer a um de dois campos, diz ele: aqueles que acreditam que as aves a aprenderam a voar 'de cima para baixo', ou seja, caindo das árvores e planando; ou aqueles que pensam que as aves conquistaram os céus 'de baixo para cima', ou seja, batendo as asas, possivelmente para escapar a predadores.

No entanto, ambos os cenários sugerem que as aves precisariam primeiro de adquirir uma vasta gama de movimentos das asas para serem capazes de voar.

Em 2003 Dial e os seus colegas já tinham publicado um artigo que revelava que as aves utilizam as suas asas quando sobem a correr inclinações íngremes. "Esta foi uma descoberta importante, porque as aves mostram um comportamento que não tínhamos apreciado antes."

"As aves não usam as asas apenas quando voam ou apenas as patas quando correm em terreno plano. De facto, utilizam ambos os pares de membros para as ajudar a escalar inclinações íngremes, sejam elas um pedregulho, uma árvore ou um penhasco."

Esta nova investigação, continua ele, veio revelar a segunda parte da história.

Utilizando vídeo de alta velocidade, Dial estudou os movimentos da asas de uma ave parecida com a perdiz, chamada chukar, enquanto a ave subia a correr inclinações acentuadas, planava de volta para baixo e voava. "Para minha surpresa, os dados recolhidos mostravam que não mudavam de todo o ângulo das asas."

 

"Este é um desses momentos em que batemos na testa e dizemos: 'Temos vindo a pensar nos batimentos das asas como altamente específicos para os diferentes movimentos mas afinal a Mãe Natureza apenas precisa de um tipo de batimento de asa para permitir todos estes comportamentos'."

A equipa de investigadores descobriu o mesmo ângulo estreito quando estudou uma enorme variedade de espécies de aves, bem como os movimentos das asas de juvenis a prender a voar.

Ainda que os juvenis tenham asas pequenas e sejam incapazes de voar, a equipa descobriu que quando correm ao longo de inclinações acentuadas batem as asas no mesmo ângulo que as aves mais velhas, para as ajudar a ganhar velocidade na subida.

Também mantêm as asas no mesmo ângulo quando deslizam ou planam para baixo ao longo da mesma inclinação. 

Os investigadores acreditam que as primeiras asas das aves recém-nascidas são semelhantes às proto-asas parcialmente formadas encontradas em alguns dinossauros. 

Dial diz que os dinossauros podem ter desenvolvidos asas para os ajudar a deslocar-se sobre rochas e outros obstáculos que lhes surgiam. À medida que as suas asas se tornavam maiores e fortes o suficiente para suportar o seu peso, bate-las no ângulo certo ter-lhes-ia permitido levantar voo. Dial refere: "Esse simples batimento de asas parece ser elementar na evolução e ecologia das aves." 

 

 

Saber mais:

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