2008-01-23

Subject: Transplantes de órgãos sem rejeição

 

Transplantes de órgãos sem rejeição

 

   

Três equipas independentes de investigadores realizaram com sucesso transplantes de órgãos que não exigiram que o receptor tivesse que enfrentar uma vida inteira de medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição.

Pelo contrário, as novas técnicas impedem a rejeição treinando o sistema imunitário a reconhecer o novo órgão como seu.

Os três estudos, publicados esta semana na revista New England Journal of Medicine, são preliminares e envolvem apenas alguns pacientes mas se as técnicas puderem ser reproduzidas numa população maior podem eliminar um dos maiores problemas da operação: a necessidade de continuar a tomar medicamentos, muitas vezes perigosos, imunossupressores.

Milhares de transplantes de rim são realizados todos os anos e perto de 99% dos pacientes americanos ainda estão vivos um ano após a operação. Mas mesmo quando o órgão é doado por um parente próximo, o receptor precisa frequentemente de tomar imunossupressores para o resto da vida, como forma de impedir a rejeição. Esses medicamentos ajudam a impedir a rejeição mas aumentam o risco de infecção e são muito caros.

Trabalhos anteriores em animais tinham sugerido algumas formas de evitar a toma desses medicamentos. Ratos e macacos que receberam transplantes de órgãos associados a uma infusão de células estaminais sanguíneas podiam, por vezes, deixar de tomar os imunorrepressores.

As células estaminais sanguíneas são formadas na medula óssea e originam glóbulos brancos, incluindo os linfócitos B produtores de anticorpos e os linfócitos T capazes de distinguir dador de receptor. Os investigadores descobriram que transplantando essas células para o receptor criava um sistema imunitário híbrido e o órgão transplantado deixava de ser visto como estranho, pois era parcialmente 'eu'.

Os novos estudos seguem este princípio, ainda que não utilizem o mesmo processo.

Michael Stormon, do Children’s Hospital de Westmead em Sydney, relata um transplante de fígado numa rapariga de 9 anos com hepatite. A doença dela, mais um vírus chamado citomegalovírus de que era portadora e os medicamentos imunossupressores depois da operação, tinham enfraquecido o sue sistema imunitário de tal forma que as suas células imunitários foram quase completamente substituídas pelas células estaminais que vinham com o fígado dador.

A menina teve mesmo que voltar a ser vacinada contra o sarampo e a papeira pois o doador não tinha sido vacinado. Ela pode deixar de tomar imunossupressores um após a operação e não tem tido qualquer tipo de complicações nos 4 anos seguintes.

Samuel Strober, da Universidade de Stanford, criou uma situação semelhante num paciente que recebeu um rim do seu irmão. O paciente foi tratado com radiação e medicamentos que destruíram os seus linfócitos T. Seguidamente recebeu um novo rim e uma infusão de sangue enriquecido com células estaminais, ambas do seu irmão.

 

Os testes genéticos revelaram a presença das células imunitárias do irmão em circulação no sangue do receptor mais de 2 anos após a operação. O paciente deixou de tomar imunossupressores sem qualquer sinal de rejeição.

Finalmente, David Sachs, do Massachusetts General Hospital de Boston, relata transplantes de rim e medula óssea em cinco pacientes cujos dadores lhes eram desconhecidos, o que torna a rejeição mais difícil de evitar.

Dos primeiros 3 pacientes sujeitos ao procedimento, os anticorpos de um rejeitaram o órgão na primeira tentativa, ainda que a segunda tentativa tenha sido bem sucedida. Devido a isso, os investigadores acrescentaram um medicamento extra ao seu protocolo, que destruiu os linfócitos B do receptor nos dois doentes seguintes. Todos os 4 pacientes com transplantes iniciais bem sucedidos puderam deixar de tomar imunossupressores menos de um ano após a operação.

Surpreendentemente, estes pacientes não continuaram a produzir as células imunitárias do dador. Não é claro o motivo exacto porque estes doentes não rejeitaram os seus novos rins, diz Sachs.

Os transplantes de medula óssea têm os seus próprios riscos mas os benefícios suplantam-nos, diz Strober. “Os riscos potenciais a curto prazo podem ser postos lado a lado com os riscos a longo prazo e aos efeitos secundários e custos dos medicamentos imunossupressores."

Os investigadores estão a preparar-se para continuar o estudo em mais pacientes. Strober diz que se tudo correr bem, a técnica pode ser disponibilizada a todos no prazo de 5 a 10 anos.

Todos os 3 estudos ilustram uma emergente compreensão da forma como o sistema imunitário pode ser treinado para tolerar células estranhas, diz Thomas Starzl, imunologista e especialista em transplantes da Universidade de Pittsburgh na Pennsylvania. Há 40 anos que os investigadores transplantam órgãos com sucesso sem compreender plenamente a forma como o sistema imunitário lhes responde, diz ele.

“Ninguém compreendia qual o mecanismo de tolerância era", diz Starzl, nem a forma como os órgãos se tornavam parte do tecido do corpo do receptor. Ao compreender esses mecanismos torna-se possível ajustar procedimentos de forma a termos o máximo de benefícios, diz ele. 

 

 

Saber mais:

The Organ Procurement and Transplantation Network

Coração 'fantasma' bate de mansinho

Células estaminais tratam anemia em ratos

Cientistas encontraram os 'travões' do sistema imunitário

 

 

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