2008-01-20

Subject: Vulcão antárctico pode acelerar degelo

 

Vulcão antárctico pode acelerar degelo

 

   

Os cientistas descobriram um vulcão activo debaixo do gelo antárctico, cuja última erupção foi há apenas 2 mil anos. 

O ponto quente está debaixo da região de Pine Island no manto de gelo ocidental da Antárctica, onde os glaciares estão a recuar mais rapidamente do que em qualquer outro local no continente. Esta dramática descoberta pode ajudar a explicar esta perda particularmente rápida de gelo.

Apesar de o Antárctico ser frequentemente considerado uma massa enorme mas inerte de neve e gelo, o continente é conhecido dos geólogos como o lar de vários vulcões activos, alguns dos quais assomam acima do gelo. O Monte Erebus, na ilha Ross no mar de Ross, é o vulcão activo mais famoso da zona, sendo a sua contínua actividade sido observada desde a década de 70 do século passado.

Esta actividade vulcânica levou alguns geólogos a suspeitar que vulcões escondidos sob o gelo podem afectar a forma como os glaciares derretem e deslizam no continente mas não tinha sido confirmada a existência de pontos quentes, até agora.

Hugh Corr e David Vaughan, do British Antarctic Survey, analisaram dados de RADAR recolhidos através de um estudo aéreo da zona realizado há 3 anos. Ficaram espantados por um sinal excepcionalmente forte que mostrava a reflexão do RADAR numa camada a meia altura no gelo, uma reflexão ainda mais forte que a proveniente da rocha mais abaixo. 

A única explicação válida para esta situação é que o gelo contém uma camada de cinzas de uma erupção vulcânica recente, concluíram eles num artigo publicado na edição mais recente da revista Nature Geoscience.

“Isto é uma pequena sensação", diz Karsten Gohl, geofísica no Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research de Bremerhaven, Alemanha. “Nós já suspeitávamos de vulcanismo activo na região mas agora temos provas sólidas."

A equipa inglesa estima que entre 0,019 e 0,31 quilómetros cúbicos de tephra (fragmentos soltos de cinza vulcânica) lançados por uma erupção ocorrida por volta de 325 a.C. 

“Provavelmente foi a maior erupção vulcânica na Antárctica nos últimos 10 mil anos", diz Vaughan. “Deve ter feito um enorme buraco no manto de gelo e gerado um pluma de cinzas e gases com 12 Km de altura. ”As cinzas, depositadas sobre uma área do tamanho do País de Gales, foram posteriormente enterradas pelas quedas de neve."

 

A equipa determinou a data da erupção fazendo um modelo da taxa a que a neve se poderia ter acumulado sobre a cinza e analisando a profundidade de gelo presente sobre as cinzas actualmente. A estimativa da dimensão da erupção é uma estimativa grosseira, admitem eles. “É apenas a melhor estimativa", diz Vaughan. “Um dia espero que tenhamos a possibilidade de realizar uma perfuração e descobrir."

Outras erupções sub-glaciares podem ter ocorrido recentemente na vizinhança mas evidências da sua existência podem ser difíceis de encontrar. A maioria das camadas de cinzas devem já ter sido arrastadas para o mar pelo gelo em recuo rápido. 

Gohl diz que durante uma expedição planeada para 2010 ao lado ocidental da Antárctica irá procurar vestígios de material vulcânico nos sedimentos oceânicos.

O glaciar de Pine Island está a encolher em comprimento mais de um quilómetro por ano e em espessura vários metros, à medida que os glaciares se deslocam para o oceano. Se toda esta zona perder todo o gelo deste glaciar gigantesco, o nível do mar subiria 1,5 metros em todo o mundo.

Os cientistas pensam que a maioria do degelo ocorre em resultado do aquecimento das águas oceânicas, o que acelera a quebra dos icebergues no mar mas a existência de vulcanismo activo nesta zona do oeste da Antárctica sugere que o calor geotérmico, que aquece os glaciares por debaixo, também pode desempenhar um papel importante nesta região em degelo acelerado.

“Uma condição muito básica, até que ponto está quente debaixo dos glaciares, veio mudar com esta descoberta", diz Sridhar Anandakrishnan, glaciologista da Universidade Estatal da Pennsylvania em University Park. “Qualquer um que queira fazer um modelo do fluxo de gelo através do oeste da Antárctica no futuro tem que levar isto em conta." 

 

 

Saber mais:

Nature Geoscience

BAS

Perda de gelo na Antárctica acelera

Glaciares num mundo estufa

 

 

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