2008-01-19

Subject: Gémeas fornecem células estaminais leucémicas

 

Gémeas fornecem células estaminais leucémicas

 

   

Olivia e Isabella MurphyOs investigadores conseguiram identificar as células na origem da forma mais comum de cancro infantil, a leucemia linfoblástica aguda.

Agora que as células foram identificadas, podem ser utilizadas como alvo no desenvolvimento de novas terapias ou como sentinelas que permitam seguir a progressão da quimioterapia.

Alguns cancros, incluindo a leucemia, têm origem numa pequena população de células designadas por alguns investigadores por células estaminais cancerígenas. 

Ainda que o conceito tenha gerado controvérsia, a hipótese diz que apenas algumas destas células são suficientes para produzir um cancro, o que significa que a quimioterapia e outros tratamentos com o objectivo de erradicar tumores têm que destruir praticamente todas estas células para serem eficazes.

“POdemos ver-nos livres de praticamente todo o tumor com a quimioterapia mas a não ser que nos livremos das células estaminais cancerígenas, o cancro vai voltar a crescer", diz Tariq Enver, biólogo do cancro na Universidade de Oxford. Enver compara o processo a um jardim com ervas daninhas: “É crucial matarmos as raízes."

Enver foi em buscas das raízes da leucemia linfoblástica aguda ao estudar um par de gémeas: uma das meninas, Isabella Murphy, é saudável, enquanto a outra, Olivia, foi diagnosticada com leucemia quando tinha 2 anos.

As gémeas são idênticas e desenvolveram-se no interior de um âmnio partilhado, o que permitiu trocas de células entre Olivia e Isabella, possivelmente incluindo as 'células pré-leucémicas' iniciais de Olivia e que mais tarde originaram a sua doença.

Os pacientes com leucemia linfoblástica aguda apresentam frequentemente uma alteração cromossómica que ocorre espontaneamente durante o desenvolvimento e leva a que dois genes se fundam. As células de Olivia têm esta alteração.

Enver isolou um subconjunto de células contendo esta fusão de genes e transplantou um pequeno número delas para ratos com sistemas imunitários deficientes. Os ratinhos desenvolveram uma doença semelhante à leucemia, sugerindo que este subconjunto de células podia ser o das células estaminais leucémicas.

Os investigadores quiseram depois seguir a linhagem de células cancerosas ainda mais para trás, para antes de se tornarem malignas. Para isso viraram-se para Isabella. “A gémea saudável dá-nos uma forma de ver o passado, o momento em que tudo começou", diz Enver. "Existia a possibilidade de ela poder ter células pré-leucémicas."

 

Descobriram uma pequena população de células em Isabella que também continha a fusão dos genes. Várias características destas células sugeriam que eram predecessoras imaturas das células cancerosas encontradas em Olivia. Enver baptizou-as 'células estaminais pré-leucémicas'.

Para Isabella, a presença das células aumenta ligeiramente a possibilidade de que desenvolva leucemia. Enver estima as probabilidades em cerca de 10%, mas salienta que esta estimativa é pouco mais do que um palpite. A presença dos genes fundidos é apenas uma numa série de mutações que devem ocorrer para que surja leucemia. À cautela, Isabella já faz testes regulares de despistagem de cancro.

Enver não recomenda que testar para a presença de células pré-leucémicas seja uma forma de detectar a doença em todas as crianças. “A frequência de transição entre pré-leucemia e leucemia é baixa, penso que daí apenas resultaria muita ansiedade sem grandes benefícios."

Ainda assim, a investigação fornece um vislumbre raro e importante para as primeiras etapas do cancro, diz Peter Dirks, biólogo do cancro no Hospital for Sick Children de Toronto, Canadá. "É uma das primeiras oportunidades de estudar a evolução do cancro."

Enver especula que a presença de células estaminais leucémicas ou pré-leucémicas pode explicar a diferença entre as recaídas imediatas iu posteriores após períodos de remissão em diferentes pacientes. 

Se a quimioterapia deixa para trás células estaminais leucémicas, elas só precisam de voltar a proliferar para causar a recaída. Se a quimioterapia mata todas as células estaminais leucémicas mas deixa algumas células estaminais pré-leucémicas, estas têm que acumular mais mutações antes de voltar a desencadear o cancro, um processo que pode ser consideravelmente mais longo. “A ameaça pode estar escondida em dois níveis", diz Enver.

Se esta hipótese se confirmar, estas células podem ser seguidas como forma de determinar até que ponto a quimioterapia está a ser bem sucedida. 

 

 

Saber mais:

Células estaminais tratam anemia em ratos

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