2008-01-17

Subject: Embriões humanos clonados a partir de células adultas

 

Embriões humanos clonados a partir de células adultas

 

   

Uma companhia californiana levou a investigação sobre a clonagem humana a um novo nível ao produzir de forma eficiente blastocistos humanos clonados.

A companhia Stemagen de La Jolla, Califórnia, espera que o seu sucesso seja o primeiro passo em direcção à utilização de técnicas de clonagem para investigação biomédica e, potencialmente, terapias. Mas primeiro precisam de passar ao próximo passo, utilizar esses blastocistos para estabelecer linhagens de células estaminais embrionárias que se propaguem a si próprias que, como clones que são, sejam idênticas a um dado paciente.

Não é a primeira vez que são anunciados blastocistos humanos clonados mas não com este nível de sucesso. Os cinco blastocistos clonados produzidos pela Stemagen são os primeiros a ser obtidos a partir de células adultas, neste caso de fibroblastos masculinos.

O investigador coreano Woo Suk Hwang alegou em 2004 e 2005 não só ter criado blastocistos humanos clonados mas também ter produzido linhagens de células estaminais a partir deles. Os seus resultados vieram a revelar-se fraudulentos, no entanto.

Em Maio de 2005, Miodrag Stojkovic, da Universidade de Newcastle, relatou que três embriões clonados da sua autoria tinham atingido a fase de blastocisto mas não conseguiu produzir uma linhagem celular. A equipa de Stojkovic utilizou células estaminais embrionárias de embriões sobrantes de procedimentos de fertilização in vitro, um feito menos impressionante porque as células já estavam num estado flexível e porque não eram compatíveis com a genética de um paciente.

Stojkovic, agora do Laboratório de Reprogramação Celular do Centro de Investigação Príncipe Felipe de Valência, e um editor associado da Stem Cells, diz que esta é "uma enorme diferença" do que o seu grupo alcançou. Stojkovic cumprimentou o grupo por realizar testes genéticos extensos, pois um dos blastocistos confirmou a sua identidade através deles. “Depois de Hwang, o campo está muito sensível”, diz ele. “Com estas análises não há dúvida que pelo menos um embrião é um clone verdadeiro."

Robert Lanza, do Advanced Cell Technology de Los Angeles, Califórnia, um concorrente no campo, diz que o artigo não tem os dados que mostrem que as células foram reprogramadas com sucesso e que os blastocistos resultantes estão em boas condições. Segundo ele, as fotos dos blastocistos mostram-nos "com ar muito pouco saudável".

Ainda que a maioria dos investigadores tenha concordado em não usar técnicas de clonagem para produzir bebés humanos, existem receios de que este tipo de trabalho possa abrir a porta para a clonagem reprodutiva, diz Marcy Darnovsky, do Centro de Genética e Sociedade, um grupo de controlo dos cientistas com sede em Oakland, Califórnia.

 

O principal autor do estudo, Andrew French, atribui o sucesso da sua equipa à qualidade dos óvulos que utilizou. A companhia instalou um laboratório ao lado de um centro de fertilidade, o que lhes permitiu trabalhar com óvulos doados por mulheres no espaço de 2 horas após a extracção. Os seus blastocistos bem sucedidos provêm de 20 a 30 óvulos.

Tecnologicamente não houve nada de verdadeiramente novo nesta experiência, admite French. A equipa não utilizou a técnica de visualização ultramoderna que uma equipa do Oregon alega ser crucial para o seu sucesso na criação de uma linhagem de células estaminais embrionárias criada a partir de blastocistos de macaco clonados, relatada em Novembro de 2007.

French diz que não há patentes associadas a este feito mas a companhia espera fazer dinheiro através de acordos com farmacêuticas que queiram ter acesso a linhagens de células estaminais específicas para certas doenças.

Surpreendentemente, o grupo enviou todos os cinco blastocistos para testes de DNA independentes, prevendo já a hipótese de se alcançar o objectivo último, o estabelecimento de uma linhagem de células estaminais embrionárias. French diz que pretendiam "ter a certeza que tinham o DNA certo no blastocisto" e eliminar a possibilidade de contaminação.

Dado que só 10 a 20% desses blastocistos devem produzir linhagens de células estaminais, French diz que não pensa que haja muitas hipóteses. “Nós tínhamos adorado ir em busca do Santo Cálice e obter a linhagem de células estaminais mas queríamos ter esta etapa bem definida antes."

O perito em células estaminais de Harvard George Daley descreve o artigo como "um importante primeiro passo" mas considera que o verdadeiro teste será a derivação de linhagens de células estaminais embrionárias clonadas.

Os investigadores do campo continuam a ter duas abordagens paralelas à produção de linhagens de células estaminais idênticas a um paciente. Alguns, como a Stemagen, usam a clonagem, outros estão a tentar ultrapassar os óvulos e os embriões completamente e tentar reprogramar células adultas para se tornarem directamente células estaminais semelhantes às embrionárias. 

 

 

Saber mais:

Stemagen

California Institute of Regenerative Medicine

Advanced Cell Technology

 

 

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