2008-01-13

Subject: Glaciares num mundo estufa

 

Glaciares num mundo estufa 

 

   

Uma enorme calota de gelo parece ter-se formado na Antárctica há cerca de 91 milhões de anos, durante um período de extremo aquecimento devido ao efeito de estufa.

O Turoniano, uma subsecção do Cretácico que vai desde 93,5 milhões a 89,3 milhões de anos, foi um dos períodos mais quentes desde que há vida na Terra. As temperaturas superficiais dos oceanos tropicais rondavam os 34-37ºC, mais de 5ºC mais quente que o actual. Mesmo as águas que envolviam a Antárctica estavam a cerca de 20ºC, quentes o suficiente para lá viverem crocodilos, em vez dos actuais pinguins.

Assumiu-se que este período, onde se pensa que a atmosfera contivesse 3 a 10 vezes o nível actual de gases de efeito de estufa, não teria grandes glaciares nos pólos mas isto parece ser errado, relatam investigadores na última edição da revista Science.

“É estimulante e informativo pensar acerca do tipo de condição climática que geralmente permitem a formação de calotes de gelo polares", diz Michael Oppenheimer, geólogo da Universidade de Princeton em Nova Jérsia. “Mas devemos ser muito cautelosos na elaboração de analogias entre a história antiga da Terra e os tempos modernos." Há demasiado pouco em termos de factores comprovados acerca destes acontecimentos antigos para se poder extrapolar algo para a actualidade.

Uma equipa internacional, liderada pelo geólogo André Bornemann da Universidade de Leipzig, Alemanha, analisou os sedimentos do fundo do Atlântico tropical e descobriu que há 91,2 milhões de anos a água do mar passou a conter uma proporção maior de oxigénio pesado. 

A melhor explicação para este facto é, dizem eles, que os isótopos mais leves evaporaram preferencialmente e ficaram, posteriormente, aprisionados no gelo que se formou nos pólos devido à queda de neve.

Esta conclusão é consistente com outro tipo de dados que sugerem que o nível do mar desceu até 40 metros mais ou menos na mesma altura. Um acumular de gelo polar é uma possível explicação para isso.

A equipa sugere que grandes glaciares cobriram partes da Antárctica, que já estava na sua actual posição polar, durante cerca de 200 mil anos. Os glaciares eram provavelmente cerca metade da actual calote de gelo da Antárctica e, ao contrário de hoje, não atingiam o mar.

 

O que é mais intrigante para os investigadores é como foi desencadeado o crescimento dos glaciares durante um período de aquecimento global intenso. Uma possível explicação, diz Bornemann, é que um ciclo da água intensificado pelo clima de efeito de estufa tenha levado ao aumento da queda de neve sobre as montanhas e planaltos elevados da Antárctica.

Mas os investigadores pensam que esta actividade hidrológica intensificada durou mais tempo do que os 200 mil anos de duração da calote de gelo. Logo outro tipo de fenómeno de menor duração também deve ter estado activo, talvez um conhecido ciclo de 400 mil anos na excentricidade da órbita terrestre também tenha ajudado a arrefecer os pólos, especulam os geólogos.

O trabalho deve ajudar a aumentar a compreensão da forma como se formam as calotes de gelo se formam, persistem e derretem.

A maioria dos modelos do clima actual sugerem que a grande maioria do gelo antárctico, que se localiza a leste de uma cordilheira que corre ao longo do continente, não deve colapsar mesmo enfrentando um aquecimento muito substancial, mas a zona para oeste já não é tão segura.

"O que realmente nos preocupa é o destino dos bancos de gelo menores e muito mais vulneráveis que ficam para oeste da Antárctica e da Groenlândia, que pensamos que possam desaparecer por completo até ao final deste século", diz Oppenheimer.

Os dados deste estudo não são precisos o suficiente para ajudar a determinar se e quando o gelo irá derreter. "Podemos perder rapidamente todo o gelo do lado ocidental da Antárctica e da Groenlândia e ainda assim não encontrarmos inconsistências com este estudo", diz Oppenheimer. 

 

 

Saber mais:

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