2008-01-10

Subject: O gene que torna o sexo mortal

 

O gene que torna o sexo mortal 

 

   

Alguma vez se sentiu com pouca sorte no amor? Pois pode ter a certeza que está melhor que o verme nemátodo Caenorhabditis elegans

Quando as estirpes havaiana e de Bristol deste verme acasalam uma com a outra, a sua descendência é que paga o preço: uma incompatibilidade genética mata um quarto da descendência e no entanto os genes responsáveis por este resultado brutal parecem estar a ser conservados pela selecção natural.

Os investigadores descobriram que os embriões de C. elegans infelizes o suficiente para não terem um gene conhecido por zeel-1, morrem cedo no desenvolvimento embrionário se o seu progenitor macho lhes entregar uma metafórica bomba sob a forma de um composto produzido por uma versão incompatível de outro gene, o peel-1, no seu esperma.

Hannal Seidel, da Universidade de Princeton em Nova Jérsia, descobriu esta bizarria da natureza por acidente, quando cruzou vermes para uma outra experiência. 

Ao descobrir que um em cada quatro embriões estava a morrer, ela suspeitou que a genética podia ser a responsável, pois os padrões de herança genética mendeliana implicam que algumas situações afectem exactamente 25% da descendência. Lançou-se então ao trabalho de acasalar vermes diferentes para verificar o que acontecia à sua descendência.

O verme nemátodo C. elegans é quase sempre hermafrodita e quase sempre reproduz-se sozinho. Ocasionalmente, um destes vermes produz um verdadeiro macho (nunca uma fêmea), que pode reproduzir-se sexuadamente com outros vermes, uma situação tão pouco frequente como uma vez em cada mil gerações.

 

O gene zeel-1 em falta, deixa os embriões sensíveis a uma molécula desconhecida que impede o desenvolvimento, provém da estirpe havaiana. Entretanto, o gene para o esperma mortífero provém da estirpe de Bristol, logo quando machos Bristol acasalam com os hermafroditas havaianos o resultado pode ser fatal, ainda que ambos os tipos de vermes sejam encontrados juntos por todo o mundo.

É a raridade do sexo que provavelmente permite que o gene letal se perpetue, em vez de desaparecer do genoma, considera Leonid Kruglyak, líder do estudo.

Os autores sugerem que algum tipo de benefício desconhecido na presença destes genes pode estar a contrapor os custos reprodutivos envolvidos na manutenção do gene. Qual será esse benefício, no entanto, permanece desconhecido. "Terá que ser uma grande vantagem devido à taxa de mortalidade", diz Patrick Phillips, da Universidade do Oregon em Eugene, que também estuda a evolução do verme C. elegans.

 

 

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