2008-01-08

Subject: Decisão sobre estatuto do urso polar adiada

 

Decisão sobre estatuto do urso polar adiada 

 

   

Funcionários do governo americano adiaram a sua decisão sobre se os ursos polares devem ser classificados como uma espécie ameaçada de acordo com a Endangered Species Act, falhando o prazo de 9 de Janeiro.

Ao contrário das avaliações anteriores, o estatuto dos ursos depende fortemente das alterações climáticas e do futuro do gelo árctico, factores que os funcionários consideram tornar a avaliação complicada.

A decisão, a ser tomada pelo Fish and Wildlife Service, depende de evidências fornecidas pelo Geological Survey, que produziu vários relatórios em Setembro de 2007. Estes incluem investigação "de ponta" e o desenvolvimento de novas metodologias, algumas pouco familiares para as pessoas que estão a avaliar essas evidências, diz Dale Hall, director do serviço de vida selvagem americano. Ele considera que é preciso mais tempo para tomar uma decisão informada.

Em Maio de 2006, a World Conservation Union listou o urso polar como 'vulnerável', o que significa que enfrenta um risco elevado de extinção na natureza. As leis das nações é que, depois, decidem que medidas devem ser tomadas para proteger os ursos.

Em Janeiro de 2007, o serviço de vida selvagem pediu ao Geological Survey que avaliasse três questões: que quantidade de gelo está a derreter, a que velocidade está a derreter e de que forma isso afectará os ursos polares?

Responder a estas questões aparentemente simples foi um desafio, não apenas porque o clima futuro é difícil de prever mas também porque os dados sobre os ursos são tão escassos. Pouco se sabe acerca dos ursos que vivem nas regiões mais remotas, como a bacia árctica no topo do mundo. Entre as 19 subpopulações que se encontram pelo Árctico, há 3 cujo efectivo nunca foi avaliado e é desconhecido.

"O objectivo foi tentar extrair a maior quantidade possível de informação dos dados que temos", diz Steven Amstrup, líder do grupo de investigação sobre ursos polares do Geological Survey de Anchorage, Alaska.

Amstrup avaliou o efeito de cada um dos factores de stress individualmente, como a caça e a perda de gelo, e utilizou o 'modelo de rede Bayes' para estimar a probabilidade de os diferentes desfechos aos factores de stress. Descobriu que o declínio do gelo marinho se sobrepôs a todos os restantes factores e que várias populações de ursos polares, incluindo as que se encontram ao longo do sul do Mar de Beaufort no norte do Alsska, deveriam desaparecer no final desta história.

O modelo leva em conta outros estudos conduzidos pelo Geological Survey, incluindo o liderado por George Durner que analisava 10 modelos climáticos diferentes e comparava mapas de previsão da extensão de gelo marinho com perfis que descrevem onde os ursos têm maior probabilidade de estar. 

 

Combinar as preferências de habitat com mapas é um método geralmente usado para prever o território de uma espécie, explica Durner. O invulgar é aplicar o método a uma área tão vasta, neste caso toda a bacia polar, e que os mapas sejam baseados em projecções complexas. O cenário mais comum é analisar alterações nos mapas causadas por inundações de uma zona húmida ou pelo abate de uma floresta, por exemplo.

Andrew Derocher, biólogo da vida selvagem na Universidade de Alberta em Edmonton, Canadá, que tem vindo a estudar os ursos polares há mais de 20 anos, diz que estes novos aspectos do relatório lhe levaram algum tempo a analisar e compreender. Ainda assim, diz ele, está surpreendido com a demora na tomada de uma decisão. "Depois que os relatórios saíram, pensei que estava tudo dito e feito."

Se as conclusões do Geological Survey forem aceites pelo serviço de vida selvagem podem estabelecer um precedente para uma gestão mais proactiva antes que surjam declínios sérios no efectivo populacional, diz Derocher. Isto é importante quanto a ameaça principal, as alterações climáticas, é, na prática, irreversível. Quando se trata do desaparecimento do gelo marinho, diz Derocher, "não há forma de o voltar a colocar lá".

Os ambientalistas que inicialmente pediram a listagem não pensam que o serviço deva ter mais tolerâncias de tempo. Passaram 3 anos desde que o pedido inicial foi apresentado, diz Brendan Cummings, advogado do Center for Biological Diversity, um grupo conservacionista sediado em Tucson, Arizona. Hoje tenciona tomar acção legal para forçar o serviço da vida selvagem a responder no prazo de 60 dias.

Por seu lado, o serviço já anunciou que tenciona apresentar a sua decisão no espaço de um mês. 

 

 

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