2008-01-06

Subject: Moscas da fruta bêbedas tornam-se hipersexuadas

 

Moscas da fruta bêbedas tornam-se hipersexuadas 

 

   

Dos anais da biologia dos insectos surge a história para alertar aqueles que ainda estão a recuperar das celebrações do Ano Novo: foi demonstrado que beber em excesso coloca as mosca da fruta macho, tal como os humanos, num nevoeiro lascivo.

Nas moscas, a hipersexualidade causada pela exposição crónica ao álcool tem o efeito de levar os machos a perseguir tudo o que tenha asas, incluindo outros machos.

Apesar da preferência sexual em humanos ser obviamente um fenómeno mais complexo e que não pode ser replicado por trabalhos com moscas, as descobertas podem ser usadas para melhor estabelecer um sistema de modelos mosca para o estudo do alcoolismo, dizem os investigadores.

Pode parecer um pouco rebuscado estudar alcoolismo em moscas da fruta mas os insectos bêbedos têm muitas semelhanças com os humanos no mesmo estado, diz Ulrike Heberlein, que estuda as respostas ao álcool e à cocaína em moscas da fruta na Universidade da Califórnia, San Francisco.

Com o aumento da concentração de etanol no corpo, as moscas começam a ficar pouco coordenadas e desligadas do que as rodeia, ficam 'com os copos'. “Chocam umas com as outras, até com as paredes", diz Heberlein.

Acrescente-se ainda mais álcool e as moscas ficam sedadas. Ainda mais álcool e as moscas morrem. Espantosamente, até as concentrações de etanol que induzem estes comportamentos são quase as mesmas nas moscas e nos humanos, diz Heberlein. As moscas também desenvolvem uma tolerância ao álcool e podem ter sintomas de carência.

Combine-se estas características com a informação genética e as ferramentas disponíveis para as moscas e pode-se começar a estudar questões que não podem ser respondidas estudando humanos, diz Robert Anholt, geneticista da Universidade Estatal da Carolina do Norte em Raleigh. “Em estudos humanos de associação genética a única coisa que podemos detectar com certeza são os genes que têm impacto importante, nas moscas temos uma resolução muito melhor porque podemos criar muitas moscas rápida e economicamente."

Com isto em mente, Kyung-An Han, neurobióloga da Universidade Estatal da Pennsylvania em University Park, testou os efeitos da exposição crónica ao álcool sobre o comportamento sexual da mosca da fruta Drosophila melanogaster

Ela notou que os machos repetidamente expostos aos vapores de álcool se tornavam menos discriminatórios na sua selecção de parceiro. As moscas 'tocadas' cortejavam frequentemente os outros machos, perseguindo-os pelas jaulas e fazendo a tradicional serenata tocada com as asas a vibrar.

Eventualmente, as moscas lascivas entravam num verdadeiro frenesim de acasalamento. “Tínhamos uma cadeia de machos a perseguirem-se uns aos outros", diz Heberlein, que não participou neste estudo mas observou comportamento semelhante nos seus próprios estudos. Em contraste, o álcool tinha pouco efeito no acasalamento das fêmeas, que normalmente não cortejam os machos.

 

As descobertas sugerem que as moscas não mudam a sua orientação sexual, apenas se tornam hipersexuadas. Os efeitos de entorpecimento da mente também fazem com que seja um desafio maior para os machos distinguir o género das outras moscas na multidão.

Apesar dos dípteros bêbedos se tornarem mais amorosos, a sua taxa de copulação bem sucedida desce depois de estarem 'com os copos', descobriram os investigadores, uma tendência há muito observada nos humanos. Anholt salienta que até William Shakespeare descreveu o fenómeno na sua peça Macbeth quando escreveu que o álcool “provoca o desejo mas rouba a capacidade de desempenho".

Trabalhos preliminares sugerem que a associação entre o sexo e o álcool pode estar no neurotransmissor dopamina. Han descobriu que a redução da concentração de dopamina em moscas bêbedas reduziu o cortejamento de machos por machos mas a dopamina está associada a níveis de actividade gerais, não sendo claro se a sua redução apenas levou a que as moscas ficassem um pouco paradas.

Os resultados são muito interessantes e podem vir a ser úteis na compreensão da forma como outros animais respondem ao álcool, diz Nigel Atkinson, geneticista da Universidade do Texas em Austin. O próximo passo é perceber se o álcool afecta especificamente o comportamento sexual ou, de modo geral, o nível de alerta.

Uma forma de testar esta hipótese seria descobrir se os animais bêbados têm reflexos mais reactivos, se saltam mais rapidamente em resposta a uma sombra que passe é porque os efeitos podem não ser específicos para a corte.

Heberlein concorda mas salienta que a associação entre o sexo e o álcool seria intuitiva. “Drogas e o sexo actuam sobre o mesmo tipo de circuito no cérebro de um mamífero. O chamado centro de recompensa não evoluiu para criar dependência de drogas, evoluiu para a obtenção de recompensas naturais, como o alimento e o sexo." 

 

 

Saber mais:

Moscas da fruta em contacto com o seu lado gay

Álcool atinge cérebro da mulher mais fortemente

Vermes mutantes "aguentam" a bebida

 

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja voltar a receber o boletim News of the Wild clique aqui!!


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com