2008-01-03

Subject: A batalha das borboletas e das formigas

 

A batalha das borboletas e das formigas

 

   

Borboletas que enganam formigas de forma a que elas ajudem a criar os seus juvenis estão a conduzir uma corrida às armas entre as duas espécies, descobriram os investigadores.

A descoberta é importante para a conservação da rara borboleta azul Alcon, acrescentam eles.

As borboletas alcon da família Maculinea infectam os ninhos das formigas do género Myrmica fazendo as larvas sair do ovo nas suas vizinhanças, esperando que as lagartas sejam 'adoptadas' e cuidadas por formigas que as confundem com as suas próprias crias.

As lagartas conseguem esse objectivo imitando a química da superfície do corpo das formigas. Acertar com esta química é importante: se a formiga não reconhecer a lagarta como uma das suas devora-a, explica David Nash, zoólogo da Universidade de Copenhaga.

As lagartas adoptadas com sucesso são más para os formigueiros, pois as formigas negligenciam as suas próprias larvas em favor dos intrusos mas as formigas estão a contra-atacar! “As larvas de formiga parecem estar a evoluir em resultado de serem parasitadas", diz Nash. “É uma corrida às armas evolutiva que está em curso."

Nash seguiu esta luta em diversos locais na Dinamarca, onde as lagartas infiltram os ninhos de dois tipos de formigas: Myrmica rubra e Myrmica ruginodis. Analisou locais onde as lagartas estão presentes e outros onde não existem.

As formigas M. ruginodis são geneticamente muito semelhantes umas às outras entre diversas populações, relata ele na última edição da revista Science, e têm perfis químicos semelhantes nas diversas populações. Esta falta de diversidade significa que a adaptação é difícil, o que as torna de forma relativamente consistente susceptíveis à infecção pelas lagartas, com taxas entre os 8 e os 40%.

M. rubra têm diferentes bolsas de colónias diferentes e com perfis químicos diferentes, bem como uma diversidade muito maior entre colónias que tnham que lidar com lagartas, implicando que se estavam a adaptar à presença da praga.

Esta diversidade resulta em taxas de susceptibilidade à infecção pelas lagartas muito variáveis, desde 0 a 72%.

 

Por sua vez, as borboletas também se estão a adaptar às diferentes formigas. Quanto mais formigas existirem com um perfil químico específico, mais fortemente são infectadas, mostrando que as borboletas se adaptaram para tirar vantagem das formigas prevalecentes.

Este é um exemplo perfeito da co-evolução entre espécies, diz Jeremy Thomas, zoólogo da Universidade de Oxford e membro do Centro de Ecologia e Hidrologia do Natural Environment Research Council.

“O estudo fornece um exemplo empírico claro de uma área teórica muito entusiasmante", diz Thomas. “A co-evolução local tem sido uma importante área da ecologia na última década. Há muita teoria sobre a questão mas muito poucos exemplos práticos."

As batalhas co-evolutivas como esta são exemplos do que o biólogo americano Leigh Van Valen chamou a Teoria da Rainha Vermelha, segundo a personagem com o mesmo nome da obra infantil de Lewis Carroll. No livro, a Rainha Vermelha diz a Alice (a do País das Maravilhas): “Sabes, é preciso correres o máximo que conseguires para ficares no mesmo sítio". Em termos evolutivos, se as borboletas querem ficar onde estão, a viver à grande à custa das formigas, precisam de permanecer um passo à frente das defesas que vão evoluindo.

Adaptações locais como esta têm sérias implicações para a conservação das borboletas pois se evoluíram para invadir o ninho de um tipo de formiga em especial, pode ser quimicamente diferente o suficiente para ser reconhecida como impostora por formigas ligeiramente diferentes noutros locais.

Apesar da borboleta azul ter sido reintroduzida com sucesso no Reino Unido na década de 80, outras reintroduções falharam e pode ser porque as formigas reconheceram os impostores e estes viraram jantar. 

 

 

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