2004-02-01

Subject: Ratos-toupeira têm GPS natural 

News of the Wild

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição do boletim informativo  News of the  Wild

Este boletim é mantido pelo site Born to be Wild, para que não esqueça o seu lado selvagem ...

 

Em destaque:

Ratos-toupeira têm GPS natural 

 

  Questões ou comentários para: borntobewild@clix.pt

Dê o site Born to be Wild a conhecer a um amigo!!

 

Muitos animais parecem complexos mecanismos internos de navegação e a mais recentes investigação revelou que o rato-toupeira israelita Spalax ehrenbergi usa o campo magnético da Terra como guia em longas jornadas, tal como se tivesse uma bússola. Mas as habilidades deste animal vão mais longe, pois é capaz de escavar as suas tocas em volta de obstáculos, sem que tenha estado em contacto directo com os objectos. 

Uma das suas características mais interessantes é o facto de ser totalmente cego, comenta Tali Kimchi, investigadora do cérebro e do comportamento na Universidade de Tel Aviv. Este facto criou uma pressão evolutiva muito forte sobre os ratos-toupeira para que desenvolvessem mecanismos não visuais especializados em orientação, pois gastam 360 a 3400 vezes mais energia escavando do que se se deslocassem à superfície. 

Os ratos-toupeira israelitas passam quase toda a vida na escuridão total, em complexos sistemas de túneis. Escavam grandes distâncias em busca de bolbos e raízes de que se alimentam, tendo que ser capazes de encontrar o caminho de volta. 

Como outros roedores, cães e mesmo o Homem, os ratos-toupeira têm ideia de onde estão através do equilíbrio e do movimento, diz Kimchi. Mas ao longo de grandes distâncias num labirinto de túneis, este mapa mental pode não ser suficiente. 

Os animais com visão usam pontos de referência para corrigir erros de navegação mas os ratos-toupeira, cegos desde há 30 M.a., tem que usar outra coisa, refere Kimchi.

Já era conhecido que uma espécie aparentada, o rato-toupeira da Zâmbia Cryptomys anselli, podeia detectar o campo magnético da Terra. Assim, Kimchi e os biólogos Joseph Terkel e Ariane Etienne, decidiram testar a capacidade da espécie israelita para navegar no escuro com essa ajuda. 

A equipa colocou ratos-toupeira selvagens em 2 tipos de labirintos laboratoriais. Um era redondo e formado por 8 espaços radiais e um centro oco e os animais precisavam de encontrar o caminho mais directo entre uma zona de alimentação e um ninho. Quando o labirinto foi colocado entre 2 ímans gigantes (que alteravam em 90º o campo magnético), os ratos-toupeira perdiam-se mais facilmente. 

 

Num segundo labirinto rectangular, os ratos-toupeira eram testados quanto à capacidade de usar um mapa mental em conjunto com o campo magnético, para encontrar novos atalhos para uma recompensa alimentar. Novamente, quando o campo foi alterado 90º, era muito mais difícil que encontrassem o atalho. Os ratos-toupeira perdiam-se menos quando se deslocavam pequenas distâncias, mesmo com o campo magnético alterado, logo parece que apenas usam esse sistema navegacional para longas distâncias. 

Muitas aves, insectos, peixes, anfíbios usam o campo magnético para determinar a direcção da viagem antes de partirem, mas o rato-toupeira é o primeiro mamífero que usa o sistema para regularmente corrigir o seu progresso. 

Outro estudo publicado por Kimchi e Terkel, publicado em Novembro de 2003, mostra que os ratos-toupeira têm outras capacidades tipo radar para detectar obstáculos antes de entrarem com contacto com eles. 

Quando os seus túneis foram bloqueados, os animais escavavam cuidadosamente o caminho mais curto em volta do obstáculo, de forma a voltar a passar nesse túnel. Além disso, deixavam uma margem de segurança de 10 a 20 cm se o obstáculo era oco ou uma vala, mas seguiam de perto o seu contorno se o obstáculo fosse sólido. Se o obstáculo fosse assimétrico, os ratos-toupeira escavavam sempre pelo lado mais curto. 

Os investigadores pensam que os animais talvez possam estar a usar um tipo de onda sísmica, gerada por pancadas no solo com a cabeça, tipo radar. É sabido que comunicam entre si através destas pancadas pois têm um excelente ouvido para baixas frequências, diz Pavel Nemec, zoólogo da Universidade de Praga. 

 

 

Saber mais:

Tel Aviv University

Seismic communication signals in the blind mole-rat

Reproductive behavior of the blind mole-rat (Spalax ehrenbergi)

 

 

Comentar esta notícia           Imprimir

 

Recebeu este boletim através de um amigo??

Faça a sua própria subscrição aqui!!

Se não deseja receber o boletim Born to be Wild clique aqui!!

Respeitar os animais é respeitarmo-nos a nós próprios!

@ Born to be Wild, 2004


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com