2003-10-08

Subject: Sonar pode ser responsável pela morte de cetáceos

 

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Em destaque:

Sonar pode ser responsável pela morte de cetáceos

 

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Muitas situações em que cetáceos de várias espécies têm sido encontrados encalhados podem estar relacionadas com a exposição a ondas sonoras emitidas por equipamento militar de sonar subaquático, acreditam os zoólogos. Os sinais de sonar podem causar bolhas nos tecidos dos animais, semelhantes às causadas pela descompressão não controlada de mergulhadores. 

Num artigo publicado no jornal científico Nature, os cientistas descrevem a forma como 14 baleias morreram durante um exercício naval ao largo das Canárias, reforçando a necessidade de regular a utilização deste equipamento de forma a proteger os mamíferos marinhos. 

Esta ligação não é uma situação nova, já anteriormente grupos ambientalistas tinham alegado que o sonar era uma ameaça para todas as espécies de cetáceos. 

Faz 2 meses que a marinha americana foi ordenada por um tribunal federal a suspender os testes de um poderoso sistema de sonar, devido à elevada probabilidade de "causar danos irreparáveis à vida marinha". 

Surge agora um conjunto de novas evidências, obtidas por cientistas ingleses e espanhóis, que demonstram danos a nível do fígado e rins de animais examinados, nomeadamente a presença de cavidades cheias de líquido nunca antes observadas em patologia de mamíferos marinhos. Essas bolhas são em tudo semelhantes às encontradas em mergulhadores afectados pela doença da descompressão. 

Durante os exercícios ao largo das canárias em 2002, 14 baleias de bico encalharam e acabaram por morrer nas praias de Fuerteventura e Lanzarote, menos de 4 horas após o início da emissão do sonar de média frequência. Só nessa altura a marinha espanhola suspendeu o exercício. 

As autópsias realizadas em 8 baleias de bico de Cuvier, uma baleia de bico de Blainville e uma baleia de bico de Gervais, mostraram que todas apresentavam lesões de acordo com a doença da descompressão. Outras autópsias de animais encalhados no Reino Unido entre 1992 e 2003 revelam a mesma situação: foram encontradas bolhas de gás nos vasos sanguíneos e hemorragias internas, típicas da doença da descompressão. 

Estas descobertas alteram totalmente a ideia generalizada que os mamíferos marinhos não sofrem de doença da descompressão, pois a situação parece mais comum em espécies que mergulham a grande profundidade, embora não exclusivamente. 

A forma como mergulham as baleias de bico, mais do que a profundidade que alcançam, parece ser o ponto chave nesta questão: absorvem mais azoto para os tecidos, o que as coloca em risco ao emergirem. As baleias de barbas não mergulham tão profundamente mas os cachalotes sim, pelo que podem enfrentar riscos semelhantes. 

Não é claro de que forma o sonar afecta os cetáceos: atacará directamente os seus tecidos ou assusta-os, obrigando-os a realizar uma ascensão demasiado rápida? 

 

 

 

 

Outras Notícias:

Cientistas divididos quanto ao efeito do sonar nos mamíferos marinhos

 

O congresso americano está estudar propostas para facilitar a obtenção de autorizações para realizar experiências com sonares de alta intensidade no mar aberto, ao mesmo tempo que surgem evidências sobre os seus efeitos danosos nos mamíferos marinhos. 

Duas medidas, datadas de 1972, da acta de protecção dos mamíferos marinhos, estão prestes a ser alteradas: uma simplifica o procedimento de obtenção de licenças e outra isenta a marinha americana destas restrições, com base na necessidade de manter a segurança nacional. 

As alterações são apoiadas pela marinha e por alguns geofísicos, que pretendem usar os sonares de alta intensidade para estudar formações geológicas no fundo do mar. Pelo contrário, há uma forte oposição por parte de biólogos marinhos, nomeadamente os que publicaram o estudo referido ao no destaque ao lado.

 Cacahalote anão encalhado

  Saber mais:   

Whale and Dolphin Conservation Society

Dolphin Research Center

 

 

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@ Born to be Wild, 2003


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