2007-12-16

Subject: Gerbos conseguem distinguir o 'eu' do 'tu'

 

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Em destaque:

Gerbos conseguem distinguir o 'eu' do 'tu'

 

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Se você falar com um gerbo será que ele vai compreender? Dois investigadores conseguiram treinar gerbos a reconhecer o som de vogais humanas e descobriram que eles distinguem facilmente o som 'oo' (como no tu, em inglês 'you') do 'ee' (como no eu, em inglês 'me').

Joan Sinnott e Kelly Mosteller, da Universidade do Sul do Alabama em Mobile, sabem, obviamente, que os gerbos nunca serão capazes de compreender a semântica da linguagem humana, elas não estão a tentar que os gerbos compreendam palavras ou frases. Em vez disso, o trabalho tem a ver com o seu interesse em perceber como os humanos discriminam os sons a um nível muito básico, como as crianças fazem antes de esses sons se tornarem parte de uma linguagem conhecida.

Um bom modelo animal forneceria uma forma proveitosa de analisar a questão. Sinnott diz que começou a testar macacos mas descobriu que eles eram demasiado inteligentes: "Eles conseguem ouvir todos fonemas humanos [sons básicos da fala] que testei, mesmo os mais difíceis", diz ela. Por isso mudou para os gerbos.

Nas suas experiências, as investigadoras apresentaram aos gerbos da Mongólia dois copinhos com comida: um à direita e outro à esquerda. Um som de vogal, pré-gravado e reproduzido repetidamente com intervalos de um segundo, assinala que a comida está no copinho do lado esquerdo. Um som de vogal diferente indica que a comida está no copinho do lado direito. Os gerbos conseguiam aprender esta rotina relativamente rápido em testes com pares de 10 vogais diferentes, revelam as investigadoras.

Tal como os humanos, os gerbos variam nas suas capacidades. Dois dos seis gerbos do grupo de Sinnott, de nomes Jackson e Washington, eram capazes de distinguir muitos pares de vogais, cerca de 9 em cada 10 vezes. Outros tinham um desempenho menos bom, Lincoln pouco mais de 50% (o valor equivalente ao acertar ao acaso) das vezes distinguia alguns dos pares mas todos os gerbos estavam acima da casualidade.

As investigadoras apresentaram as suas descobertas no encontro da Acoustical Society of America que decorreu em Nova Orleães no mês passado.

 

Sinnott e Mosteller estudaram como e porquê alguns sons de vogais são mais fáceis de discriminar que outros. Existem três componentes principais de frequência (os chamados formantes) na fala humana: F1, que depende da altura da língua, F2, que depende de se a língua está à frente ou atrás na cavidade bocal, e um componente de alta frequência, F3, que pode ser influenciado pela curvatura da língua.

Sabe-se que o F2 é o formante mais importante na percepção da linguagem humana e, descobriram as investigadoras, para os gerbos também, pois a discriminação melhora com uma maior diferença em F2 (‘oo’ e ‘ee’ têm a maior diferença). "É uma descoberta muito excitante para nós", dizem elas, "este resultado dá muito boas indicações para a utilização do gerbo como modelo da percepção da fala humana."

O curto tempo de vid dos animais também significa que as investigadoras podem investigar como a discriminação se altera com a idade.

Em humanos, pensa-se que a audição fica reduzida com a idade, seja devido a factores externos como exposição a ruídos altos, má dieta ou problemas circulatórios, ou devido a aspectos intrínsecos ao processo de envelhecimento, como a morte celular. 

Sinnott já tinha anteriormente descoberto que a descriminação do som por parte dos gerbos não parece ser afectada pelo envelhecimento intrínseco mas apenas pelo desgaste extrínseco. Se isso for verdade também para os humanos, sugere que os problemas auditivos relacionados com a idade não são inevitáveis. 

 

 

Saber mais:

Acoustical Society of America 154th meeting

Formants and vowel sounds

 

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