2007-12-12

Subject: Como as mulheres até se dobram para trás pelos seus bebés

 

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Como as mulheres até se dobram para trás pelos seus bebés

 

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A próxima vez que vir uma mulher grávida cambaleando com o desajeitado peso da sua barriga em crescimento, lembre-se disto: se ela fosse um homem, ainda seria pior.

Os investigadores descobriram que as vértebras que compõem a coluna de uma mulher evoluíram para lhe dar mais apoio, provavelmente para a ajudar a suportar a gravidez.

Os resultados são verdadeiros para as mães modernas mas também para as mães dos nossos ancestrais, Australopithecus, que viveram há mais de 2 milhões de anos. As vértebras masculinas não têm estas características.

Sem este apoio extra, as mulheres teriam que exigir mais dos seus músculos das costas para conseguirem manter-se de pé. Ao longo dos nove meses, isso poderia levar a fadiga muscular e a danos às costas.

Quando os ancestrais dos humanos começaram a andar sobre duas pernas, tiveram que fazer vários tipos de ajustes ao esqueleto. As vértebras aumentaram em número e espessura para fornecer maior apoio à parte superior do corpo e a coluna adquiriu uma forma curva no fundo das costas, de forma a  deslocar os ombros para trás e o centro de gravidade ficar sobre as ancas.

Mas o aumento de volume associado para a gravidez volta a deslocar o centro de gravidade para a frente, tornando a mulher mais propensa a tombar para a frente. As mulheres grávidas voltam a colocar o centro de gravidade sobre as ancas inclinando-se para trás, acentuando a curva na base da coluna.

Katherine Whitcome e Daniel Lieberman, da universidade de Harvard em Cambridge, em conjunto com a sua colega Liza Shapiro, da Universidade do Texas em Austin, mediram o centro de gravidade de 19 mulheres grávidas e descobriram que elas se inclinavam para trás até 28º para além da curvatura normal da coluna. Os investigadores descobriram que esta situação reduz a torção em volta da anca criada pelo peso do bebé em cerca de 8 vezes.

Exagerando a curva da base das costas pode colocar mais stress sobre a coluna: é mais provável que as vértebras rocem umas nas outras, provocando dores nas costas ou fracturas. Whitcome descobriu que a coluna de uma mulher tem várias características que ajudam a impedir esse tipo de dano. Nas mulheres, a curva na base das costas abrange três vértebras, enquanto nos homens apenas duas. A vértebra a mais ajuda a distribuir o esforço sobre uma zona maior.

Para além disso, articulações especializadas localizadas por trás da medula espinal, as articulações zigapófises, são 14% maiores relativamente ao tamanho das vértebras nas mulheres que nos homens, sugerindo que as articulações estão bem adaptadas a resistir à maior força. As articulações também estão orientadas num ângulo ligeiramente diferente que nos homens, permitindo-lhes firmar as vértebras contra os deslizamentos.

 

Para além dos factores biológicos mais óbvios, isto torna as mulheres melhor adaptadas a transportar um bebé. "Eu aconselhava todos os meus colegas homens a não engravidarem", brinca Karen Steudel, antropologista biológica da Universidade do Wisconsin, Madison.

Os investigadores procuraram, e encontraram, as mesmas tendências entre machos e fêmeas em dois fósseis de Australopithecus.

As adaptações teriam sido muito importantes nessa época, diz Lieberman, “Imaginem enrolar sete quilogramas à vossa barriga e continuar com uma vida muito activa, caçando, recolhendo alimentos, correndo para fugir de predadores", diz ele.

Os resultados salientam a importância de uma coluna inferior saudável para a sobrevivência, considera Carol Ward, paleoantropologista da Universidade do Missouri em Columbia. “Problemas de costas podem por em causa a sua capacidade de se deslocar e encontrar alimento, logo deve ter existido uma forte selecção natural a favor dos indivíduos com menos dores de costas." 

Dado que até há muito pouco tempo as mulheres passavam grande parte da sua vida adulta grávidas, as adaptações que protegem as costas durante a gravidez seriam particularmente importantes, diz ela.

Whitcome está agora a procurar o efeito da gravidez nas vértebras e Ward salienta que seria interessante ver de que forma estas alterações se integram com as adaptações para a corrida de longa distância. Alguns cientistas pensam que a necessidade de correr longas distâncias foi uma força selectiva crucial na evolução humana. “Mas como todos os que já estiveram grávidos de 9 meses sabem, correr não é o que queremos fazer", diz Ward.

 

 

Saber mais:

Universidade de Harvard - laboratório de biologia do esqueleto

Carol Ward

Karen Steudel

Corrida de distância moldou evolução humana

 

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