2004-01-30

Subject: Borboletas exibem as suas asas ultra-negras

News of the Wild

 

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Borboletas exibem as suas asas ultra-negras 

 

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O ultra-negro é o novo negro, a cor da estação, pelo menos se você for uma borboleta ...

As borboletas usam truques de óptica para tornar os pigmentos escuros das suas asas parecerem ainda mais escuros, revelou este estudo agora publicado. Outros investigadores já tinham antes usado truques semelhantes para fabricar superfícies "mais negras que o negro". 

O macho da borboleta azul Ulisses Papilio ulysses, nativa do sudeste asiático, tem maravilhosas áreas azuis nas asas, emolduradas por regiões negras. Quanto mais negra for a moldura, maior realce tem o painel azul, como um sinal para machos rivais. 

Os peritos consideravam que este fenómeno se resumia à presença de um pigmento escuro que absorvia quase toda a luz incidente. Mas afinal não, diz Pete Vukusic, da Universidade de Exeter, as escamas contendo pigmentos têm, por sua vez, uma estrutura física que "aprisiona" a luz incidente, tornando-a mais susceptível de ser absorvida. 

Muitos animais usam a física para obter os efeitos de cor que não podem ser atingidos apenas com o uso de pigmentos. O pavão, por exemplo, deve o seu brilho verde iridiscente à interferência construtiva: o arranjo de proteínas nas penas leva a luz a ser reflectida de tal forma que os comprimentos de onda não desejados são cancelados. 

A equipa de Vukusic resolveu descobrir se aspectos estruturais poderiam, por sua vez, suprimir a cor, da mesma forma que conseguem criá-la. 

 

Quando a luz passa entre dois meios com índices de refracção diferentes, por exemplo água e ar, fica aprisionada no meio mais denso. A água tem um índice de refracção de 1,3 em relação ao ar, enquanto a asa da borboleta tem um índice de refracção de 1,6 em relação ao ar, maximizando as possibilidades da luz ser absorvida pelo pigmento, explica Vukusic. 

Os investigadores testaram este facto imergindo as asas num banho químico de bromofórmio, que tem mais ou menos o mesmo índice de refracção das asas, tendo removido o efeito da estrutura do tecido das asas, diz Vukusic.

Como era de esperar, as escamas pareciam menos negras quando a sua estrutura foi cancelada pelo banho químico. No ar, elas absorvem mais de 90% da luz, no bromofórmio pouco mais de 50%. 

Talvez o ultra-negro seja a cor da próxima estação, diz Richard Brown, engenheiro químico no Britain's National Physical Laboratory. Em 2002, ele descobriu o "Super Black", uma cobertura de níquel e fósforo que provoca um efeito semelhante ao das escamas da P. ulysses.

O Super Black deverá ser muito útil na construção de instrumentos ópticos, prevê Brown, mas também já há interesse de artistas, pouco satisfeitos com o grau de negro das suas tintas. 

Esta cobertura absorve cerca de 99,7% da luz incidente, o que a torna mais eficiente que as asas de P. ulysses. No entanto, é facto que as borboletas o descobriram primeiro, o que prova o valor dos animais como fonte de inspiração na engenharia, diz Vukusic. A biomimética é cada dia mais popular, sempre que pudermos, devemos tirar ideias da natureza.

 

 

Saber mais: 

NPL Superblack

Butterflies' polarized glint attracts mates

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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